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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

maestro de esgrima

Comprei este "El maestro de esgrima" em um sebo, poucos dias depois de don Manolo Vázquez ter-me sugerido exatamente ele para uma leitura descompromissada de férias. Coincidências devem ser mesmo aproveitadas pensei, e comecei a ler o livro quase naquele dia mesmo. Trata-se de um romance histórico, ambientado na Madrid de 1868, época de intensa movimentação política que vai culminar na abdicação (ou mais corretamente, deposição) da Rainha Isabel II da Espanha. A história tem a política como pano de fundo, mas trata mesmo de uma vingança, perpretada por uma moça misteriosa, Adela de Otero, que domina como poucos a arte da esgrima. Ela chega a cidade e passa a tomar aulas particulares de esgrima com um velho professor, chamado Jaime Astarloa, muito zeloso de sua habilidade, de sua honradez, de seus princípios (virtudes já algo fora de moda naquele final de século XIX). Naquela época a esgrima já não tinha a função que teve no passado e servia mais como passatempo ou forma de distinguir pessoas refinadas que possibilitar de fato vantagens em escaramuças e contendas entre indivíduos. Com isto o velho professor tem poucos alunos realmente hábeis, sendo que um deles é um jovem aristocrata que teve durante um certo tempo cargos importantes em ministérios da Rainha Isabel II. A jovem misteriosa na verdade usa as aulas de esgrima para se aproximar deste jovem, pois ele tem provas contudentes e irrefutáveis dos planos para o golpe de estado que está em curso (liderado pelo General Prim, uma verdade histórica). O pretexto que ela utiliza para iniciar as aulas de esgrima é aprender um movimento com a espada que seria perfeito, indefensável. Ela usa exatamente este movimento para matar o jovem aristocrata, deixando o velho professor (conhecido por dominar esta técnica) como principal suspeito do crime. Aos poucos a trama vai se resolvendo e o mestre de esgrima tem por fim a chance de descobrir um movimento ainda mais perfeito e mortal que o anterior. É uma história movimentada, os capítulos têm o nome de movimentos clássicos da esgrima, lê-se com prazer e sem maiores preocupações com a vida. [início 26/07/2009 - fim 01/08/2009]
"El maestro de esgrima", Arturo Pérez-Reverte, editora Alfaguara/Bolsillo (1a. edição) 1992, brochura 11x18, 275 págs., ISBN: 84-204-8101-7

sábado, 19 de janeiro de 2008

o quadro flamengo

Já resenhei livros de Arturo Pérez-Reverte aqui, mas este não é da saga do espadachim espanhol capitão Alatristre. Este "O quadro flamengo" poderia ser incluído na classe de romances policiais, pois o que está em jogo na trama é descobrir quem matou um sujeito, em que pese o fato do crime ter acontecido há quase 500 anos. Descobri que o "último portal", filme de Roman Polanski que tem Johnny Deep no elenco também foi inspirado em uma história sua (no caso, "o clube dumas"). Curioso. Parece que o sujeito escreve mesmo com um olho na gorda bilheteria do cinema. A trama de "O quadro flamengo" é simples. Uma restauradora descobre uma frase escondida em um quadro de um pintor holandês que está a restaurar. A frase remete a um possível crime cometido antes mesmo do quadro ter sido pintado e implica em uma valorização do quadro, que está para ser leiloado. Alguns dos personagens que se envolvem com esta descoberta morrem e a trama passa para o ritmo totalmente detetivesco dos romances policiais. Há muita digressão sobre o jogo de xadrez e como este emula a vida. Acredito que uma pessoa que não goste ou não entenda as regras do xadrez não vai gostar muito deste livro (felizmente há muitos diagramas explicando o desenrolar do jogo e do enredo). A trama é prisoneira demais das regras do jogo. Confesso que fiquei entediado pois acho as metáforas sobre a vida e o xadrez esquemáticas e simplistas demais. Lembro sempre de uma frase do Millôr Fernandes: "o xadrez desenvolve a inteligência para se jogar xadrez". Talvez este meu aborrecimento possa ser explciado por eu ter abandonado o vício do xadrez já há anos e tudo parecer mesmo fácil demais no jogo e na descoberta do assassino. O final é ambíguo (um ponto a favor do livro, afinal). De qualquer forma o autor mostra neste livro que mesmo o assunto mais árido pode ser transformado em boa prosa na mão de um bom escritor. Para quem gosta de entretenimento rápido vale uma olhada. Quem sabe não me cai outro quase-roteiro deste curioso escritor na mão ainda neste ano?
"O quadro flamengo", Arturo Pérez-Reverte, tradução de Eduardo Brandão, editora Martins Fontes, 1a. edição (1994) brochura 14x21cm, 384 pág., ISBN: 85-335-031609

terça-feira, 6 de novembro de 2007

capa e espada

Eu já resenhei um outro livro do Pérez-Reverte aqui, o "Limpeza de Sangue". Foi erro meu pois aquele era o segundo volume das aventuras deste personagem, Diego Alatristre y Tenorio, que já ganhou até versão no cinema e faz parte da cultura espanhola contemporânea. Demorei para encontrar este volume. Quando o fiz dei sorte, pois li em uma longa sentada, durante minha viagem de ônibus para São Paulo. Não há muito o que dizer além do que escrevi na resenha anterior. É mesmo um livro bem escrito, um romance honesto e bem movimentado, uma curiosa mistura de história e ficção. Um dos personagens principais é o Conde-Duque de Olivares, que eu sempre lembro por conta do enorme quadro do Velásquez que o Museu de Arte de São Paulo tem em seu acervo. Aliás o livro é recheado de personagens históricos: O próprio Príncipe de Gales, o Duque de Buckingham, os dramaturgo Lope de Vega e Luís de Gongora, o poeta Francisco de Quevedo, o pintor Diego Velásquez, Felipe IV, etc e tal. Verifiquei nos meus guardados e de fato parece que o pai do Príncipe de Gales à época (Jaime I) tinha interesse em uma aproximação entre Inglaterra e Espanha naquele início do século XVII. Neste volume ficamos sabendo sobre os motivos que levaram Diego Alatristre a acumular tantos inimigos ao longo da vida (bem como sua forma de conseguir a admiração de personagens poderosos que por fim discretamente o ajudam). O narrador é o mesmo Íñigo Balboa, um curioso basco, que também tem antepassados Galegos. Vários dos personagens estão lá no segundo volume esperando sua deixa. O suspense é mantido até o final. Aliás há uma certa ironia nas páginas finais, pois não podemos deixar de associar a honesta pesquisa histórica que se depreende do romance aos atuais desafios da sociedade espanhola. Uma das mágicas da literatura é não haver estilo e tema que não possam ser utilizados para se contar uma boa história e encantar o leitor. Belo livro.
"O Capitão Alatristre", Arturo Pérez-Reverte, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman, editora Companhia das Letras, 1a. edição (2006) ISBN: 978-85-359-0776-9

domingo, 9 de setembro de 2007

inquisição

Conhecia o Pérez-Reverte de ouvir falar, principalmente de um livro chamado "A carta esférica". Isto já faz alguns anos. Depois vi um filme na televisão baseado em um de seus livros de aventuras. Quando vi este "Limpeza de Sangue"na vitrine da livraria argumento resolvi experimentar. Vamos a ver do que se trata, pensei. Pois é um livro para se ler de uma sentada só. O enredo parece já ter sido escrito para ser um dia filmado, as imagens são fortes, a descrição da espanha seiscentista muito rica, as reflexões sobre a natureza da maldade nos homens algo mais que superficiais. De qualquer forma trata-se de um livro que já alcançou tiragens enormes no mundo inteiro. Este em particular é o segundo volume das aventuras do Capitão Alatriste (no cinema foi interpretado por Viggo Mortensen, um dos heróis membros da Sociedade do Anel, da série Senhor dos Anéis, para quem não sabe). Pois o Capitão Alatriste é o tipo do sujeito que a despeito de todas dificuldades salva o dia, a moçinha, mata o vilão bigodudo, graçeja com o cardeal gorducho, corteja a duquesa dos zanzóis. Um modelo de herói para filmes da sessão da tarde. Deixando o cinema de lado, voltemos ao livro. O livro em si deixa-se ler muitas dificuldades. É escrito retrospectivamente por um sujeito que em sua juventude deixou-se prender pelo Santo Ofício e foi torturado, escapando das chamas do auto-de-fé graças a engenhosidade do Capitão Alatriste e de seu lugar-tenente, ninguém menos que o poeta Francisco de Quevedo. Com isto não há climáx possível no livro pois sabemos que nem o narrador, nem o Capitão, nem seu amigo poeta sofreram dano algum, pois no tempo em que o narrador conta sua história já estão envolvidos em outros sucessos em outras terras (Flandres e Sicília, principalmente). Ficamos em suspense apenas no tocante a forma como o garoto será salvo das chamas e como os malvados de plantão serão punidos. De qualquer forma todo aquele interessado em história da Espanha tem neste curto livrinho uma fonte de inspiração para leituras mais consistentes e robustas. Mas do que isto não há muito o que esperar. Vou ainda experimentar o outro livro da série publicado no Brasil, mas não acho que seja muito diferente deste. Veremos.
"Limpeza de Sangue", Arturo Pérez-Reverte, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman, editora Companhia das Letras, 1a. edição (2007) ISBN: 978-85-359-1023-0