sexta-feira, 5 de junho de 2009

a arte de recusar

Este é um livro de ficção, claro, mas não é exatamente um romance e acabei colocando-o na cesta dos livros epistolares, dos livros de cartas. O autor, um jovem canadense, inventou uma centena de cartas que imaginários editores poderiam mandar em resposta ao recebimento de originais de "escritores em busca do abrigo de uma editora". Todo aquele que já tentou cedo descobre que escrever é fácil, publicar é difícil. Há livros onde se analisa o mercado do livro, o mundo das editoras, das feiras literárias, dos grupos de estudo e de leitura, das sessões e das críticas literárias dos jornais com seriedade e precisão. Lembro sempre do "Livros demais", do Gabriel Zaid, ou ainda do "A construção do livro", do Emanuel Araújo. Não é este o caso deste "A arte de recusar um original", de Camilien Roy. Talvez por experiência própria ele usa o deboche e o bom humor para demonstrar que é fácil ser achincalhado por um editor invisível que em geral se esconde atrás do nome vistoso de um editora. Por vezes teu livro não interessa comercialmente (pois as editoras são sobretudo comerciais) por ser experimental demais, noutras por ser passivo demais, noutras ainda por ser muito parecido com o que está na moda, e por aí vai. As cartas são sempre engraçadas, apesar da violência verbal que observamos na maioria delas. Alguém com pretensões sérias em ser publicado certamente ganha algo lendo este livro. É fácil cairmos no auto-engano de se apaixonar pelo que escrevemos e somente ver nos textos valor, verdade e beleza. Uma boa gaveta e o tempo costumam ser bons conselheiros, pois deve-se esquecer o que produzimos por paixão e desbastarmos sem dó os originais já envelhecidos, até transformá-los em algo digno de ser impresso. Esta deveria ser a sabedoria prática à qual nossa experiência imagina conduzir-nos, mas em geral somos vaidosos demais para não gostar de ver nosso nome destacado em um feixe de laudas. Muito humano tudo isto. Divertido e cruel este livro. [início 10/05/2009 - fim 12/05/2009]
"A arte de recusar um original", Camilien Roy, tradução de Pedro Afonso Vasquez, editora Rocco (1a. edição) 2009 brochura 12,5x20, 142 págs. ISBN: 978-85-325-2400-3

quinta-feira, 4 de junho de 2009

travesía del horizonte

"Travesía del horizonte" é o segundo romance escrito e publicado por Javier Marías. Curioso este madrilleño. No romance de estréia ele ambienta suas histórias nos estados unidos. Neste ele emula e/ou faz homenagem as histórias de navegação e aventuras, misturando também algo de histórias de detetive, de fantasmas e de suspense. Há um humor sutil em todo o livro, como se ele estivesse se divertindo com a posível recepção que o leitor tem dos seus escritos. O início da história nos remete a um manuscrito incompleto, de que só se tem uma cópia, que por sua vez foi transcrita e/ou ouvida por um personagem obscuro (intricado mas aceitável). Durante toda a trama do livro estamos basicamente no salão de festas de um arisocrata inglês do final do século XIX, mas o que se conta (se lê no livro) são as aventuras decorrentes de uma expedição organizada para alcançar o polo norte, mas que acontece só em sua parte inicial (uma longa e penosa travessia do mar mediterrâneo). A expedição tem algo de singular, pois além de pesquisadores, cientistas e aventureiros há no navio homens de letras, cantores, dramaturgos, pintores e outros artistas. O clima mágico e surpreendente da viagem lembra um tanto o "E la nave va", de Felini. O organizador da expedição tem um passado condenável que vamos aos poucos desvendando. Bem ao estilo de um Henry James ou de um Joseph Conrad ele usa um truque no final para dar fechamento verossímel a história toda. Divertido este pequeno livro. Se não é exatamente um livro fundamental, ao menos serve para que um eventual leitor acompanhe a maestria do jovem Marías, pois é mesmo incrível como este sujeito consegue inventar boas histórias. [início 11/05/2009 - fim 12/05/2009]
"Travesía del horizonte", Javier Marías, editorial Punto de lectura (1a. edição) 2001 brochura 11x17, 283 págs. ISBN: 84-663-0310-3

quarta-feira, 3 de junho de 2009

los dominios del lobo

"Los dominios del lobo" é o primeiro romance escrito por Javier Marías. Foi publicado em 1971, quando ele era pouco mais que um adolescente e é um livro curioso de se ler, ou melhor dizendo, divertidíssimo de se ler. Cada capítulo conta uma história que pode ser lida como um conto independente dos demais. Todavia todas tem como ambientação os Estados Unidos e se passam no período que vai da guerra civil americana, em meados do século XIX, à grande depressão americana, no início dos anos 1930. Muitas das histórias incluem os mesmos personagens, mas em contextos diferentes, sem preocupação em contar uma saga. Talvez o autor esteja querendo apenas apresentar comportamentos e formas de reagir à situações, quase sempre ou trágicas ao extremo ou cômicas em um outro extremo. Em uma nota do próprio Marías incluída nesta edição ele diz abertamente que todas as ideías das histórias foram mais ou menos emprestadas, recortadas, rearranjadas ou inspiradas pelos muitos filmes produzidos nos EUA que ele assistiu em uma temporada vivida em Paris, que foi planejada para que ele ficasse perto das cinematecas francesas que programavam cinema americano dos anos 1930, 1940 e 1950 como um exercício estético (critérios estéticos da Nouvelle vague e dos Cahiers du Cinéma). No ínicio os capítulos parecem mesmo um pastiche, uma caricatura, mas aos poucos vamos percebendo a jovem maestria deste jovem Marías (como cunhou Juan Benet). São tantos os personagens, tantas as situações, tantos os clichês, que entramos aos poucos no mundo inventado por ele e acabamos por nos encantar. O bom contador de histórias que descobri ao ler seus livros mais recentes está sim escondido neste divertido livro de estréia. [início 27/04/2009 - fim 09/05/2009]
"Los dominios del lobo", Javier Marías, ediciones Debolsillo (1a. edição) 2007, brochura 13x19, 267 págs. ISBN: 978-84-8346-223-2

terça-feira, 2 de junho de 2009

barcelona petit

Comprei este livro por dois reais, isto mesmo, na Feira do livro de Santa Maria deste ano. O livro é um guia de viagens, com indicações sobre hotéis, restaurantes, pontos turísticos e toda a miríade de informações que um viajante precisa para se localizar. Mas ele não serve mais como guia de viagens. Acontece que ele foi publicado em 1992, às vésperas dos jogos olímpicos que aconteceram em Barcelona naquele ano, e acredito ter sido uma forma de apresentar a cidade, algo como introduzir Barcelona para o público brasileiro. Naquela época a cidade ainda não fazia parte do circuito de turismo de massa que observamos hoje. Sempre teve, claro, como poderia ser diferente, o charme de um lugar para onde apenas iniciados se deslocavam e somente uns afortunados faziam ali amizades e descobriam lentamente suas belezas. O autor, Francesc Petit, é o mítico catalão que adotou São Paulo para viver e que criou a mítica DPZ no final dos anos 1960 com seus colegas Roberto Duailibi e José Zaragoza. Para boa parte dos profissionais da área, parte do sucesso alcançado pelos escritórios de publicidade brasileiros hoje em dia deve-se ao papel representado pela DPZ, como escola e celeiro de grandes publicitários. Pois Petit publicou este pequeno guia e à época deve ter sido mesmo um belo presente para se dar a um amigo em viagem. Infelizmente a maior parte dos endereços, nomes, restaurantes, telefones não existem mais, não podem ser utilizados como referência. Mas a prosa leve e sofisticada de Petit dá a este pequeno livro um valor que transcende esta desatualização. Há belas ilustrações no livro (que acredito serem todas dele mesmo, bom de traço). A apresentação é feita por Pasqual Maragall, um importante político catalão, que governou Barcelona por muitos anos. Bom de se ler e tentar lembrar dos passeios pela "velha feiticeira" uma vez mais. [início 04/05/2009 - fim 07/05/2009]
"Barcelona. Petit de guia", Francesc Petit, editora Nova Fronteira (1a. edição) 1992, brochura 11x15, 185 págs., sem ISBN

segunda-feira, 1 de junho de 2009

poemórias

Neste pequeno livro Humberto Zanatta recolheu do baú de guardados de Antonio Isaia uma série de ilustrações que têm as ruas e o casario antigo de Santa Maria como tema. Elas foram produzidas usando a técnica de bico-de-pena, a partir de fotos originais dele mesmo ou de terceiros (estas últimas feitas ainda mesmo no início do século passado). Elas já haviam sido publicadas nos jornais da cidade em uma coluna que Isaia manteve por muitos anos, onde contava um tanto da história da cidade. As ilustrações vêm acompanhadas de descrições bem detalhadas do local e da época em que foram feitas e formam um belo registro do passado da cidade. À elas Zanatta, dono de vasta obra literária e musica (não por acaso patrono da recente edição da Feira do livro de Santa Maria), escreveu pequenos versos que cantam a cidade e os traços das ilustrações. São versos curtos, mas cheios de encantamento, que levam o leitor a pensar um tanto no ritmo da vida, no contínuo passar do tempo e, como não, nas mudanças radicais que ele sempre provoca. Temos assim três camadas de tempo, três técnicas de expressão (fotografia, ilustração, poesia), três olhares sobre a cidade. Curiosa mistura esta. Por fim cabe dizer que é um livrinho muito bem editado, gostoso de manusear e ler (tem a mão do Byrata nele, outro homenageado pela feira neste ano). Boa leitura. [início 05/05/2009 - fim 06/05/2009]
"Poemórias", Humberto Gabbi Zanatta, Antonio Isaia, editora Rio das Letras (1a. edição) 2009, brochura 23x15, 67 págs., sem ISBN

quinta-feira, 28 de maio de 2009

o gol iluminado

No Rio Grande do Sul futebol é levado a sério, você não pode simplesmente ter um time e eventualmente torcer por ele, você deve manifestar seu encantamento sempre que possível e preferencialmente em voz alta. Metade dos viventes destes pagos são gremistas, metade colorados. Os dois times estão entre os mais vitoriosos e são respeitados Brasil afora. Neste ano o Internacional comemora seu centenário, pois foi fundado no dia 04 de abril de 1909. Festas mil pintaram de vermelho as cidades do Rio Grande do Sul e aqui em Santa Maria não foi diferente. Um grupo de colorados cá da cidade lançou um livro de crônicas futebolísticas neste dia de centenário. Não estive lá, santista que sou, mas soube que foi um dia especial. O Athos foi o grande capitão desta empreitada. Lembro-me bem dele perguntar-me mais de um ano atrás se fulano ou beltrano que moram no meu prédio eram colorados, pois gostaria de convidá-los para um "projeto", como ele gosta de dizer. De fato Athos descobriu esta veia de empreendedor literário, um motivador/quase editor de projetos e os livros tem saído cada vez mais bem acabados, mais bonitos e com o conteúdo mais bem trabalhado também. Ele convidou seis colorados da gema, de diferentes gerações e profissões. Cada um contribuiu com oito ou dez crônicas sempre focadas no futebol e nas passagens míticas nas quais se envolveu o Internacional nestes cem anos. Cada um deles (Athos, Zanatta, Zé Mauro, Maiquel, Tex, Pedro, Tânia) tem um estilo pessoal e uma forma específica de se expressar, mas encontramos em todos a paixão, o encantamento, o prazer de torcer, típicos de quem leva mesmo o futebol a sério. São histórias boas de se ler, embora eu perca um ou outro detalhe besta. A capa é do Elias Monteiro, muito boa por sinal. O título do livro, "O gol iluminado", é homenagem a um certo gol que eu mesmo nunca vi, o gol da vitória contra o Cruzeiro na decisão do campeonato brasileiro de 1975, feito por um outro Elias, o Figueroa. Antes que um gremista me aborreça prometo que vou ler algo sobre o grêmio e resenhar aqui (não é bom se envolver em brigas com estes irredutíveis gauleses, digo, gaúchos, seja de que time for). Bom divertimento. [início 04/04/2009 - fim 05/05/2009]
"O gol iluminado", Athos Ronaldo Miralha da Cunha, Humberto Gabbi Zanatta, José Mauro Batista, Maiquel Rosauro, Odemir Tex Junior, Pedro Brum Santos, Tânia Lopes, editora Manuzio (1a. edição) 2009, brochura 14x21, 144 págs. ISBN: 978-85-7782-061-0

quarta-feira, 27 de maio de 2009

cotidiano crônico

Diomar Konrad é um jornalista que eu gosto de ler. Ele costuma dizer que gosta de provocar, de incomodar, de tirar os amigos e inimigos do sério. E ele também gosta de não ser levado muito a sério. Nas suas crônicas a ironia é mais que uma figura de linguagem ou retórica, mas sim a própria razão de ser do texto. Mas Diomar não é escravo de um estilo só. Ele sabe ser convincente e bom de se ler mesmo nos textos menos irônicos (o que talvez seja um bom exemplo de excelência invulgar). Atualmente ele escreve crônicas para um jornal da cidade. São crônicas curtas, ocupam um terço de uma página tamanho tablóide, e que precisam ser mesmo concisas, mas boas o suficiente para já ganhar a atenção do leitor no primeiro parágrafo. Neste "Cotidiano crônico" ele selecionou pouco menos de quarenta delas produzidas nos últimos seis, sete anos. Algumas sobrevivem melhor no formato livro do que outras, que perdem um tanto do frescor que tinham quando as encontramos no jornal pela primeira vez. O livro se defende sozinho, garante boa diversão e bom material para reflexão. Gosto particularmente das crônicas onde ele mostra as contradições e as bizarrices no amor e no sexo, bem como naquelas onde ele faz resenhas críticas dos maus hábitos e auto-enganos das pessoas. O livro é uma produção quase artesanal dele mesmo, por conta disto o resultado é um tanto irregular. Talvez o livro faça por merecer o olhar e o acolhimento de um editor generoso. É dura esta vida de cronista! Parabéns Diomar, mas não vou deixar de registrar aqui que eu mesmo prefiro algo mais forte, algo como um bom e definitivo sarcasmo (pois o atual quadro político, social e econômico do Brasil é para mim medíocre demais, vulgar demais, estúpido demais, para que apenas a ironia nos conforte). [início 02/05/2009 - fim 05/05/2009]
"Cotidiano crônico", Diomar Konrad, editora Manuzio (1a. edição) 2009, brochura 14,5x21, 120 págs. sem ISBN

quinta-feira, 21 de maio de 2009

menina que brincava

Como havia gostado muito do primeiro volume da trilogia Millennium de Stieg Larsson, não esperei muito para comprar e ler este segundo volume assim que ele foi publicado. Todavia este "A menina que brincava com fogo" não me agradou da mesma forma. Se no primeiro volume a falta de ambiguidade ajudava um tanto a entender os papéis representativos da complexa sociedade sueca, neste segundo o jogo do bem contra o mal é esquemático e repetitivo demais. O primeiro capítulo é apenas um prólogo dispensável, sem conexão algum com a história principal, um tanto ao estilo dos filmes de espionagem, onde algo com muita movimentação e violência antecede a entrada dos créditos iniciais. Há também longos capítulos que servem apenas para prolongar um clímax que nunca chega e retardar o fato do leitor já estar certo de saber que a mocinha vai se safar, que a verdade virá a tona, que os maus e perversos serão desmascarados. Os personagens principais, a jovem hacker e o astuto jornalista, continuam os mesmos que deixamos ao terminar o volume anterior, apesar de terem se envolvido emocionalmente e se separado abruptamente. As coincidências e acasos abundam pelo livro, sem eles nenhuma ação poderia se desenvolver adequadamente. Um novo personagem, misterioso e com ligações políticas no alto escalão do governo, domina o livro todo, até aparecer como um demônio encarnado nos capítulos finais. Não há remissão para o sujeito. Muito do passado da jovem heroína do livro é agora explicado e justificado, mas ela não ganha muito em profundidade psicológica, como se esperaria de um personagem forte. O final da história acontece rápido demais, como se o autor estivesse cansado dos tantos desvios que fez para chegar aquele ponto. Há coisas que são irritantes: acreditar que uma mocinha possa se livrar de dois fortes motociclistas suecos, uns marginais que são típicos vikings modernos, apenas usando o fator surpresa, é mesmo inverossímel demais. Há uns erros de tradução meio bobos acho eu. A menina vai comprar bebidas em um "monopólio dos espirituosos", que eu acho ser uma tradução ruim para um trivial "loja de bebidas" e várias vezes a heroína faz menção a uma "bomba de gás lacrimogênio" que possui, mas eu acredito que se trata de um simples e funcional "spray de pimenta". Como eu não sei sueco (e a tradução foi feita a partir de uma versão francesa) jamais saberei se estou certo. Paciência. Vamos a ver como Stieg Larsson termina a trilogia. Se o mundo inventado por ele for mesmo esquemático como eu imagino devemos no terceiro volume ser apresentados a história pregressa do herói jornalista e seus sucessos. Veremos. [início 19/04/2009 - fim 04/05/2009]
"A menina que brincava com fogo - Millennium 2", Stieg Larsson, tradução de Dorothée de Bruchard, editora Companhia das Letras (1a. edição) 2009, brochura 16x23, 607 págs. ISBN: 978-85-359-1422-1

segunda-feira, 18 de maio de 2009

a frase do doutor

"A frase do doutor Raimundo" é um livro curioso, pois nos contos todos os quatro autores contribuem com uma pequena parte. O livro é curto, pouco menos de cem páginas. Cada um dos autores começa e termina ao menos dois contos (o número de combinações possíveis é vinte e quatro, mas eles se contentaram em produzir dez). Um destes contos coletivos, "Relíquias de um tempo remoto", ganhou o primeiro lugar de um concurso literário em Bento Gonçalves no ano passado. Talvez motivados pela boa recepção eles decidiram produzir outros e encontraram o porto seguro de um editor, que os acolheu e publicou. O livro ficou bonito (apesar do Athos não ter gostado da capa). Alguns dos contos envolvem soluções algo fantásticas, passagens oníricas, narrativas mágicas, mas há também vários onde o pano de fundo é a crua política brasileira dos anos da ditadura militar. Em outros encontramos o amor e o sexo envolvendo as pessoas, sem medo e sem temor. As coisas da vida no Rio Grande do Sul, notadamente a geografia e a história de Santa Maria, estão sempre presentes. Algumas vezes as histórias caminham de um autor a outro sem que todas as possibilidades apresentadas se encaixem à perfeição, nem da melhor forma (a meu juízo) mas em vários dos contos observa-se um equilíbrio e ritmo bastante razoáveis, como se um único autor os tivesse produzido. Trata-se de um bom livro onde se aprende e se delicia um tanto da voz narrativa de cada um deles, indivíduos senhores do ofício solitário da escrita, mas também amigos que se divertem juntos com um brinquedo novo. [início 30/04/2009 - fim 03/05/2009]
"A frase do doutor Raimundo", Antônio Cândido de Azambuja Ribeiro, Athos Ronaldo Miralha da Cunha, Orlando Fonseca, Tânia Lopes, editora Movimento (1a. edição) 2009, brochura 14x21, 80 págs. ISBN: 978-85-7195-138-9