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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

de malas prontas

Assim como "Fazendo as malas", de 2008 e já resenhado aqui, este novo livro da Danuza Leão deixa-se ler em um par de horas de vagabundagem. Confesso que prefiro o primeiro volume, mais objetivo, mais alegre, mais espontâneo, sem dúvida muito melhor acabado. Mas a edição de livros é uma ocupação de profissionais e tanto o "publisher" da Companhia das letras quanto a autora não estão no negócio de rasgar dinheiro. O livro deve vender bem. Desta vez Danuza Leão descreve viagens a São Paulo, Buenos Aires, Berlin e Londres. Esperta, ela começa sendo bastante lisonjeira com São Paulo, o que já deve garantir boa recepção do livro por um terço dos seus potenciais leitores. O relato é tão entusiasmado que pode-se até acreditar que ela não conhecia mesmo a cidade. Ela tem um estilo muito próprio e faz comentários que talvez soassem obtusos se colocados no texto de outra pessoa. Em meio a questões mais factuais ela fornece dicas e regras de comportamento em viagens que são genuínas e realmente boas. O formato do livro não permite muita distração. Se o sujeito já conhece São Paulo a idéia e visitar Buenos Aires. Depois só resta voltar ao "circuito Elizabeth Arden" que Danuza Leão conhece tão bem, mas neste caso descrevendo cidades com as quais ela afirma ter menos familiaridade: Berlin e Londres (com direito a um dia em Paris, como não?). Os dias em Buenos Aires se dividem entre a cidade e o campo. Não fogem muito do que se pode escrever de uma bela cidade como Buenos Aires, mas com ela os passeios ganham um colorido particular. Os dias em Berlin são os que tomam a maior parte do livro. Ali ela flana e se comporta de fato como uma turista que explora uma cidade pela primeira vez e talvez por isto há muita informação factual e impressões ligeiras. Em Londres a história já é mais irreal, com direito a visitas à lojas e hotéis caríssimos, que tornam o texto mais artificial e frouxo. Não é mesmo fácil sustentar o frescor e o entusiasmo do livro anterior. De qualquer forma é nesta parte que li a frase mais espirituosa do livro: "Eu não tenho nada contra hotéis modestos, mas tem de haver algum charme nessa modéstia". O bom humor continua sendo a regra. As ilustrações de Filipe Jardim continuam boas e novamente inclui-se no livro um apêndice com endereços atualizados de hotéis, lojas, mercados, museus e restaurantes. [início 12/12/2009 - fim 31/12/2009]
"De malas prontas", Danuza Leão, editora Companhia das Letras, 1a. edição (2009), brochura 13x21cm, 207 págs. ISBN: 978-85-359-1587-7

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

fazendo as malas

Este livro da Danuza Leão deixa-se ler em um par de horas de vagabundagem. Soubesse eu antes do conteúdo o leria junto ao mar, longe de um computador ou de uma agência de viagens, pois a vontade de seguir sua sugestão e embarcar de pronto é mesmo grande. Ela descreve em um curto livro a gênese e a realização de uma viagem cara a suas memórias afetivas: Sevilha, Lisboa, Paris, Roma. Danuza Leão deve ter acumulado em sua vida mais horas deslocando-se de avião entre o Brasil e a Europa (mais milhagem como se diz hoje em dia) que a maioria das pessoas acumula efetivamente de férias em qualquer lugar do mundo, portanto não se trata de um roteiro de viagem de principiante. As dicas dela são honestas e viáveis para alguém que tenha dinheiro gordo à disposição para estas estravagâncias. Ela incluiu um apêndice com endereços atualizados de hotéis, lojas, mercados, museus e restaurantes das cidades por onde passou e que podem servir de referência, mas os endereços que realmente contam na viagem registrada por ela são os dos muitos amigos e amigas que a receberam e a ciceronearam nas adoráveis semanas de viagem. Quem de nós não apela para um amigo quando estamos a viajar. Mesmo o mais soturno dos independentes gosta de um sorriso amigo esperando-o nos saguões dos hotéis ou nas salas de espera dos aeroportos. Claro, mas esta lista particular cada um de nós é que deve produzir, sem contar com a generosidade alheia. O mote alegado para a viagem tem uma imprecisão, fazer o quê? Ela diz que teve a idéia de iniciar a viagem ao ver o filme "O sol também se levanta", um clássico com os atores Errol Flynn, Ava Gardner e Tyrone Power. Mas este filme se passa na Feria de Pamplona (Navarra) e não na Feria de Sevilla, que ela elege o início de seu periplo europeu. Paciência, os caminhos da memória são sempre insondáveis. É um livro irrelevante eu sei, beira ser pernóstico, mas é divertido, um bom registro de um punhado de experiências saudáveis, de quem sabe apreciar uma outra cultura, um outro povo. No fundo eu acho que cada um deveria fazer um registro deste tipo, mas deveria guardá-lo para si, ou para mostrar aos netos, nostálgico, em uma noite fria com os amigos e os parentes. A vida é um sopro (como diz o Niemeyer) e lembrar dos momentos felizes é mesmo uma arte. No final ela nos lembra que hoje em dia é bom viajar com pouca bagagem e muito dinheiro, pois as aduanas mudaram mesmo de humor. [início - fim 03/01/2009]
Fazendo as malas, Danuza Leão, editora Companhia das Letras (1a. edição) 2008, brochura 13x21, 136 págs. ISBN: 978-85-359-1343-9