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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

guinada na vida

"Guinada na vida" foi publicado originalmente em 2003 e é o décimo primeiro dos livros de Andrea Camilleri onde o comissário Salvo Montalbano é protagonista. Neste livro ele está cinquentão, algo cansado e desmotivado, deprimido com os rumos polìticos da Itália de Berlusconi e Fini, que pensa em se demitir. Mas o acaso se apresenta, na forma de um cadáver que Montalbano resgata do mar. Da curiosidade inicial sobre a origem do cadáver sucedem reviravoltas frenéticas. Montalbano envolve-se com migrantes extra-comunitários e sente-se culpado por de certa forma provocar a morte de um garoto africano, sequestrado para o mercado de pedofilia europeu. A investigação é conduzida como uma vingança pessoal de Montalbano, sem registro nos canais usuais da burocracia da polìcia. Montalbano é um personagem robusto, que tem seus matizes de humor e sorte, como todos nós no mundo real. Auxiliado por seus imediatos Fazio e Mimí, além de sua amiga sueca Ingrid (o elenco de personagens femininos de Camilleri é muito bom), Montalbano consegue chegar aos responsáveis pelas mortes do afogado e do garoto africano: dois tunisianos sádicos e muito perigosos. Neste livro Montalbano experimenta desconforto físico, seu corpo reclama um tanto da idade. Camilleri sabe dar verossimilhança a um personagem que aprendemos a amar. Movimentado e direto ao ponto. Belo livro. [início 03/12/2010 - fim 05/12/2010]
"Guinada na vida", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Avila Melo, editora Record, 2a. edição (2008), brochura 14x21 cm, 221 págs. ISBN: 978-85-01-07017-3

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

el perro de terracota

"El perro de terracota" é o segundo dos livros de Andrea Camilleri onde aparece o consistente comissário de polícia Montalbano (grande personagem e grande homenagem ao Manolo Vazquez Montalbán). Publicado originalmente em 1996 encontramos neste livro uma trama bastante intrincada que só é deslindada bem perto do final. Camilleri conta uma história terrível que remonta os tempos da segunda grande guerra. Em uma Itália assolada pela destruição um casal é executado ritualmente. Somente quarenta anos depois seus corpos são encontrados e Montalbano tem a chance de solucionar as circunstâncias e as motivações para o crime. Há várias tramas paralelas que justificaram a solução proposta por Camilleri: um roubo aparentemente comum de um supermercado; a prisão de um adoentado mafioso, importante o suficiente na hierarquia da organização para tornar seu captor (Montalbano, claro!) candidato a uma promoção especial do ministério (cousa que ele definitivamente não quer correr o risco de conseguir); a morte acidental de um velho comunista. Camilleri parece estar ainda tateando com os trejeitos e com a obstinação de seu personagem. Boa leitura nestes dias ainda frios de final de inverno. [início 10/09/2010 - fim 27/09/2010]
"El perro de terracota", Andrea Camilleri, tradução de María Antonia Menini Pagés, ediciones Salamandra, 1a. edição (2005), brochura 11,5x18 cm, 285 págs. ISBN: 978-84-95971-69-2

sábado, 2 de outubro de 2010

a primeira investigação de montalbano

Em "A primeira investigação de Montalbano" encontramos três curtas novelas policiais: uma é a que dá nome ao livro e envolve exatamente a primeira investigação de um jovem investigador Montalbano na mítica Vigàta criada por Andrea Camilleri. Ele ainda está envolvido com uma namorada (Mery), que não me lembro ser citada novamente em sua obra (logo veremos). Na história uma garota é estuprada por um sujeito ligado à Máfia. Mesmo agindo no limite da lei Montalbano consegue alcançá-lo e resolver o problema. O braço direito do comissário, o mercurial agente Fazio, aparece pela primeira vez, e descobrimos em primeira mão como Montalbano encontrou sua casa de praia em Montelusa. Na segunda história do livro acompanhamos como um louco mata ritualmente animais progressivamente maiores, gerando tensão e medo na cidade. Montalbano percebe rapidamente que o caso pode ser ainda mais bizarro e perigoso do que parece. Há um tanto de cabala e misticismo na história, que se defende bem, mas no limite da verossimilhança. Por fim, na terceira das novelas, Montalbano mostra toda sua capacidade de organização ao motivar seus confusos comandados na investigação do sequestro de uma menina. Descobrimos um intrincado jogo de extorsão promovido pela Máfia (com a ajuda de parentes veniais e sócios do pai da garota). A forma como Montalbano induz até os mafiosos a lhe auxiliarem é mesmo magistral. São três histórias que envolvem crimes sem sangue, tudo muito complicado e até com soluções mirabolantes demais, mas nada que realmente comprometa a prosa sarcástica de Camilleri. [início 20/09/2010 - fim 23/09/2010]
"A primeira investigação de Montalbano", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Avila Melo, editora Record, 1a. edição (2008), brochura 14x21 cm, 299 págs. ISBN: 978-85-01-07990-9

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

o ladrão de merendas

Neste volume das aventuras de Salvo Montalbano o encontramos maduro, já um senhor de seus 45 anos, trabalhando duro na investigação (e solução) de crimes na arenosa Vigàta. "O ladrão de merendas" é de 1996, mesmo ano de publicação de "o cão de terracota", que em breve também resenharei aqui. Camilleri descreve a vida dura dos imigrantes tunisianos na Itália, em uma história que envolve contrabando, sexo e dinheiro sujo da Máfia. Um sujeito de origem tunisiana é morto em uma embarcação de pesca. Aparentemente tratava-se de um caso de competência federal, pois o barco teria entrado em águas territoriais do outro país e sofrido um ataque. Mas Montalbano percebe que há algo mais na história dos pescadores. Todos os comandados dele se apresentam neste volume: Augello, Fazio, Tortorella, Gallo, Germanà, Galuzzo. Todos personagens palpáveis e matizados. Até Lívia, lasciva como nunca, e uma inteligente senhora, Clementina Vasile Cozo, que o ajudará neste e em vários outros casos no futuro, também aparecem. Neste volume Montalbano também tem de resolver uma questão pessoal, já que seu pai está quase a morte em uma clínica. Mas nem tudo é melancólico. A equipe de Montalbano encontra um pequeno "ladrão de merendas" atuando na vizinhança. Este garoto aparecerá também em várias histórias no futuro, pois Lívia e ele irão tentar adotá-lo. Há boas simetrias na história, simetrias morais entre Montalbano e os mafiosos, entre ele e os burocratas do serviço de inteligência italiano, entre ele e seus auxiliares. Cerebral, articulado, cínico e inteligente, Montalbano é mesmo um bom personagem, que sabe se deixar conduzir por boas tramas. Vamos em frente. [início 28/08/2010 - fim 09/09/2010]
"O ladrão de merendas", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Avila Melo, editora Record, 2a. edição (2006), brochura 14x21 cm, 224 págs. ISBN: 978-85-01-05617-0

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

o cheiro da noite

"O cheiro da noite" é o sexto dos livros da série Montalbano e foi publicado originalmente em 2005. A trama é movimentada. Um sujeito dá um golpe financeiro em meia Vigáta (a mítica cidade do sul italiano inventada por Camilleri) e desaparece. Montalbano não tem jurisdição para investigar crimes financeiros, mas se envolve no processo pois acredita em um primeiro momento que o contador que adminstra o pecúlio de um afilhado seu poderia ter sido enganado pelo trambiqueiro. e sente algo a contragosto o peso dos anos que passam. Ficamos sabendo que Montalbano nasceu em 1950 e que sua relação com Lívia está mais do que estremecida. Camilleri cita vários autores, inclusive Faulkner, um luxo neste tipo de romance ligeiro, mas a coisa não soa artificial ou pernóstica. Ele abusa novamente do artifício de usar sonhos para solucionar alguns dos enigmas do livro, mas paciência, este é só um livro para garantir um par de horas de diversão. Vamos em frente. [início 31/08/2010 - fim 01/09/2010]
"O cheiro da noite", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Avila Melo, editora Record, 2a. edição (2010), brochura 14x21 cm, 175 págs. ISBN: 978-85-01-06409-7

terça-feira, 17 de agosto de 2010

a forma da água

Publicado originalmente em 1994 "A forma da água" foi o primeiro dos livros no qual aparece o personagem Salvo Montalbano, comissário de polícia inventado pelo italiano Andrea Camilleri que alcancou legiões de leitores mundo afora. É uma pequena história, mas movimentada e repleta de citações eruditas em boa medida, como as demais que já li dele (é sempre um problema ler livros de uma série fora da ordem em que forma imaginados, mas não há muito o que fazer). Neste livro ficamos sabendo a data do primeiro crime resolvido por Montalbano, um não tão distante 09 de setembro de 1993. O enredo desta história envolve muito da política recente da Itália (o bizarro mundo onde um sujeito medíocre e manipulador como Silvio Berlusconi alcança ser primeiro ministro - vê-se que a estupidez não é privilégio apenas da maioria dos brasileiros). Um político é morto e Montalbano consegue descobrir como a verdade se encondia em uma enxurrada de equívocos, pistas falsas que mafiosos espalham, políticos inescrupulosos (uma redundância, óbvio) acolhem, um clero servil encampa e colegas policiais lenientes preferem escolher. Os personagens principais já estão todos ali (Fazio, Augello, Catarella, Gallo, Livia, Jacomuzzi, Pasquano). O estilo de Camilleri já aparece, virtuoso e pleno. De fato ele já era escritor experiente quando teve o tino de inventar Montalbano. Divertido. [início 17/08/2010 - fim 17/08/2010]
"A forma da água", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Avila Melo, editora Record, 1a. edição (2010), brochura 14x21 cm, 141 págs. ISBN: 978-85-01-05618-4

domingo, 15 de agosto de 2010

un mes con montalbano

Neste divertido livro Andrea Camilleri conta trinta histórias curtas, trinta contos de mistério. Nestas histórias Camilleri faz o comissário Montalbano experimentar situações que provavelmente não tenham fôlego para narrativas mais longas, mas são curiosas a seu modo. Ele testa a musculatura de alguns personagens secundários, dá conta de sucessos da juventude de Montalbano, explora um tanto das motivações éticas e profissionais do comissário. Em algumas das histórias Montalbano resolve crimes cometidos em um passado distante, já prescritos, onde apenas o prazer de alcançar a verdade motiva o sujeito. Há um bocado de humor na maior parte das histórias. Ele também parece ficar mais a vontade para citar suas influências literárias mais caras: Proust, Melville, Musil, mostrando uma incomum erudição. Esta edição inclui um prefácio generoso de Manuel Vázquez Montalbán, onde o homenageado dá conta da importância da criação de Camilleri na literatura contemporânea. Um bom texto para se iniciar nos mistérios de Montalbano. [início 10/08/2010 - fim 16/08/2010]
"Un mes con Montalbano", Andrea Camilleri, tradução de Elena de Grau Aznar, ediciones Salamandra, 9a. edição (2008), brochura 15x23 cm, 397 págs. ISBN: 978-84-7888-769-9

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

la voz del violín

Inegavelmente os livros de Andrea Camilleri sabem proporcionar bons momentos. Os personagens fixos são conhecidos e sem muitos matizes, a trama é sempre arrumada para alcançar um fim naturalmente previsível (o comissário Salvo Montalbano irá decifrar qualquer enigma que seja apresentado a ele, claro), mas Camilleri consegue dar ossatura, uma espécie de estofo de sofisticação, às suas histórias. Nesta história em particular uma mulher aparece morta como por acaso (o carro onde o comissário Montalbano estava se envolve em um acidente e ele fareja algo estranho em um pequeno chalé das redondezas). Boa parte do livro serve para postergar uma resolução que é quase óbvia. A investigação, a autópsia, a apresentação dos eventuais suspeitos, as trilhas e pistas cifradas oferecidas aos leitores, as curtas passagens onde os personagens fixos de Camilleri (uma legião afinal: Augello, Fazio, Gallo, Galluzo, Tortorella, Grasso e, claro, Catarella) ganham algum relevo, quase tudo é acessório. Montalbano se mostra um político habilidoso, que sabe manipular todos que o cercam, colegas, colaboradores e principalmente seus detratores e inimigos. O espírito de grupo que ele insufla em seus comandados é algo digno de nota. A versão original deste livro é de 1997. Camilleri (em sua quarta história com Montalbano ) demonstra claramente que se esforçava em torná-lo mais complexo e interessante. Após estas longas sessões introdutórias eis que um violino é introduzido na história e aí não há mais como não descobrirmos a verdade dos fatos. É uma leitura divertida, mas descompromissada como livros deste tipo devem ser, leitura tranquila para estes dias cinzas de inverno. [início 08/08/2010 - fim 10/08/2010]
"La voz del violín", Andrea Camilleri, tradução de María Antonia Menini Pagés, ediciones Salamandra, 1a. edição (2002), brochura 11,5x18 cm, 254 págs. ISBN: 978-85-7888-738-5

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

la luna de papel

"Lua de papel" é o nono dos livros de Andrea Camilleri onde o comissário Montalbano aparece. Os personagens já evoluiram bastante: Mimí Augello está casado e com um filho pequeno; Catarella tornou-se um hacker algo habilidoso (muito do que passa por inteligência é mesmo apenas computação, como já disse José Paulo Baravelli); Montalbano ainda é fiel a Lívia, mas flerta com algumas das mulheres que aparecem na trama. Publicado originalmente em 2008 "La luna de papel" é um livro onde Camilleri fala das relações temerárias entre o poder e a máfia, entre os políticos e o submundo do crime organizado. Camilleri abusa de truques neste livro: o artifício de sonhos como ferramenta de solução de enigmas, alguns símiles cinematográficos e teatrais no encaminhamento da investigação, o que torna o final algo fraco a meu juízo. Mas os romances policiais servem para entreterimento ligeiro e isto Camilleri sabe oferecer. [início 02/08/2010 - fim 04/08/2010]
"La luna de papel", Andrea Camilleri, tradução de María Antonia Menini Pagés, ediciones Salamandra, 1a. edição (2010), brochura 11,5x18 cm, 253 págs. ISBN: 978-84-9711-122-5

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

la pista de arena

Comecei minhas férias de inverno pensando em reler "El desvío a Santiago", do Cees Nooteboom. Seria minha forma de comemorar este Año Jacobeo (ou Ano Xacobeo, como diria um gallego), relembrar as errâncias de Nooteboom pela sempre estival Espanha. Mas quando cheguei a Madrid e encontrei este Camilleri recém saído do forno (foi editado em abril deste ano) não resisti. Troquei de leitura ali no aeroporto mesmo (os livros sabem do quão volúveis somos e esperam nossa volta quase sempre com paciência). "La pista de arena" é um romance policial bem compacto. Montalbano encontra um cavalo morto em uma praia próximo a sua casa e se enreda no mundo hipócrita e violento das corridas de cavalos, das apostas clandestinas, da lavagem de dinheiro. Intrigas entre a máfia siciliana e a decadente burguesia do sul da Itália são descritas com algum sarcasmo no livro. Montalbano se mostra neste livro mais lascivo e sedutor (a idade fez bem ao sujeito). Ele consegue também livrar seu armeiro Galluzo de uma encrenca com seus superiores (o espírito de grupo, a unidade entre seus comandados, sempre é uma marca nas histórias de Camilleri). A trama se desenrola como se espera em uma novela policial, mas a miríade de nomes torna tudo mirabolante demais para o meu gosto. Paciência. [início 22/07/2010 - fim 25/07/2010]
"La pista de arena", Andrea Camilleri, tradução de María Antonia Menini Pagés, ediciones Salamandra, 1a. edição (2010), brochura 14x22 cm, 221 págs. ISBN: 978-84-9838-276-1

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

o medo de montalbano

Nestas férias curtas calhou-me ler livros algo ligeiros (vamos dizer assim). Livros de memórias, guias de viagem, cartuns ou coletâneas de contos são para se desfrutar sem pressa e rigor, podemos esquecê-los em uma mesinha e logo retomá-los, sem muita perda do enredo ou do sentido. Num final de semana destes fui visitar os Missell (Frank e Val, Isabella, Thomas e Daniel, que beleza de passeio) e levei para ler na viagem um livro mais sério (umas crônicas do Javier Marías) e um de contos policiais (do Andrea Camilleri). Claro que só li o de contos, pois contos policiais são o exemplo acabado deste tipo de literatura ligeira. Bueno. No ano passado descobri Camilleri e seu curioso personagem Montalbano, o comissário observador, incorruptível e eficientíssimo. Neste "O medo de Montalbano" somos apresentados a três contos bem curtos e três histórias mais longas. De fato Montalbano é um bom personagem, tem sua profundidade psicológica, suas fraquezas, seus rompantes (em algum lugar Manolo Vazquez está feliz com isto). Os personagens secundários também têm suas idiossincrasias, seu estofo. Camilleri explora o uso corrente de vários dialetos usados na Itália. Um dos personagens é uma pessoa bastante simples, tosca, que fala de um jeito que gera muita confusão em seu local de trabalho. Eu sabia que existiam dialetos na Itália, mas curioso sobre o assunto estudei um tanto e descobri que eles são mais de trinta (a maioria incompreensíveis entre si), e que atualmente 50% da população italiana alterna entre o italiano formal (de origem toscana, intermediário entre os dialetos do sul e do norte ) e algum dialeto. O livro explora bem isto, usando nas tramas vária vezes as dificuldades de comunicação entre as pessoas. Em alguns destes contos Montalbano é ajudado por seus próprios sonhos, noutros é seu puro instinto que elucida a trama. O papel destas componentes inexplicáveis nas investigações incomoda Montalbano, pois em geral ele usa somente sua razão para antecipar os crimes. Enfim, "O medo de Montalbano" é o livro certo para se desfrutar sem medo nos dias em que calmamente nos refrescamos "by this sun", sob este sol de verão. [início 05/01/2010 - fim 18/01/2010]
"O medo de Montalbano", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Avilla Melo, editora Record, 1a. edição (2009), brochura 13,5x21 cm, 300 págs. ISBN: 978-85- 01-08400-2

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ano-novo de montalbano

Neste livro encontramos vinte contos curtos onde o personagem principal é um comissário de polícia italiano (na verdade siciliano) chamado Salvo Montalbano. Este nome é uma homenagem que o autor, Andrea Camilleri, fez no início dos anos 1990 a um amigo seu, o espanhol e também escritor de livros de suspense Manuel Vázquez Montalbán. A trama dos contos não foge do manual dos livros de detetive. Os casos são apresentados, o elenco de personagens coadjuvantes que gravitam em torno do comissário Montalbano contribuem aqui ou acolá com algum acerto, mas é sempre este último que encerra os casos mais complexos e mirabolantes. A ação sempre se dá nas proximidades da ficcional Vigàta, uma cidade costeira aparentada com a Porto Empedocle natal de Camilleri. Os contos são bem articulados, cerebrais, elaborados demais até, mas o final de cada trama é sempre sintético, abrupto mesmo, pois o autor não se preocupa muito em explicar aquilo que fica óbvio para o leitor com a leitura (coisa que em geral os escritores de livros de suspense não conseguem evitar). O elenco de personagens auxiliares é curioso, mas preciso ler mais livros deste sujeito para dizer se algum deles vale mesmo uma missa. Creio que minha cota de romances policiais já está maior do que deveria, mas ler livros deste tipo é sempre um divertimento, descansa o sujeito um tanto e não toma mesmo muito tempo. Aprendemos algo sobre o jeito de pensar dos italianos, sobre a política recente de lá. De qualquer forma vou experimentar os demais livros de Camilleri que já foram traduzidos por aqui sem pressa. Há ainda outras cousas para se ler neste ano, não há porque se açodar. Como um legítimo admirador dos livros de Manuel Vázquez Montalbán, acredito que ele deve ter ficado genuinamente feliz com a homenagem (mas Pepe Carvalho é melhor, claro!). [início 07/09/2009 - fim 18/09/2009]
"O ano-novo de Montalbano", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Ávilla Melo, editora Record (1a. edição) 2009, brochura 13,5x21, 285 págs., ISBN: 978-85-01-08399-9