quinta-feira, 5 de novembro de 2009

sanshiro

"Sanshiro" é um romance do mesmo autor de "Eu sou um gato" e "Kokoro" que já resenhei aqui. Gostei dos dois livros anteriores e gostei deste também. São temáticas e tratamentos distintos, mas o autor sabe contar sua história e ensinar algo ao leitor. É incrível com um bom romance sobrevive ao tempo (Sanshiro foi publicado em 1908). Esta leitura deu-me um prazer adicional, pois ganhei o livro de presente de Helga catalana, senhora das livrarias e espaços culturais barceloneses. Foi mesmo um grande presente. A história que se conta é curiosa: um rapaz sai da província e chega a capital Tóquio para estudar na universidade. O mundo cosmopolita e sofisticado da cidade grande enfumaça a percepção que este rapaz tem das experiências pelas quais passa. Um sujeito da mesma cidade do narrador estuda ciências (física especificamente) e tem um relacionamento com a cidade e com a universidade que é mais pragmático e objetivo que aquele escolhido pelo narrador. Os outros interlocutores importantes do narrador são um colega dispersivo e algo inconsequente (que lembra o Bloch de Proust); um pintor de relativo sucesso (que lembra o Elstir de Proust); um tolo professor de univesidade (que lembra o Cottard de Proust); uma moça (por quem se apaixona a primeira vista, claro, e que lembra a Gilberte de Proust); uma outra moça (que ajuda e com quem tenta estabelecer uma relação de amizade, que lembra a Albertine de Proust). É um romance que descreve como um sujeito aprende a decodificar o mundo, ou seja, aprende a interagir com as sutilezas do comportamento humano e se conhecer propriamente falando. As muitas confusões e situações nas quais o narrador se envolve são típicas de quem está tentando conhecer o mundo real a seu redor, sem as máscaras da ignorância e/ou do preconceito. Incrível como neste romance, anterior ao poderoso Proust que domina minhas melhores lembranças literárias, Soseki consegue construir personagens verossímeis e ao mesmo tempo tão atuais. Talvez eu exagere um tanto nos paralelos entre este livro e aqueles do ciclo "Em busca do tempo perdido", mas trata-se de um romance que não deixará nenhum leitor indiferente. Belo presente este de doña Helga. Vamos a ver se leio agora "Botchan", romance que deu fama perene a Soseki. Veremos. [início 18/09/2009 - fim 06/10/2009]
"Sanshiro", Natsume Soseki, tradução de Yoshino Ogata, Editorial Impedimenta (1a. edição) 1999, brochura 13x20, 330 págs., ISBN: 978-84-937110-0-9

terça-feira, 3 de novembro de 2009

el paraíso está aquí al lado

"El paraíso está aquí al lado" é o primeiro livro de Cees Nooteboom, publicado quando ele tinha vinte e um, vinte e dois anos, em 1955. O título original é Philip en de anderen, algo como Philip e os outros. É um conto de fadas, uma história onde se conta uma viagem de iniciação de um jovem, por cidades européias muito distintas entre si (cidades da Itália, da França, da Holanda e da Escandinávia), viagem onde ele mantem contato com pessoas muito diferentes e tem experiências marcantes. Não é um livro muito fácil de ler. Há muitas camadas de histórias que se superpõe e por vezes é difícil descobrir quem é mesmo o narrador ou de quem ele fala. Os temas que Nooteboom irá utilizar ou ao menos citar em seus trabalhos posteriores estão neste livro: as estradas, os caroneiros e os caminhões, os mosteiros e os monges, o circo e os mágicos, a mitologia grego-romana e a fantasia, as cidades e a paisagem, as mulheres e a necessidade de viajar para entender a si próprio. O livro começa e termina com visitas a um tio iconoclasta e sofisticado. No primeiro encontro o jovem narrador tem seis anos e aprende a aceitar as convenções do tio. No último o narrador, já mais rebelde, pensa mais em si que nas regras da boa educação ou da hipocrisia. Nesta edição espanhola que li (da Galaxia Gutenberg, belíssima cabe dizer) há um epílogo escrito por Nooteboom em 1999, onde ele comenta a recepção favorável que este livro teve por uma geração ou mais de contemporâneos e filhos de contemporâneos seus. É um texto curto, duas ou três páginas, mas muito poético. Ele lembra o leitor que a passagem do tempo não é isenta de perigos e que nossas sucessivas encarnações ao longo da vida tornam os jovens que fomos por vezes extranhos demais para que com eles privássemos de alguma intimidade ou mesmo alguma lembrança favorável. Cees Nooteboom sabe mesmo contar uma história. [início 20/08/2009 - fim 28/09/2009]
"El paraíso está aquí al lado", Cees Nooteboom, tradução de Isabel-Clara Lorda Vidal y Pedro Gómez Carrizo, Ediciones Galaxia Gutenberg (1a. edição) 1999, capa-dura 12,5x21, 190 págs., ISBN: 84-8109-251-7

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

penápolis

Máucio, como é conhecido o Mario Lúcio Rodrigues, é um sujeito de muitos talentos e vez ou outra nos surpreende com um empreendimento curioso. Sua última sacada interessante é a publicação deste pequeno livro de cartuns onde as galinhas e os galos contam histórias. Alguns dos cartuns já haviam sido publicados na revista/fanzine "Garganta do diabo", outros foram produzidos para esta edição. Os personagens falam de variados temas próprios do cotidiano, com humor mais que ironia, com alegria mais que crítica. Não há como eu emular um dos cartuns aqui e esperar que você entenda a proposta, portanto, se você gosta de quadrinhos, charges e cartuns a sugestão é procurar um dos serviços de tele-entrega que o o Máucio inventou para fazer chegar o livro até a sua casa. Bom divertimento. [início 27/09/2009 - fim 27/09/2009]
"Penápolis: o mundo, segundo as galinhas", Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues, editora Manuzio (1a. edição) 2009, brochura 15x15, 60 págs., ISBN: 978-85-xxx-xxxx-x

sábado, 24 de outubro de 2009

lluvia roja

Cees Nooteboom é o tipo de sujeito que não me canso de recomendar. "Lluvia roja" foi publicado originalmente em 2007. Esta tradução espanhola que li foi publicada agora há pouco e está fresca como pão quente. A edição, muito bem cuidada, é de junho de 2009. Nooteboom colige três grupos de artigos curtos. São fragmentos de memórias, de experiências e fatos acontecidos com ele nos últimos quarenta, cinquenta anos, mas como bom ficcionista que é inclui textos algo mais inventivos, como em uma sinfonia: um prólogo, dois intermezzos e uma coda, muito boa mesmo, maravilhosa. Há também um poema, que fecha o livro e parece indicar um caminho para o leitor. Que sujeito! Boa parte dos textos falam de suas temporadas de verão em Menorca, a menor das ilhas Baleares espanholas. Ele descreve sua inserção em um canto afastado da ilha, como conheceu e fez amizades com os moradores, como aprendeu a respeitar o ritmo e as transformações do lugar. Ao mesmo tempo ele fala de suas viagens pelo mundo, da aventura de conhecer línguas novas e modos de pensar diferentes; fala também de seus companheiros de viagens e de trabalho, de sua admiração pelo teatro, pela culinária e a botânica; fala de suas leituras e dos escritores que o influenciaram; dos leitores que encontra e com quem conversa; da memória das coisas e das pessoas. Acho incrível como ele encontra poesia em assuntos tão distintos, por vezes tão áridos. Nooteboom descreve o ato de viajar sem glamurizá-lo, com sabedoria ele ensina ao leitor que o desejo de experimentar este estilo de vida, de ser nômade, deve respeitar nossa bússola interior, que afinal é a única que importa e é confiável. Quem tiver a sorte de viajar com este errante Nooteboom terá experiências incríveis. [início 20/09/2009 - fim 25/09/2009]
"Lluvia roja", Cees Nooteboom, tradução de Isabel-Clara Lorda Vidal, Ediciones Siruela - debolsillo (1a. edição) 2009, brochura 14x21,5, 205 págs., ISBN: 978-84-9841-258-1

domingo, 18 de outubro de 2009

pamplona

Quando lemos "O caminho de Swann" de Proust acompanhamos o narrador e sua família por dois passeios dominicais pelas vizinhanças da casa de campo em Combray. Um é o caminho de Swann propriamente, o outro o caminho de Guermantes. Em algum ponto após descrever um deles o narrador diz: "...je tourne une rue... mais... c’est dans mon coeur. - Dobro uma esquina..., mas dentro do meu coração." Estes desvios são sim sempre muito mais numerosos (e sempre mais poderosos) que aqueles que fazemos fisicamente em nossas vidas. Resolvi resenhar aqui o guia turístico da prefeitura de Pamplona em Navarra "Pamplona: guía breve", pois de uma certa maneira também lá fiz um desvio "dans mon coeur." Pamplona é uma cidade pequena para os padrões brasileiros (deve ter um pouco mais de 250.000 habitantes), mas causou-me um impressão muito boa (o que por si só já me preocupa um paranóico como eu). Tudo muito organizado, muito limpo, muito bonito. Pareceu-me que eles misturam bem o passado com coisas modernas, com facilidades modernas. Mas o que dizer de uma cidade onde se fica em "plan turístico" apenas dois ou três dias? O guía é muito bem produzido, com muitas fotografias e ilustrações, mas também com textos ricos onde os muitos aspectos relacionados à cidade são apresentados. com riqueza de detalhes Claro, um guía literário tem de incluir a história, falar dos lugares de interesse turístico, citar os monumentos importantes, os hotéis, os restaurantes. Mas neste guía os autores (não nominados, pois deve ter sido mesmo um trabalho coletivo de encomenda para a prefeitura da cidade) se preocupam também em incluir algo mais imaterial, registrar aqueles "desvios no coração" que todo aquele que viajando a esmo teve ao se aproximar de algo que não havia programado, a algo que se torna de pronto uma experiência nova. Apesar de ter sido convidado por Cristina há quinze anos para visitar Pamplona só agora tive a chance de conhecê-la. Assim, só por ser um cabotino contumaz é que registro aqui a vontade de um dia voltar as terras altas de Navarra, de cruzar uma vez mais o casco histórico, perder-me pela ciudadela, ver melhor o café Iruña - que me lembrou um filme com o Tyrone Power, passear pelos parques e os jardins, disfrutando tudo com calma, sem medo e sem temor. [início 06/08/2009 - fim 26/09/2009]
"Pamplona: guía breve", editorial Ayuntamiento de Pamplona (3a. edição) 2009, brochura 12.5x24cm, 88 págs., ISBN: 978-84-89590-83-4

terça-feira, 13 de outubro de 2009

la música del hambre

Comprei este "La música del hambre" em um sebo barcelonês, onde uma senhora e seu neto conversavam amigavelmente, mas quase aos berros, enquanto eu fazia o censo dos livros e decidia o que comprar. Le Clézio havia acabado de publicar este livro na França quando recebeu a notícia de que tinha ganho o prêmio Nobel do ano passado. Esta tradução espanhola foi publicada no início deste ano. O livro é quase um conto de fadas, uma história de reminiscências da segunda grande guerra, mas com o tratamento que a memória dá aos sucessos e venturas de um passado distante. Ao longo do livro há algumas menções a teoria musical e no fim parece que o autor gostaria que terminássemos de ler o livro ouvindo o Bolero de Ravel. Cabe lembrar que Bolero é aquela peça musical composta para um balé onde a melodia uniforme é produzida pela repetição de um número pequeno de compassos, alcançando um final vibrante. A história gira em torno de um núcleo familiar de emigrantes mauricianos (daí valer a pena a meu juízo ler-se antes "O Africano" e "A Quarentena", dois outros livros dele onde se explica um tanto a história deste grupo de pessoas). A personagem principal é Ethel Brun (ou Soliman), uma jovem que acompanha a decadência financeira de sua familia e a vertigem associada a forma degradante como a França caiu sob a dominação alemã na segunda grande guerra, ou seja, de como o cerco alemão se fecha não militarmente, mas antes abstratamente no coração da população, instigando divisões, gerando segregacionismo, em um processo de lento convencimento e dominação, como se o mal não pudesse ser evitado. Ethel é filha única de um casal de emigrantes da Ilha Maurício. Através dela ficamos sabendo um tanto da sociedade parisiense dos anos 1920, 1930. Aos poucos os temas fúteis e pretensamente intelectuais dos salões mantidos pelos membros de sua família são contaminados pelo um nome novo, progressivamente dominante, Hitler. Le Clezio mais do que analisar ou justificar o comportamento dos personagens ou mesmo de querer detalhar passagens da história da segunda grande guerra, retrata os movimentos de um grupo pequeno de pessoas, deste núcleo familiar que está condenado a sucumbir nas mãos dos nazistas. Uma história familiar é sempre mais rica que a história das nações. Se é que eu conheço a história de Le Clezio, Ethel é uma personagem que representa sua mãe, uma de suas avós ou outro alguém muito próximo dele, que também teve de fugir dos nazistas durante a ocupação da França, que também passou por dificuldades mil, que também teve seu passado material destruído e seu futuro imediato envolvido no mar de incertezas de um grande conflito. É um bom livro afinal de contas, um conto de fadas terrível - como sempre são os contos de fadas - mais ainda assim um bom livro. [início 24/08/2009 - fim 21/09/2009]
"La música del hambre", J.M.G. Le Clézio, Tusquets editores (1a. edição) 2009, brochura 14x21, 210 págs., ISBN: 978-84-8383-153-3

sábado, 10 de outubro de 2009

antichrista

Meses atrás indiquei alguns livros de Amélie Nothomb para doña Natália. Mas este em especial, "Antichrista", foi ela quem me indicou, ou melhor, apontou na estante, quando escolhíamos algo para comprar (ela estava dividida entre Camus e Keret - um israelense jovem, eu entre Juan Benet e o inevitável Nooteboom, mas estas são outras histórias). "Antichrista", originalmente publicado em 2003 é, como a maioria dos livros de Nothomb, curto e intenso. Seus livros são monotemáticos, ou melhor dizendo, sempre focam em um aspecto específico da psique humana. No caso deste ela descreve os conflitos da adolescência de uma menina. Blanche é uma jovem que acabou de entrar na universidade. É disciplinada e estudiosa, tem boas notas, mas também é tímida e introvertida, incapaz de se relacionar com os colegas. Rapidamente é seduzida por uma outra aluna, Christa, que é justo seu oposto. Vibrante, extrovertida, sempre cercada por colegas, homens e mulheres. Estabelece-se uma relação de dominação psicológica. Christa usa a fragilidade de Blanche para obter vantagens acadêmicas, financeiras e pessoais que depois descobrimos não serem necessárias materialmente falando. Como na fábula do sapo e do escorpião, o comportamento de Christa se explica por si só, por ser sua natureza dominar e envolver, mentir e seduzir. Blanche claro é cúmplice neste jogo. Deixar-se encantar, deixar seu espaço vital ser dominado, perder o apoio dos pais e dos professores parece ser um rito de passagem pelo qual ela alcança chegar a alguma maturidade. Talvez ainda mais alegoricamente Christa seja mesmo uma faceta dela mesma, que precisa ser emulada para que Blanche possa enfim crescer e se tornar independente. Porém, parece dizer o livro ao final, todas as vezes em que nos livramos de uma armadilha, de um jogo qualquer do ego, eis que nos percebemos em uma armadilha maior, em um jogo maior, mais sofisticado e complexo. A vida parece ser mesmo assim. [início 13/09/2009 - fim 20/09/2009]
"Antichrista", Amélie Nothomb, tradução de Sergi Pàmies, editorial anagrama (1a. edição) 2009, brochura 11.5x18cm, 130 págs., ISBN: 978-84-9711-086-0

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ano-novo de montalbano

Neste livro encontramos vinte contos curtos onde o personagem principal é um comissário de polícia italiano (na verdade siciliano) chamado Salvo Montalbano. Este nome é uma homenagem que o autor, Andrea Camilleri, fez no início dos anos 1990 a um amigo seu, o espanhol e também escritor de livros de suspense Manuel Vázquez Montalbán. A trama dos contos não foge do manual dos livros de detetive. Os casos são apresentados, o elenco de personagens coadjuvantes que gravitam em torno do comissário Montalbano contribuem aqui ou acolá com algum acerto, mas é sempre este último que encerra os casos mais complexos e mirabolantes. A ação sempre se dá nas proximidades da ficcional Vigàta, uma cidade costeira aparentada com a Porto Empedocle natal de Camilleri. Os contos são bem articulados, cerebrais, elaborados demais até, mas o final de cada trama é sempre sintético, abrupto mesmo, pois o autor não se preocupa muito em explicar aquilo que fica óbvio para o leitor com a leitura (coisa que em geral os escritores de livros de suspense não conseguem evitar). O elenco de personagens auxiliares é curioso, mas preciso ler mais livros deste sujeito para dizer se algum deles vale mesmo uma missa. Creio que minha cota de romances policiais já está maior do que deveria, mas ler livros deste tipo é sempre um divertimento, descansa o sujeito um tanto e não toma mesmo muito tempo. Aprendemos algo sobre o jeito de pensar dos italianos, sobre a política recente de lá. De qualquer forma vou experimentar os demais livros de Camilleri que já foram traduzidos por aqui sem pressa. Há ainda outras cousas para se ler neste ano, não há porque se açodar. Como um legítimo admirador dos livros de Manuel Vázquez Montalbán, acredito que ele deve ter ficado genuinamente feliz com a homenagem (mas Pepe Carvalho é melhor, claro!). [início 07/09/2009 - fim 18/09/2009]
"O ano-novo de Montalbano", Andrea Camilleri, tradução de Joana Angélica d´Ávilla Melo, editora Record (1a. edição) 2009, brochura 13,5x21, 285 págs., ISBN: 978-85-01-08399-9

terça-feira, 6 de outubro de 2009

inner workings

Trata-se de um risco calculado, mas há escritores que sabem ler exaustivamente outros escritores. Há inclusive alguns destes que sabem também produzir crítica literária boa. É este o caso do seminal escritor sul-africano J.M. Coetzee. Seus livros de ficção são sempre muito imaginativos e sua prosa boa de se ler. Nunca é demais recomendar "Desonra", "O mestre de são Petesburgo" e "Juventude", para apenas citar três. Igualmente bons são seus livros de ensaios, em geral publicados previamente em grandes revistas, como o New York Review of Books. Os ensaios coligidos neste "Inner workings" mostram uma grande erudição. São vinte e um ensaios, que tratam ora de um ou dois livros específicos, ora o conjunto da obra do escritor em questão. Entre citar todos e nenhum prefiro a primeira opção: ele fala de Italo Svevo, Robert Walser, Robert Musil, Walter Bejamim, Bruno Schulz, Joseph Roth, Sándor Márai, Paul Celan, Günter Grass, W.G. Sebald, Hugo Claus, Graham Greene, Samuel Beckett, Walt Whitman, William Faulkner, Saul Bellow, Arthur Miller, Philip Roth, Nadine gordimer, Gabriel García Márquez e V.S. Naipaul. Na introdução assinada por Derek Attridge estes autores são agrupados em quatro conjuntos, relacionados basicamente com as origens de cada escritor, a forma com que cada um explora sua história pessoal ou as atribulações pelas quais eles e seus países passaram durante as grandes guerras da primeira metade do século passado. Attridge identifica também um conjunto de escritores que sem serem exatamente de grandes centros literários encontraram sua voz e seus leitores por todo o mundo (como o próprio Coetzee, afinal de contas). Talvez estas classificaçôes sejam técnicas e irrelevantes demais. Os ensaios sabem se defender sozinhos. Falam de uma literatura consistente, de autores bastante respeitados. Um terço deles ganharam o prêmio Nobel (como ele mesmo, cabe dizer). Ele sabe localizar os débitos literários de cada escritor e apresentar as boas soluções ou mesmo erros em cada um dos livros que comenta. Uma preocupação que ele sempre explicita envolve o problema das traduções, da recepção de cada autor para públicos que não dominam a língua original em que os textos foram escritos. Cada ensaio termina com uma lista extensa de notas e referências. Li aos poucos e o carreguei várias vezes de um lado ao outro, mas ao final aprendi um bocado com este livro. [início 13/07/2009 - fim 18/09/2009]
"Inner workings - essays 2000-2005", J.M. Coetzee, Vintage books (1a. edição) 2008, brochura 12,5x20, 304 págs., ISBN: 978-0-099-50614-0