quinta-feira, 23 de maio de 2013

fantasmas na biblioteca

Interrompi um tanto minha divertida leitura de "La vida y las opiniones del caballero Tristram Shandy", de Laurence Sterne (e traduzido por Javier Marías, um mimo a mais para os sentidos) para assim conseguir postar registros dos vários livros ligeiros que li neste atribulado mês. E há tanta coisa ainda acumulada, já lida e esperando seu devido momento de aparecer. Logo veremos. "Fantasmas na biblioteca" pertence aquela categoria de livros que estimula a vaidade dos bibliófilos, dos acumuladores de livros, dos amantes da leitura. Qual de nós não gostaria de exibir suas preciosidades, contar suas histórias de encontros com os livros? Lemos com o mesmo prazer que encontramos nos livros de Alberto Manguel (como "A biblioteca à noite"), Umberto Eco (antes o instigante "Não contem com o fim do livro" que o aborrecido "A memória vegetal") ou José Mindlin (como "O mundo dos livros"), todos herdeiros de Ricardo de Bury (o autor do seminal "Philobiblon"). Jacques Bonnet é um grande colecionador, sua biblioteca reúne mais de trinta mil volumes. Entretanto mesmo o mais modesto dos colecionadores facilmente reconhece como parecidos com seus os comentários de Bonnet. Ele fala das ramificações infinitas que nossas bibliotecas adquirem com o tempo; da surpresa com as mudanças em nosso gosto literário; das inofensivas porém caras patologias, como a de não suportar falhas em nossas coleções; das facilidades que a internet (e a miríade de sebos à disposição pelo mundo) trouxe aos bibliófilos; conta divertidos - e também trágicos - causos sobre o mundo dos livros; reflete sobre o passado e o futuro deles; descreve a legião de habitantes imateriais de sua grande biblioteca. É sim um bom livro, que será recebido com cúmplice alegria em meus guardados, acolhido como um confrade que é reconhecido por outro, mesmo de longe. Evoé!
[início: 16/05/2013 - fim: 20/05/2013]
"Fantasmas na bilioteca: A arte de viver entre livros", Jacques Bonnet, tradução de Jorge Coli, Rio de Janeiro: editora Civilização Brasileira (José Olympio), 1a. edição (2013), brochura 14x21 cm., 158 págs., ISBN: 978-85-200-1000-6 [edição original: Des Bibliothèques Plines de Fantômes (Paris: Éditions Denoël) 2008]

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