quarta-feira, 21 de maio de 2014

dicionário amoroso de curitiba

Como nos ensina o corretíssimo Ricardo Freire devemos sempre "viajar nas viagens". Pois semanas atrás estava eu em Curitiba numa missão acadêmica e eis que encontrei num jornal, durante o café da manhã, informações sobre o lançamento de "Dicionário amoroso de Curitiba" (as coincidências nunca são irrelevantes e Hegel estava certo quando disse que os jornais são a oração matinal do homem civilizado). Como os queridos don Caetano e doña Sandra andavam ariscos, envolvidos num compromisso sério, rumei sozinho para o local do lançamento do livro (a boa Livrarias Curitiba). A sessão de autógrafos propriamente dita aconteceu após um bate-papo entre autor, ilustrador e editor (respectivamente Marcio Renato dos Santos, Osvalter Urbinati e Rosel Soares). Marcio apresenta ao leitor 42 verbetes onde fala de cousas que ele acredita identificarem especialmente sua Curitiba. São antes reflexões descompromissadas que crônicas, antes invenções de um biógrafo generoso que história ou jornalismo, antes um registro contemporâneo dos dias da cidade que um flerte com sua mitologia. Marcio fala de pessoas (uma miríade delas, que esse leitor neófito pouco conhece: Guido Viaro, Karol Conká, Roberto Gomes e Jamil Snege, por exemplo) e de lugares (Passeio Público, Santa Felicidade, Torto Bar, Museu Oscar Niemeyer, Feira do Largo da Ordem), mas a maioria dos verbetes falam daquilo que é sempre imaterial porém define as cidades (os hábitos - fiéis camareiros; as experiências com o clima; o censo das tribos urbanas; os segredos quase inconfessáveis; a memória afetiva daquilo que jamais é factual). Osvalter Urbinati assina 11 boas ilustrações. Senti falta de um verbete com "X", mas isso é coisa de quem gosta de ordenar o mundo. Livro divertido, que se não é confessadamente um guia, serve para para que um curioso sobre as coisas de Curitiba possa imergir um tanto nela. Vale.
[início: 06/05/2014 - fim: 08/05/2014]
"Dicionário amoroso de Curitiba", Marcio Renato dos Santos, Anajé/Bahia: Editora Casarão do Verbo, 1a. edição (2014), brochura 15x23 cm., 165 págs., ISBN: 978-85-61878-36-8

Um comentário:

raviere disse...

Esse livro é parte de uma série com várias capitais brasileiras. Li grande parte do que sai esse mês sobre Salvador, de João Filho, e é excelente. Um livro de ensaios selvagens e hilários, especialmente para quem conhece a cidade. Vale ir atrás de todos.