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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

giacomo joyce

"Giacomo Joyce" é um conjunto de dezesseis poemas em prosa (se é que se pode classificar tão facilmente assim essa jóia joyceana), sobre um enamoramento dele, experimentado em favor de uma aluna de seus tempos de Trieste, uma espécie de Beatrice Portinari revivida, entre 1911 e 1914. Deve ter sido escrita em 1914, mas só foi publicada postumamente, em 1968, por conta dos esforços do industrioso Richard Ellmann. Lembro-me da primeira vez que li esse texto, nos anos 1980, numa edição muito boa da Brasiliense. A tradução era do Paulo Leminski e a edição incluía fac-símiles das dezesseis páginas manuscritas originais. Anos depois a Iluminuras publicou uma outra tradução, assinada por José Antônio Arantes. Por um acaso dos diabos descobri esta terceira tradução. Nessa última feira do livro de Porto Alegre eis que vi Cida, querida amiga, conversamos um tanto, mas logo depois, qual um homem pernilongo (como aquele descrito por Thomas Mann no Tonio Kröger) serpenteando entre as gentes fui cumprimentar o Zeca, depois o Dilan, também o Rosp, e logo a Denise, o Élvio e o Romar, que foi quem por fim apresentou-me Majela Colares, um poeta nascido no Ceará (de quem ainda vou resenhar algo aqui). E foi o generoso Majela quem mostrou-me um livro do Joyce que eu não conhecia (...traduzido por um amigo meu, disse Majela). Os livros sabem mesmo usar caminhos tortuosos para procurar quem os ame. Essa nova tradução é assinada por Roberto Schmitt-Prym, um gaúcho de Pananbi que é fotógrafo experiente e que já havia traduzido de Joyce ao menos um dos contos do Dublinenses. A edição é bilíngue, da gaúcha Bestiário. Eles incluiram umas boas notas no final (o texto não é particularmente hermético, mas alguma ajuda com cousas cifradas sempre é bem vinda). Numa das orelhas do livro há uma pequena biografia de Joyce (que acho ruim, a única cousa mal feita no livro). "Giacomo Joyce" é para se ler com calma, saboreando as imagens, os sons, a concisão e os efeitos, além de tudo aquilo que não é dito, apenas inspirado pelo texto. Fiquei tão feliz em encontrar esse livro que o registrei aqui antes de tantos outros. Há livros que esperam estóicos um registro, uma memória, represados que estão por minhas viagens e vagabundagens. É tempo de trabalhar, e com mais afinco.
[início - fim: 03/11/2012] 
"Giacomo Joyce", James Joyce, tradução de Roberto Schmitt-Prym, Porto Alegre: editora Bestiário, 1a. edição (2012), brochura 14x21 cm, 47 págs. ISBN: 978-85-98802-04-6 [edição original: Giacomo Joyce (Londres: Faber and Faber) 1968]

terça-feira, 10 de julho de 2012

o gato e o diabo

Este é um ano particularmente importante para quem se interessa pela obra de James Joyce. Além dos noventa anos da edição original do Ulysses (1922) e dos cento e trinta anos da data de nascimento de James Joyce (1882), comemoramos também o fato auspicioso de toda a obra dele estar agora em domínio público, setenta anos após sua morte (1941). Os herdeiros de Joyce eram extremamente zelosos de sua obra e dificultavam seu uso direto ou adaptado em qualquer tipo de manifestação artística e/ou cultural. A realidade jurídica de não haver mais direitos de copyright sobre a obra de Joyce é uma espécie de libertação e está sendo celebrada com alegria em todo o mundo. Também no Brasil muita coisa foi publicada. Além da muito aguardada tradução de Caetano Galindo do Ulysses (Penguin / Companhia das Letras), estão também nas prateleiras a primeira tradução para o português de Stephen Hero (Hedra), feita por José Roberto O'Shea (que também republicou uma antiga tradução sua do Dublinenses, Hedra) e a totalidade dos ensaios estéticos e políticos de Joyce, traduzidos por Sérgio Medeiros e Dirce Waltrick do Amarante (De santos e sábios, Iluminuras). Mas o livro de Joyce desta safra comemorativa mais bonito de se ver ou ler é um livro infantil, "O gato e o diabo". Trata-se de uma carta que Joyce enviou a seu neto Stephen em 1936 e que foi transformada em um livro ilustrado pela primeira vez em 1964. Esta carta/livro infantil já havia sido publicada no Brasil em 1980 (traduzido por Antônio Houaiss e reproduzindo as ilustrações da edição francesa, de 1978, produzidas por Roger Blanchon). Esta nova edição tem o padrão de qualidade da Cosac Naify. A tradução é assinada por Lygia Bojunga, respeitada escritora, principalmente por sua dedicação à literatura infantil (ela já ganhou o prestigiado prêmio Hans Christian Andersen). As ilustrações sáo de Lelis (Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira), ilustrador e quadrinista mineiro. A história tem o frescor típico das coisas que os avós contam para entreter os netos. Mas claro, também o sarcasmo e erudição de Joyce estão ali, escondidos na narrativa. Este é o tipo de livro que faz leitores jovens e adultos passarem juntos bons momentos, de alegria e ilusão, como sempre deve ser. [início - fim 08/07/2012] 
"O gato e o diabo", James Joyce, tradução de Lygia Bojunga, ilustrações de Lelis, São Paulo: editora Cosac Naify, 1a. edição (2012), capa-dura 28,5x22 cm, 32 págs. ISBN: 978-85-7503-235-0 [edição original: The Cat and the Devil (Letters of James Joyce, edited by Stuart Gilbert) London: Faber and Faber, 1957]