terça-feira, 23 de abril de 2019

o ofício alheio

Cada livro de Primo Levi é um pequeno milagre. Só registrei dele aqui "A chave estrela", um notável livro de contos que se fundem em um romance. Todavia, quem já experimentou a potência dos relatos dele sobre os horrores dos campos de concentração nazistas ("A tabela periódica", "É isso um homem") ou de sua caminhada de volta para a Itália ("A trégua"), jamais o esquece. Um dia talvez eu deva voltar a meus guardados, reler estas joias, estas pedras preciosas de sua lavra. Neste "O ofício alheio" encontramos 51 ensaios, publicados originalmente em jornais italianos, entre 1964 e 1984. São textos notáveis, onde Levi fala dos livros que lê; dos autores que preza; de seu cotidiano, como sua tentativa de aprender uma língua nova; de questões filológicas, linguísticas; de sua vida como químico - ele já aposentado e vivendo sua metamorfose como escritor, respeitado e premiado; de curiosidades sobre a vida dos animais, das plantas e do comportamento dos homens; do sentido do humano e da religião; dos fragmentos de memória e de sua biografia, sempre em constante gestação. Os ensaios, que não são densos, antes bem humorados e leves, são escritos com maestria, num tom que deveria ser emulado por todo aquele que pretenda alcançar algum relevo neste ofício, que é o de comunicar ideias e sensações através da prosa. Vale! 
Registro #1387 (crônicas e ensaios #251) 
[início: 18/03/2019 - fim: 28/03/2019]
"O ofício alheio", Primo Levi, tradução de Silvia Massimini Felix, São Paulo: Editora UNESP, 1a. edição (2016), brochura 14x21 cm., 290 págs., ISBN: 978-85-393-0639-8 [edição original: L'autri mestiere, (Torino: Giulio Einaudi Editore) 1985]

segunda-feira, 22 de abril de 2019

o peso do pássaro morto

"O peso do pássaro morto" foi publicado em 2017. É o romance de estreia de Aline Bei e foi o vencedor do importante Prêmio São Paulo de Literatura em 2018, na categoria "Melhor romance de autor com menos de 40 anos". Trata-se de um romance de formação, um legítimo Bildungsroman, feminino, contemporâneo, caótico, um romance de formação torto, de uma protagonista sobre a qual pouco saberemos além daquilo que ela conta quase sempre em transe, que parece seguir o roteiro de uma lenta e decidida morte em vida, de depressão encarnada, com todos os azares, absurdos e pequenas tragédias típicas de vidas assim. Na verdade em todas as vidas há suficientes aborrecimentos para serem contados e parecerem ficção. Acompanhamos fragmentos desta vida, dos oito aos cinquenta e dois anos, escrito em prosa poética, sem muitas concessões ao leitor (jamais saberemos seu nome, onde os sucessos aconteceram, em que época e circunstâncias ela viveu). Os personagens com quem ela se relaciona o fazem episodicamente, sem o menor relevo, não têm a menor profundidade psicológica (cabe ao leitor associar a eles alguma cousa, após sabermos que ela gravita um mundo onde há um benzedor, uma amiga, uma mãe, um filho, um namorado, uma vizinha, etc e tal). De fato é um livro interessante, mas é escravo da forma. Claro, um primeiro romance, já premiado, pode tornar-se uma chave de acesso a novas experimentações e aventuras ou um fardo cruel (por vezes essas duas coisas simultaneamente). Vamos a ver o que saíra da lavra de Aline Bei no futuro. Vale! 
Registro #1386 (romance  #355) 
[início: 01/03/2018 - fim: 04/03/2019]
"O peso do pássaro morto", Aline Bei, São Paulo: Editora Nós, 5a. reimpressão (2018), brochura 14x18 cm., 168 págs., ISBN: 978-85-69020-23-3

domingo, 21 de abril de 2019

joan miró

Além de poeta, João Cabral de Melo Neto foi diplomata. Viveu longas temporadas na Inglaterra, França, Suiça e Espanha. A marcante influência dos anos espanhóis em sua poesia é notória. Um de seus primeiros encargos no exterior foi justamente em Barcelona, em 1947, onde conheceu e tornou-se amigo do artista plástico catalão Joan Miró. Em 1950 João Cabral publicou uma pequena edição de 130 exemplares onde sua admiração pela obra de Miró resta registrada. A edição incluía três gravuras originais. Pois este antigo ensaio de João Cabral em homenagem a Miró já havia sido reproduzido em outros livros, porém agora a editora carioca Verso Brasil nos oferece um volume com algo próximo daquele projeto original de Cabral e Miró. Esta edição ficou de fato bem bacana. Além de reproduções das gravuras originais de Miró o livro inclui um caderno de fotografias, que dão conta do processo de gravação das obras no atelier de Miró, um bom índice, e dois ensaios, um mais longo, assinado por Ricardo Souza de Carvalho e outro algo menor, assinado por Valéria Lamego, que é a organizadora da presente edição. O ensaio de João Cabral, dividido em três seções é técnico, produto de alguém que conhece bem estética e história da arte, mas também deixa transbordar um assombro pessoal, um confesso encantamento pelo trabalho do amigo. Livro que se deve ler com calma, talvez tendo algo de Miró por perto, talvez tendo à mão um generoso porròn. Vale! 
Registro #1385 (crônicas e ensaios #250) 
[início: 21/03/2019 - fim: 02/04/2019]
"Joan Miró", João Cabral de Melo Neto, organização de Valéria Lamego, Rio de Janeiro: Verso Brasil Editora, 1a. edição (2018), brochura 23x23 cm., 104 págs., ISBN: 978-85-62767-24-1 [edição original: (Barcelona: Edicions de l'Orc) 1950]

sábado, 20 de abril de 2019

izakaya

Nunca fui a um legítimo Izakaya, nem japonês, nem paulista, mas esse livro de Jo Takahashi permite algum sonho, alguma aventura visual, algum encantamento com o tema. "Izakaya: por dentro dos botecos japoneses" foi publicado em 2014. Fartamente ilustrado, com belas reproduções fotográficas assinadas por Takewaki Nio, o leitor é conduzido por Jo Takahashi ao mundo mágico dos botecos de inspiração japonesa que existem na cidade de São Paulo. O livro cita oito casas: Bohn, Bueno, Issa, Kabura, Tanuki, Kintarô, Kidoairaku e Mitsuyoshi (não estou certo quantas casas deste tipo devem existir hoje, mas em se tratando de São Paulo apostar em um número na casa das dezenas não seria errado). No livro há um tanto de história (Takahashi fala da origem japonesa dos izakaya e do saquê), um bocado de informações técnicas úteis a especialistas e a curiosos, e se fala das pessoas que trabalham nos botecos, não apenas os proprietários, mas também dos atendentes, cozinheiros, frequentadores, pessoas que conferem aos botecos um caráter distinto, especial. Claro, fala-se das delícias que usualmente são servidas neles; dos rituais de confraternização e degustação; do ambiente e utensílios típicos. Um bom glossário ajuda um neófito a entender melhor as particularidades dos iazakaya, contrastadas ao que se encontra em restaurantes japoneses ou orientais. Um leitor mais atrevido poderá tentar várias das receitas do livro. Uma pequena bibliografia e uns bons links (Hashitag, JoJoscope, Adega do Sake) completam o livro. Como já registrei aqui antes, esse é o terceiro dos livros sugeridos pelos adoráveis Derany e Laerte, os outros dois foram: "Sushi: sabor milenar", de Sérgio Neville Holzmann e "A cor do sabor", do mesmo Jo Takahashi que assina esse bom "Izakaya". Vale! 
Registro #1384 (gastronomia #37) 
[início: 20/10/2018 - fim: 12/04/2019]
"Izakaya: Por dentro dos botecos japoneses", Jo Takahashi, fotografias de Takewaki Nio, ilustrações de Mika Takahashi, São Paulo: Editora Melhoramentos (série "A arte culinária especial"), 1a. edição (2014), brochura 22,5x20,5 cm., 168 págs., ISBN: 978-85-06-07594-4

sexta-feira, 19 de abril de 2019

a arte do medo

Dilan Camargo é um escritor gaúcho respeitado e premiado que se dedica mesmo a divulgação de sua arte, sobretudo em escolas e bibliotecas públicas, ajudando a formar novas gerações de leitores. Ele já publicou muita coisa, mas dele só li e registrei aqui "O man e o brother", volume de contos que trata de questões afeitas ao público adolescente. No final do ano passado ele lançou "A arte do medo", um volume de poesias. São três seções: a que abre e dá nome ao livro, com 23 poemas; uma dita "O teatro da cachorra", com 32 e outra, final e curta, intitulada "A razão cínica", composta de 18 poemas numerados, como em lições, reflexões sobre um tema. Há uma unidade temática em todos os 75 poemas (além dos que citei acima há dois mais, um na página final e outro na contracapa, que funcionam como uma espécie de coda às três partes do livro). Dilan fala deste nosso mundo contemporâneo, duro, de contradições, incertezas, assombros, pequenas e grandes mazelas, delinquência e violência, tristezas individuais e coletivas. Na segunda seção (O teatro da cachorra) o poeta parece querer identificar ou dar voz às múltiplas facetas das gentes e coisas que vivem naquele duro mundo contemporâneo descrito na primeira seção. Na terceira seção Dilan explora o conceito de "razão cínica" engendrado pelo filósofo alemão Peter Sloterdijk e divulgado aqui, ainda nos anos 1980, pelo psicanalista brasileiro Jurandir Freire Costa, para quem o poema é dedicado. O livro tem um projeto gráfico que abusa de grafismos, ilustrações e tipografias, talvez pensando no apelo visual que esse tratamento poderá ter sobre um público leitor pouco habituado à leitura, notadamente poesia. Apesar de interessante achei o resultado final um tanto poluído demais. Acredito que os poemas sejam fortes o suficiente para prenderem a atenção do leitor, para oferecerem a ele temas de reflexão, cumplicidade. Cada um deles é um viático, um ensinamento sobre a arte de não ter medo da vida e das coisas. Vale! 
Registro #1383 (poesia #109) 
[início: 08/04/2019 - fim: 12/04/2019]
"A arte do medo", Dilan Camargo, ilustrações de Núbia Huff, Porto Alegre: Minha lei é ler, 1a. edição (2018), brochura 12x18 cm., 100 págs., ISBN: 978-85-54196-00-4

quinta-feira, 18 de abril de 2019

la guerra civil

Bem cedo na manhã de um domingo de janeiro, vagabundo e estival, tendo por perto uma taça de café ainda quente demais para ser devidamente apreciada, preparei-me para ler a costumeira crônica que Javier Marías publica no El País. Ele falava da releitura que tinha feito de "La guerra civil: Cómo pudo ocurrir?", pequeno ensaio de Julián Marías, seu pai, publicado originalmente em 1980. Leia aqui a Crônica de Marías, ele sabe sintetizar o livro de seu pai muito melhor do que eu jamais farei. Bueno. Mal terminei de ler e entrei ao site da Casa del Libro espanhola para encomendar um exemplar. Julián Marías foi um dos mais prestigiados filósofos espanhóis de seu tempo, especialista na obra de José Ortega y Gasset, e viveu de bem perto os sucessos da guerra civil. Não foi morto por puro acaso, pois esteve em celas de onde eram retirados aleatoriamente indivíduos para serem fuzilados várias vezes. A ditadura de Franco, que seguiu-se a guerra civil e durou até meados dos anos 1970, proibiu-o de dar aulas, expulsou-o da universidade e obrigou-o a uma vida de limitações, financeiras e intelectuais. Mas não é disto que trata este ensaio. Julián o escreve em 1980, mais de quarenta anos após o final da guerra, que durou de meados de 1937 a março de 1939. São reflexões de um sujeito que sabe ser um dos poucos sobreviventes daquela época distante, de um indivíduo que não é movido a paixões, não se auto-engana, não tergiversa. Em dez curtas seções ele tenta explicar o inexplicável da guerra, a irracionalidade da histeria coletiva que levou espanhóis àquela matança, a ruptura do país como nação. As fórmulas que sintetizam o livro talvez sejam essas: "Señor, qué exageración!", que foi sua primeira reação ao saber da eclosão da guerra (ele tinha apenas 22 anos) e  "Los justamente vencidos; los injustamente vencedores" (cunhada por ele apenas após a morte de Franco). Como sempre, com a exceção de uns poucos, não houve inocentes dentre os protagonistas do conflito. A ambição do ensaio é que ele sirva para evitar a repetição dos mesmo erros, a retomada de uma espiral de mentiras e falso patriotismo que levasse seu país a uma nova guerra civil. Ele afirma ser é necessário que cada indivíduo vença a guerra interior contra suas paixões, cure-se da loucura social, não abandone o exercício da liberdade, não perca o controle da razão e do sentido de destino democrático. Ele advierte, com razão, da “... necesidad de un pensamiento alerta, capaz de descubrir las manipulaciones, los sofismas, especialmente los que no consisten en un raciocinio falaz, sino en viciar todo raciocinio de antemano”. A guerra civil começou por conta de interpretações bastante erradas da realidade, de uma cegueira mental e coletiva. O livro incluí um excelente prólogo, assinado por Juan Pablo Fusi, que resume as circunstâncias da guerra civil. Li e reli esse pequeno ensaio várias vezes deste o início de fevereiro, quando o recebi. De uma certa maneira ele parece explicar e antecipar o mesmo tipo de loucura coletiva que vivemos neste desgraçado e irrecuperável Brasil, país condenado ao mais triste futuro e destino, onde uma guerra civil sem balas, sem bombardeios, sem fuzilamentos indiscriminados, mas igualmente letal e irresponsável, já graça por todos os cantos. Dá pena, mas não muita pena. Maldita gente má. Vale!
Registro #1382 (crônicas e ensaios  #249)
[início - fim: 02/02/2019]
"La guerra civil: cómo pudo ocurrir?", Julián Marías, Madrid: Fórcola Ediciones, 3a. edição (2017), brochura 11x16 cm., 88 págs., ISBN: 978-84-15174-38-7

quarta-feira, 17 de abril de 2019

the magic of handwriting

Há livros que compramos por prazer, pouco importa o que custam e a dificuldade de obtê-los. Tê-los ali ao alcance da mão é um conforto, faz à alma um grande bem, como já nos ensinou Walt Whitman. Sim, com este "The Magic of Handwriting" tive essa classe de alegria besta, pessoal, intransferível, pois tratava-se de um mimo que inventei de dar para mim mesmo como presente de aniversário (e cabe registrar que a eficiente Livraria da Travessa alcançou me entregar o livro justamente no dia certo). Bueno. Pedro Corrêa do Lago é um conhecido escritor e historiador brasileiro, trabalha sobretudo com história da arte e é também um colecionador de manuscritos. Recentemente a The Morgan Library and Museum, de Nova Iorque, nos Estados Unidos, organizou uma  exposição com aproximadamente 150 documentos de sua coleção, que contém manuscritos e documentos assinados por grandes personalidades que se destacaram em oito grandes áreas: arte, história, literatura, ciência, música, filosofia, explorações e entretenimento. Esses indivíduos nasceram e viveram nos últimos 9 séculos (a peça mais antiga da coleção data de 1153 e a mais recente de 2006). Esse volume editado pela Taschen reproduz um tanto da magia da exposição. As peças correspondem a cartas escritas à mão, fotografias, desenhos, partituras, documentos variados. Algumas ele recebeu de herança (ele é neto de Oswaldo Aranha), outras arrematou em leilões ou comprou diretamente ao longo dos últimos 50 anos. O volume não é composto apenas de reproduções dos documentos, encontramos quatro ensaios longos, assinados por Vik Muniz, Christine Nelson, Declan Kiely e pelo próprio Pedro Corrêa do Lago. Uma generosa lista de sugestões de leitura e um exaustivo índice completam o volume deste belo catálogo. Enfim. Algumas imagens dos manuscritos reunidos na exposição podem ser encontradas diretamente no site da Morgan Library: Clika aqui 1! ou num vídeo depositado no YouTube, onde Corrêa do Lago fala de sua coleção e da proposta da exposição. Vale a pena dar uma olhada: Clika aqui 2!  Já a expografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara, e o projeto de identidade visual da exposição, assinado pela ps.2 arquitetura + design pode ser apreciada no link: Clika aqui 3!. Bom divertimento. Vale!
Registro #1381 (catálogo #8) 
[início: 04/03/2019 - fim: 17/03/2019]
"The Magic of Handwriting", Pedro Corrêa do Lago, Berlin: Taschen Books, 1a. edição (2018), capa-dura 18x25 cm., 464 págs., ISBN: 978-38365-7438-9

terça-feira, 16 de abril de 2019

sertão japão

Xico Sá é um conhecido jornalista e escritor, que por vezes parece onipresente na mídia e redes sociais. Deve ser mesmo um sujeito inquieto. Esse pequeno livro reúne 72 haikai inspirados na presença de muitos nordestinos na cozinhas dos restaurantes do bairro da Liberdade, tradicional bairro paulista, identificado originalmente com a comunidade japonesa, mas hoje território franco, repleto de etnias dos quatro cantos do globo. Xico Sá confessadamente não é escravo da forma, da métrica convencional, aquela  que define que nos haikai sempre há três versos e não mais que dezessete sílabas, divididas em cinco sílabas no primeiro e no terceiro verso e sete no segundo. A edição é muito bonita, impressa em preto, branco e um ocre que lembra o quase deserto que é o sertão do título, alternando os haikai, ilustrações e gravuras. Os haikai flutuam, entre a Liberdade e nordeste, captam contrastes entre essas duas culturas tão distintas, que o olho do poeta quis fundir. Livrinho bacana, que se deixa ler em uma tarde regada a sakê ou cachaça. Vale!
Registro #1380 (poesia  #108) 
[início - fim: 16/03/2019]
"Sertão Japão", Xico Sá, xilogravuras de José Lourenço, ilustrações de Thais Ueda, São Paulo: Casa de Irene, 1a. edição (2018), brochura 11x16 cm., 88 págs., ISBN: 978-85-924566-0-3

segunda-feira, 15 de abril de 2019

o horla

Neste volume estão reunidas as três versões históricas de O Horlá, seminal conto fantástico, que tantas pessoas influenciou e inspirou, engendrado por um mestre do gênero, o francês Guy de Maupassant no final do século XIX. Lembro-me de ter lido ainda adolescente uma tradução deste conto, mas confesso que mal me lembrava dos sucessos da curta novela. A história é narrada na forma de um diário, que registra episodicamente um pouco mais de quatro meses da vida de um sujeito. Ele registra acontecimentos fantásticos que perturbam sua mente e o fazem progressivamente perder contato com a realidade. Ele reputa esses aborrecimentos a presença de um ser sobrenatural, o Horlá do título, que lentamente suga sua vida e sanidade. O livro inclui ainda sua versão primitiva, o conto "Carta de um louco", publicada em 1885, e também a versão publicada em 1886, substancialmente menor e algo menos aterradora. Esse livro faz parte de uma coleção de histórias curtas (A arte da novela, da Grua Livros, originalmente produzidas pela Melville House Publishing, das quais já li: "Mathilda","Michael Kohlhass", "A ilha de Falesá", "O homem que queria ser rei", "O homem que corrompeu Hadleyburg", "O colóquio dos cachorros", "Stempenyu: O romance judaico", "A lição do mestre", "A pedra de toque", "A briga dos dois Ivans", "O véu erguido" e "Benito Cereno"). Sim, haverá mais boas novelas da Grua por aqui. Vale!
Registro #1379 (novela #74) 
[início: 06/02/2019 - fim: 08/02/2019]
"O Horlá", Guy de Maupassant, tradução de Sergio Flaksman, São Paulo: Grua livros (Coleção a Arte da Novela), 1a. edição (2017), brochura 13x18 cm., 88 págs., ISBN: 978-85-61578-61-9 [edição original: Le Horla, (Paris: Paul Ollendorff) 1887]