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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

poesia vista

Ler e ver os poemas de Joan Brossa sempre é um assombro. Já registrei aqui os "99 poemas" traduzidos por Ronald Polito e editado pela Demônio Negro. Nesta seleção, organizada por Vanderley Mendonça, que é também o tradutor, encontramos 23 poemas visuais; 31 poemas escritos (acompanhados dos originais em catalão) e 17 poemas-objeto. O que são "poemas escritos" não precisa ser explicado, muito embora sempre pode ser controversa a interpretação de um poeta sobre a natureza de seu jogo, seu ofício, sua leitura da realidade, sua interpretação do mundo. Grosso modo pode-se dizer que nos "poemas visuais" texto, imagens e símbolos são organizados de tal forma que é o elemento visual que tem função organizacional na obra, eventualmente até prescindindo de símbolos de escrita para sua caracterização como poesia, afastando-se da linguagem que pode ser vocalizada. E, por fim, "poemas-objeto" são, na acepção de Brossa, poemas que não geram linguagem, que suprimem completamente a linguagem, uma variante mais selvagem dos poemas visuais. A edição incluí ainda dois bons prefácios. Um é assinado por Haroldo de Campos. Ele conta como foi que João Cabral de Melo Neto fez a poesia de Brossa ser conhecida no Brasil e de como os poetas concretistas brasileiros mantiveram produtivo contato com ele até sua morte, em 1998. O segundo é assinado por Glòria Bordons, especialista em sua obra, organizadora de vários livros sobre ele e por um período responsável pelos guardados da Fundació Joan Brossa. Ela apresenta uma curta biografia do poeta catalão e explica algo de seu caráter único, heterodoxo, não comprometido com modismos e tendências, louva sua poesia e atitude, canta o quão irrelevante para ele eram definições de gênero, de fronteira entre as artes, a classificação das formas. Vale a pena gastar um tempo e apreciar sua poesias visuais nesta aba do site da Fundació. Visca Brossa! Visca Catalunya! 
Registro #1210 (poesia #86)
[início: 10/07/2017 - fim: 05/08/2017]
"Poesia vista", Joan Brossa, tradução de Vanderley Mendonça, São Paulo: Ateliê Editorial, 1a. edição (2005), capa-dura 14,5x21,5 cm., 124 págs., ISBN: 978-85-7480-290-5 [edição original: Glòria Bordons / Poemes escollits (Barcelona: Edicions 62) 1995]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

99 poemas

Foi o Marcelo Sahea, poeta de consistentes experimentos linguísticos, visuais e sonoros, quem fez propaganda deste livro de poemas do poderoso catalão Joan Brossa, artista de múltiplos talentos. Encomendei e fui lendo aos poucos, sem método ou disciplina, mas com muito deleite. A edição é belíssima. O tradutor, Ronald Polito, compilou estes 99 poemas de um conjunto de dezessete livros, publicados entre 1950 e 1996. Isto torna este conjunto bastante representativo da produção poética de Brossa. A edição é bilíngue, mas por mais que me empenhe em decifrar o catalão não aproveito de verdade nada da presença dos originais (mas doña Natália me prometeu ler alguns em voz alta, logo veremos). São poemas em versos livres, não metrificados (pena não haver nada nada dos curiosos poemas visuais que tanto contribuiram para a fama de Brossa, mas não se pode ter tudo na vida). Estes poemas falam de coisas simples, do amor e do trabalho, do próprio ofício do poeta, de um cotidiano calmo mas que evoca reflexões fortes. A edição inclui uma bibliografia, um posfácio bastante instrutivo do tradutor e mais uns textos de apresentação que de fato tornam este um precioso livro. Abrossas, como escreve o Sahea! [início 21/04/2010 - fim 01/06/2010]
"99 poemas", Joan Brossa, tradução de Ronald Polito, editora Annablume (selo Demônio Negro), 1a. edição (2009), capa-dura 16x23 cm, 193 págs. ISBN: 978-85-7419-994-8