quarta-feira, 20 de julho de 2011

figuraciones del yo en la narrativa

Este é um livro didático, onde se aprende um bocado sobre as técnicas narrativas e sobre os livros de dois grandes escritores espanhóis: Javier Marías e Enrique Vila-Matas. Seu autor, José María Pozuelo Yancos, é professor da Universidade de Múrcia, na quase sempre estival España. Em meados de 2009 ele organizou uma disciplina em um dos cursos de doutoramento da City University of New York (que mantém uma "cátedra", a Miguel Delibes, dedicada a estudos hispânicos). Esse livro, "Figuraciones del yo en la narrativa", é resultado das conferências proferidas neste curso. Como qualquer bom trabalho acadêmico o livro contém generosas notas de pé de página e referências detalhadas. O livro é dividido em três partes. A primeira ele dedica a precisar seu conceito de "figuração do eu narrador" e discutir, sobretudo, as diferenças entre livros autobiográficos e autoficcionais. Ele parte da poética de Aristóteles (dos conceitos de verossimilhança e necessidade na construção de representações da verdade na literatura) para alcançar o entendimento de como ambos mesclan ficção e ensaio em suas obras literárias mais poderosas. Para mim, não exatamente treinado com esta terminologia, foi a parte mais árida e difícil de acompanhar. As duas partes seguintes são dedicadas a analisar as obras de Marías (na verdade só o ciclo fundamental "Todas las almas", "Negra espalda del tiempo" e "Tu rostro mañana") e Vila-Matas (especificamente o conjunto "Historia abreviada de la literatura portátil", "Bartleby y compañia", "El mal de Montano", "París no se acaba nunca" e "Doctor Pasavento"). Um leitor familiarizado com Marías e Vila-Matas (sobretudo com estes livros, vários deles já resenhados aqui) acompanha os pontos de vista de Pozuelo Yancos sem muita dificuldade. Ele sabe ser convincente. Aprendemos que nos livros de ambos há sempre um jogo sutil entre a figura do autor, dos narradores e dos personagens. Somos lembrados que o leitor tem de se adestrar aos procedimentos utilizados pelos dois escritores em suas narrativas, para melhor fuir as maravilhas que ambos criam. Claro, um livro deste tipo não substitui o prazer de ler os originais, mas ajuda o leitor a entender os sistemas de referências, as paródias, as reiteradas citações, a metalinguagem e a história da construção do estilo de cada autor. Eu, mais simpático aos romances e livros de ensaios produzidos por Marías, fiquei curioso por entender melhor (e ler mais) os romances de Vila-Matas. Mas claro, cabeça dura como sou, sempre que tiver tino e tempo escolherei reler os livros de Javier Marías. [Cabe aqui uma nota curiosa: já pelo meio da leitura perdi este livro em um ônibus da viação Nossa Senhora das Dores, aqui de Santa Maria. Todavia, os anônimos cobrador e motorista do ônibus e os atendentes Pamela e Claudiomir, da gerência, fizeram o livro voltar rapidamente às minhas mãos. Sou muito grato a eles. Apesar do que sempre digo, o mundo não está exatamente podre e perdido.] Vale. [início 06/06/2011 - fim 20/07/2011]
"Figuraciones del yo en la narrativa: Javier Marías y E. Vila-Matas", José María Pozuelo Yancos, Castilla y León: editorial Universidad de Valladolid (Ensayos literarios, cátedra Miguel Delibes), 1a. edição (2010), capa-dura 13,5x22 cm, 231 págs. ISBN: 978-84-8448-542-1

3 comentários:

  1. Olá Aguinaldo. Participei este ano do Bloomsday, talvez lembre de mim. Bacana encontrar um blog teu com resenhas dos livros que leste. Achei curioso que, morando na mesma cidade, eu tenha descoberto o blog através do Xerxenesky. Acontece. Espero nos encontrarmos por aí, quem sabe no próximo Bloomsday? Sucesso!

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  2. Caro Amigo Aguinaldo

    Deste escritor espanhol já li, pelo menos, um belíssimo livro:

    TODAS AS ALMAS

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  3. Caro SEVE,
    bom saber que aí em Portugal também se lê com prazer don Javier Marías. Ele é um dos grandes, com certeza. Se gostastes de "Todas as almas" deves ler agora o "Teu rosto amanhã". É estupendo.
    Abraços.

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