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quinta-feira, 27 de junho de 2019

yawalapiti, filhos da natureza

Paulo de Araújo é fotógrafo e gaúcho, mas vive em Brasília há décadas. Tempos atrás ele fez algumas viagens ao Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, especificamente para a aldeia Yawalapiti, onde teve a oportunidade de produzir um belo registro fotográfico dos costumes, ritos e festas daquele povo. Noutro dia vi fotos dele expostas no glorioso Café Cristal, no centro de Santa Maria, e fiquei impressionado com a força das imagens que ele fez.  Comprei ali mesmo esse livro/catálogo, que inclui um longo texto de Clara Arreguy, mineira também radicada há tempos em Brasília. O texto é resultado de conversas entre Clara e Paulo, e também de alguma pesquisa etnográfica bem feita. O leitor é apresentado a história, costumes, regras de conduta, cerimônias e cotidiano dos Yawalapiti. Eles são poucos, um tanto menos que 500 indivíduos, mas demonstram nas fotos uma energia, uma alegria de viver, uma coragem, que encantam o vivente, o leitor. As imagens dominam o livro, mas a narrativa alcança produzir no leitor interesse na necessária luta em defesa daquela cultura, daquele modo de vida, daquela gente que é brasileira, como nós. Vale a pena também conferir também um curto video-documentário que Paulo de Araújo fez durante uma de suas viagens: "Xingu, um olhar (2012)". ÔBeleza. Vale! 
Registro #1423 (fotografia #12) 
[início: 03/05/2019 - fim: 05/05/2019]
"Yawalapiti, filhos da natureza", Clara Arreguy (texto) e Paulo de Araújo (fotos), |Brasília: Outubro Edições, 1a. edição (2019), brochura 19x19,5 cm., 25 págs. ISBN: 978-85-54818-24-1

sábado, 25 de março de 2017

early stones

Na última quinta-feira ficou comprovado que a grande maioria dos brasileiros padece daquele viés cognitivo conhecido pelos psicólogos como efeito Dunning-Kruger, fenômeno no qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que quaisquer outros. O fenômeno pode ser rapidamente entendido quando visualizado graficamente (caso você esteja curioso consulte esses dois links: Dunning-Kruger e Monte da Estupidez). Pois então. Aborrecido com a legião de imbecis que divulgaram suas impressões improvisadas sobre o significado da reforma da previdência em discussão, a ascensão de Donald Trump, o atentado terrorista em Londres ou a recente votação da terceirização pela câmara dos deputados (legião que conta com alguns indivíduos particularmente patéticos e canalhas, sobretudo entre jornalistas, músicos e atores tupiniquins), resolvi encontrar algum conforto em artistas que admiro e de fato têm algum estofo. Procurava a biografia do Frank Zappa, gênio dos gênios quando se tratava de fustigar a estupidez reinante em seu tempo, mas nos guardados da biblioteca eis que encontrei esse "Early Stones", sensacional seleção de fotos de Michael Cooper feitas na primeira década de existência dos Rolling Stones. Cooper era um fotógrafo e produtor muito talentoso que acompanhou de perto a banda, participando dos ensaios, shows, turnês e festas. Era amigo próximo de Keith Richards. Produziu em 1967 duas das capas de discos mais icônicas do Rock and Roll, uma dos Stones, a do álbum "Their Satanic Magestic Request", e outra dos Beatles, a do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Como muitos daquela turma e geração (Brian Jones, dos Stones, inclusive), Cooper morreu jovem. Deixou um acervo de mais de 70 mil fotografias, que é administrado por seu filho, Adam Cooper, sujeito que assina (com sua mulher, Silvia Cooper) a organização e edição deste livro, lançado originalmente em 1992. O livro inclui ensaios de Keith Richards e  Terry Southern, além de fragmentos de entrevistas com Keith, Terry, Marianne Faithfull, Ian Stewart e Anita Pallenberg. Mas são as fotografias que dominam o livro. Encontramos cenas do cotidiano, registros do que acontecia nos bastidores de estúdios e hotéis. O leitor pode experimentar algo dos momentos mágicos capturados por Cooper em várias coleções de fotos, como essa arquivada no Pinterest, ou simplesmente digitando no Google: Michael Cooper photographer. Incrível.
[início - fim: 23/03/2017]
"Early Stones: Fotografias legendárias do início da banda por Michael Cooper", Michael Cooper, tradução de Mariana Marcoantonio, São Paulo: Editora Planeta, 1a. edição (2012), brochura 20x24 cm., 326 págs., ISBN: 978-85-7665-981-5 [edição original: The Early Stones: Legendary Photographs of a Band in the Making 1963-1973 (Paris: Hyperion Books / Hachette book Group) 1992]

quinta-feira, 2 de julho de 2015

jewish dublin

Asher Benson nasceu em Londres em 1921 e mudou-se para Dublin ainda jovem, logo depois do fim da segunda grande guerra. Atuou como jornalista  e escritor, editou um jornal até o final dos anos 1980 e foi um dos fundadores do Irish Jewish Museum de Dublin. Há aproximadamente dez anos começou a organizar registros sobre a comunidade judaica de Dublin (fotografias, documentos, cartas e ilustrações retiradas de jornais e revistas) e, com a ajuda de amigos, conseguiu editar esse belo "Jewish Dublin", livro-irmão do 'The shadow of James Joyce", de Motoko Fujita, que já resenhei aqui. O livro inclui aproximadamente 150 fotografias, acompanhadas de textos curtos que oferecem resumos biográficos dos retratados (ao contrário do livro de Motoko Fujita, que apresenta paisagens e registros arquitetônicos, no livro de Asher Benson encontramos sobretudo fotografias de pessoas). As notas de Benson são bem humoradas. Ele sempre faz comentários divertidos sobre seus biografados ou sobre as circunstâncias em que determinada fotografia foi feita. Encontramos no livro artistas, escritores e músicos, políticos, comerciantes e visitantes ilustres da cidade, mas a maioria é de trabalhadores comuns, gente simples em seu cotidiano. Na fotografia da capa encontramos o pintor Gerald Davis, sujeito que costumava vestir-se como Leopold Bloom nos Bloomsdays em Dublin (o 16 de junho imortalizado por Joyce no Ulysses) e tornou-se um entusiasta dessas celebrações. Ainda haverá por aqui mais sobre os livros que encontrei em minha peregrinação à Dublin em fevereiro. Vale.
[início: 31/01/2015 - 16/06/2015]
"Jewish Dublin: Portraits of Life by the Liffey", Asher Benson (org.), Dublin: A. and A. Farmar Ltd. 1a. edição (2007), brochura 24x24 cm., 114 págs., ISBN: 978-1-906533-00-1

sexta-feira, 26 de junho de 2015

the shadow of james joyce

"riverrun, past Eve and Adam's, from swerve of shore to bend of bay, bring us by a commodius vicus of recirculation back to Howth Castle and Environs". Assim (re)começa o "Finnegans Wake", último e seminal romance de James Joyce, cuja história se passa numa noite de sonhos em Chapelizod, um pequeno vilarejo que fica perto do impressionante Phoenix Park, a Oeste de Dublin. Motoko Fujita, jovem fotógrafa de origem japonesa, radicada em Dublin desde o início dos anos 2000, assina o livro. Ela produziu uma série de fotografias em preto e branco do vilarejo que tanto inspirou Joyce e pouco mudou desde sua morte (em 1941). As águas calmas do Liffey cruzam o vilarejo, refletem a capela de Isolda (a lendária princesa irlandesa que um dia iria se apaixonar pelo cavaleiro Tristão), serpenteiam monumentos, cemitérios, parques e igrejas, escoam sedimentos e  lágrimas, se alargam ao passar pelo centro de Dublin, onde encontram o mar. São cinquenta e seis fotografias. Olhamos para elas e o tempo como que se estanca, congela. Um silêncio absoluto nos envolve e os olhos começam a distinguir por entre as sombras e a vegetação os vestígios dos trabalhos dos homens, as marcas de um lugar e suas histórias, detalhes que num meio urbano passariam despercebidos. Mas o livro inclui outros mimos. Nove ensaios acompanham as imagens. Os três mais longos foram escritos por autores que aqueles familiarizados com o universo joyceano reconhecerão facilmente: David Norris, Sam Slote e Danis Rose. Os demais são um tanto mais breves e exploram aspectos específicos da história, geografia ou fortuna literária de Chapelizod e são assinados por John McCullen (um funcionário público, responsável pelos parques irlandeses); W. J. Mc Cormack (um escritor); Thomas MacGiolla (um político, ex-prefeito de Dublin); Barry McGovern (um ator); Raphy Doyle (um historiador e músico) e Shigehisa Yoshizu (uma professora universitária japonesa especializada em Joyce). Os textos são bons e de interesse para um curioso na obra de James Joyce, mas o que realmente encanta no livro são as belas fotografias de Motoko Fujita. Vale.
[início: 31/01/2015 - fim: 16/06/2015]
"The shadow of James Joyce: Chapelizod and Environs", Motoko Fujita, Dublin/Ireland: The Lilliput Press, 1a edição (2011), brochura 22,5x29 cm., 128 págs., ISBN: 978-1-84351-193-9

terça-feira, 23 de setembro de 2014

three days with joyce

Esse livro é aparentado a um outro, que já resenhei aqui: "James Joyce in Paris", de Gisèle Freund. Ela foi uma respeitada fotógrafa, nascida na Alemanha, que atuou sobretudo com fotojornalismo e documentários na França (ela tornou-se cidadã francesa em algum momento de sua vida). "Three days with Joyce" foi um trabalho de encomenda, realizado em duas primaveras, a da 1938 e a de 1939 (as últimas primaveras antes do início da segunda grande guerra). As circunstâncias das duas sessões de fotografias não eram as ideais. Joyce estava terminando os preparativos para a publicação de seu último (e mais radical) livro: "Finnegans Wake", que seria publicado somente em maio de 1939. Ele havia passado por uma série de complicadas cirurgias nos olhos. Sua filha Lucia, que sofria de esquizofrenia, estava internada desde 1935. Dividido entre as cirurgias e as dolorosas visitas à filha, Joyce ainda acreditava que ela poderia receber alta hospitalar (mas isso não aconteceu antes da família Joyce emigrar para Zürich, em 1940, logo após que a França foi invadida pelas tropas nazistas). Gisèle Freund já conhecia os Joyce desde 1936, quando participou de um jantar festivo em homenagem a Thornton Wilder organizado por uma das antigas editoras de Joyce, Adrienne Monnier. Com a publicação iminente de "Finnegans Wake" a revista "Life" (em 1938) e a "Times Magazine" (em 1939) encomendaram a Freund um conjunto de fotografias. Ela conseguiu persuadir Joyce a participar das sessões através de um amigo em comum, Louis Gillet. A maioria das fotos de 1938 foram tomadas em Paris na casa do casal Joyce e na livraria "Shakespeare and Co" (de Adrienne Monnier e Sylvia Beach). Uma parte delas foi tirada sem que Joyce percebesse, ao descer de um táxi. Freund diz, orgulhosa, que essas fotos anteciparam em vinte anos o comportamento questionável porém fundamental dos paparazzi. A câmara de Freund chegou a cair no chão e ela brincou com Joyce dizendo que algum duende irlandês parecia ter sido instruído por ele para destruir aquelas fotos não posadas (felizmente os negativos não foram perdidos na queda). As fotos de 1939 foram produzidas em cores e mostram Joyce, sua família e amigos na casa de seu filho Giorgio e nora Helen. São fotos alegres, tomadas quase todas num jardim ou mostrando Joyce exibindo-se num piano. Em várias delas, Stephen, neto de Joyce, brinca com o avó e o faz rir. Uma delas foi utilizada como capa da revista "Time" (na edição de 8 de maio de 1939). O livro inclui uma apresentação assinada por Richard Ellmann, respeitado biógrafo de Joyce e organizador de suas cartas. "Three days with Joyce" é o tipo de livro que torna festivo o mais simples dos dias de um joycemaníaco. Que beleza!
[início: 02/02/2014 - fim: 16/09/2014]
"Three days with Joyce", Gisèle Freund, tradução de Peter St. John Ginna, New York: Persea Books, 1a. edição (1985), brochura 18,5x21,5 cm., 70 págs., ISBN: 0-89255-142-9 [edição original: Trois Jours Avec Joyce (Paris: editions Denoël) 1982]

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

entreolhares

"Entreolhares" é um livro de reproduções fotográficas produzido para comemorar os 90 anos da Eny Calçados, uma tradicional loja de Santa Maria. As fotos fazem parte do acervo pessoal de Guido Cechella Isaia, um senhor apaixonado por arte e fotografia, que reuniu fotografias da cidade desde o início dos anos 1920 até meados dos anos 1970 (a maioria das fotos são assinadas pelo próprio Isaia mas há também fotos feitos por Bortolo Achutti, Luiz Gonzaga Schleiniger Jr. e João Souza). Cada uma das fotos antigas é contrastada com uma foto mais recente (que são assinadas por Laura Fabricio e Fabiano Dellmeyer). Não são apenas fotografias da paisagem, monumentos ou das edificações da cidade, mas também de grupos de pessoas, festividades públicas e privadas, da UFSM e de uma cidade vizinha, Itaara. O efeito obtido é muito bom. Simultaneamente acessamos algo do passado da cidade e o contrastamos com a configuração contemporânea. É um livro modesto, com apenas 52 fotografias no total, mas de valor inestimável. Digo isso pois lembro do impactante "Do céu de Santa Maria", o belo livro produzido anos atrás nas comemorações dos 150 anos da cidade, que parece ser o irmão mais velho e o inspirador de "Entreolhares". Parabéns a Fundação Eny por nos proporcionar (gratuitamente cabe dizer) algo assim.Vale.
[início: 17/08/2014 - fim: 23/08/2014]
"Entreolhares: reflexões fotográficas inéditas", Fabrise Müller (projeto), Luiza Haesbaert (organização), Santa Maria / RS: Fundação Eny, 1a. edição (2014), brochura 25x22 cm., 64 págs., ISBN: 978-85-65072-01-4

sábado, 19 de abril de 2014

james joyce in paris

Recebi esse mimo bem antes do natal do ano passado. Guardei-o como quem sabe que recebeu um grande bem e precisa estar com o humor certo para apreciá-lo. Depois dos sucessos das férias eis que encontrei esse humor e passei desde então boas horas em puro deleite, etéreo, transportado lentamente como um flâneur para a Paris do final dos anos 1930 e ao universo de James Joyce (do qual raramente me afasto, claro está para quem me conhece). Gisèle Freund é uma socióloga alemã que tornou-se fotógrafa profissional (e muito respeitada por sinal) por acaso. Um dia um jovem escritor conhecido de um colega seu na Sorbonne pediu-lhe que tirasse algumas fotos para ilustrar livro seu. O jovem escritor era André Mauroux e suas editoras Sylvia Beach e Adrienne Monnier, também editoras de James Joyce. Anos depois, já atuando regularmente como fotógrafa e parte do círculo de amizade de Joyce, acabou tendo a oportunidade de fotografá-lo algumas vezes (especialmente por encomenda da editora americana Random House, que preparava os originais do "Finnegans Wake" e que seria lançado em 1939). Boa parte das poucas fotografias conhecidas de Joyce deste período final de sua vida foram produzidas por ela. Mas em "James Joyce in Paris: His final years" não encontramos apenas fotografias de Joyce e sua família. De fato a maioria das 88 fotografias é de colegas escritores, artistas plásticos, paisagens e ruas de Paris. São fotos de um mundo que iria se transformar radicalmente com o início da segunda grande guerra (a própria Gisèle Freund, como tantos outros, emigraria para os Estados Unidos logo no início das hostilidades, assim como Joyce, que emigraria para a Suiça). O livro inclui um prefácio de Simone de Beauvoir e comentários curtos às fotos, assinados por V.B. Carleton (uma jornalista francesa, costumeira colaboradora de Freund). Os colaboradores mais próximos de Joyce em Paris estão todos retratados no livro: Eugene Jolas, Maria Jolas, Paul Léon, Stuart Gilbert, Adrienne Monnier, Sylvia Beach, Samuel Beckett, Valery Larbaud. Há um outro livro de Gisèle Freund (que recebi junto com este) onde encontraremos apenas as fotografias de Joyce e sua família em 1938, inclusive um conjunto de fotografias coloridas. Mas essa história ficará para um outro registro de leitura. Ficarei ainda muito tempo inebriado com os prazeres deste "James Joyce in Paris: His final years", seguro que sim. 
[início: 02/02/2014 - fim: 14/04/2014]
"James Joyce in Paris: His final years", Gisèle Freund, V.B. Carleton, Simone de Beauvoir, New York: Harcourt, Brace and World, 1a. edição (1965), capa-dura 22,5x29 cm., 117 págs., sem ISBN

quinta-feira, 16 de junho de 2011

joyce images

Comprei este livro há uns quinze anos. Foi um dos primeiros mimos relacionados a James Joyce realmente preciosos que consegui incorporar a meus guardados. A idéia original deste livro, a compilação das fotografias e design, é de um artista plástico e fotógrafo chamado Bob Cato. Ele contou com a edição realmente cuidadosa de Greg Vitiello e uma generosa e didática introdução do escritor (e joyceano de primeira hora) Anthony Burgess. Este é o tipo de livro que garante, principalmente aos familiarizados com a obra (e sobretudo a vida de Joyce), horas de puro deleite. A iconografia joyceana é relativamente grande, fazer uma compilação que seja abrangente mas não redundante não é trivial. Bob Cato conta uma história silenciosa, fazendo uso de curtas legendas, que mais contextualizam as circunstâncias do registro fotográfico que divagam sobre os fatos da vida dos sujeitos fotografados. O leitor pode se informar bem sobre Joyce no texto de Burgess e em uma cronologia detalhada incluída no final do livro. As fotos são apresentadas em ordem cronológica, os fatos mais marcantes de sua vida, de sua família, pontuados por elas. Reli (revi) este livro neste Bloomsday de 2011, enquanto me preparava e buscava inspiração para os sucessos do dia. Don Caetano Galindo estava a caminho e iria contar um tanto de sua experiência em traduzir o Ulysses. Com sua tradução a língua portuguesa será a única a ter quatro traduções completas e distintas do livro. A aventura começou com Antônio Houaiss em 1966, passou por João Palma-Ferreira em 1989, Bernardina Silveira Pinheiro em 2005 e chega agora a versão deste jovem linguísta e tradutor curitibano. Será um privilégio compartir com ele os festejos deste décimo-oitavo Bloomsday em Santa Maria, lembrar dos 33 anos da CESMA (que nasceu em um 16 de junho também). Cousa boa. É tempo: Stately, plump... [início 12/06/2011 - fim 16/06/2011]
"Joyce Images", Bob Cato, Greg Vitiello, Anthony Burgess, London: W.W. Norton & company, 1a. edição (1994), capa-dura 23x29 cm, 112 págs. ISBN: 0-393-03638-3

sábado, 5 de setembro de 2009

enchente de 41

O jornalista Rafael Guimaraens compilou neste livro quase uma centena de belas (e também terríveis) fotos tomadas na cidade de Porto Alegre durante uma grande enchente acontecida no inverno de 1941. Trata-se de um trabalho muito bem cuidado, publicado com dinheiro de uma lei de incentivo a cultura da cidade de Porto Alegre, onde encontramos além das fotos em grande formato de uma boa bibliografia e também um texto relativamente curto que explica a situação econômica e política da cidade imediatamente antes da enchente, bem como nas repercusões provocadas por ela. Os dados não chegam a cansar e o leitor pode simplesmente folhear o livro e tentar entender como aquela tragédia deve ter afetado toda a população de Porto Alegre. Ele cita um trabalho onde se afirma que os prejuízos provocados pela enchente alcançaram algo em torno de 30 milhões de dólares. Fala também dos ciclos meteorológicos que criaram as condições para uma enchente daquela magnitude. O autor também discute a funcionalidade do muro de quase três quilômetros construído ao lado da Avenida Mauá trinta anos depois da enchente. Há detalhadas pranchas com os projetos iniciais propostos. Achei o final muito abrupto, mas o texto é mesmo secundário neste belo livro. É difícil o leitor não ficar convencido da importância da memória e de seus registros físicos. Post-Scriptum: um comentário do Athos me fez lembrar que pelos dados do livro choveu muito no interior do estado, principalmente em Santa Maria, mas eu acredito que os registros fotográficos daqui não tenham sido tão numerosos e assim os estragos e a destruição não ficaram registrados. Cabe dizer também que foi o Athos que me sugeriu este livro, em um dia de vagabundagem pela feira do livro de Santa Maria. [início 13/08/2009 - fim 22/08/2009]
"A enchente de 41", Rafael Guimaraens, editora Libretos (2a. edição) 2009, brochura 19x28, 100 págs., ISBN: 978-85-88412-21-7

segunda-feira, 6 de julho de 2009

mvm em memória

Este pequeno livro foi produzido em homenagem a Manuel Vazquez Montalbán. Este bom jornalista, político, gastrônomo e escritor catalão, nascido em um quatorze de julho (de 1939), morreu de repente, muito longe da sua Barcelona natal, em um dezoito de outubro (de 2003). Um funeral foi organizado na Universidade de Barcelona e muitos de seus amigos, por mais distantes que se encontravam, fizeram por bem atender esta primeira homenagem fúnebre. Um destes amigos é um jovem fotógrafo, Serafín Palazón, que sai as pressas de Madrid com seu material de trabalho e chega a tempo para registrar fotos da cerimônia fúnebre. Fixados nas imagens lá estão políticos, principalmente aqueles que participaram da redemocratização espanhola, escritores, poetas, amantes dos bons vinhos, da boa comida, do futebol, das artes, da liberdade, da igualdade, da fraternidade (como não, para um sujeito que nasceu em um 14 de julho). José Saramago (que estava lá) assina um curto prólogo às fotos e Eduardo Haro Tecglen faz uma curta mas tocante biografia pessoal, literária e política. As fotos são acompanhadas de curtos textos do poeta Juan Carlos de Sancho, que traduzem, ou tentam traduzir, os sentimentos captados pela câmara fotográfica. As quarenta e cinco fotos são de fato poucas para o tamanho do carinho e amizade com que Montalbán parece ter se cercado em vida. Aprendi a respeitar um tanto mais este sujeito (que me conquistou apenas com a força de seu texto e que comecei a ler sem sabê-lo já morto e incapaz de continuar a saga de seus cativantes personagens). [início 15/06/2009 - fim 15/06/2009]
"Manuel Vazquez Montalbán en Memória", Serafín Palazón e Juan Carlos de Sancho, editora El Rinoceronte de Durero (1a. edição) 2004, brochura 15x21, 115 págs., ISBN: 978-84-609-2450-5

terça-feira, 23 de junho de 2009

rockers

No ano passado dei este livro de presente para um entusiasta do rock cá de Santa Maria, meu amigo Koff, beatlemaníaco dos bons. Mas já quando estava a folhear o livro na CESMA havia decidido que eu também teria este mimo. Trata-se de um belo livro, em formato grande, repleto com fotos que vão da época dos dinossauros (os anos 1960) até este glorioso início de século XXI. Bob Gruen, o autor, é um daqueles sujeitos cuja carreira profissional acontece um tanto por acaso (pois ele não toca nenhum instrumento) e um tanto por insistência e trabalho árduo (o trabalho sempre diferencia os homens afinal de contas). De qualquer forma ele frequentou shows das maiores bandas dos últimos quarenta anos, acompanhou turnês improváveis (como a do Led Zeppelin pelos Estados Unidos) e acabou privando da amizade de alguns dos roqueiros que retratava (é o autor, por exemplo, da última série de imagens de John Lennon, de quem foi fotógrafo pessoal por nove anos). A maioria de suas fotos retrata o cotidiano, os bastidores dos shows e de festas, a intimidade de cada um (se é que este termo vale para celebridades deste calibre). O livro foi lançado na época de uma grande exposição realizada em São Paulo, onde as imagens foram reproduzidas em grande formato. Teve ter sido uma experiência legal ver estas fotos grandes em um espaço aberto (o saguão de entrada da FAAP, no Pacaembu). O livro é super bem cuidado. São 274 fotografias, a maioria delas no formato do livro, uns 25 por 30 centímetros, boas de se ver, impactantes mesmo.Há curtos textos dispersos pelo livro, que marcam cada tema da exposição ou as bandas mais famosas, além de uma apresentação (do paulista Supla) e uma introdução (da curadora da exposição Celita Carvalho). É o tipo de livro para se folhear enquanto se ouve algo caro a nossa memória, com vagar, tentando emular aqueles tempos onde se aprendia mesmo um tanto de inglês tentando traduzir as letras das músicas de nossas bandas favoritas. [início 23/05/2009 - fim 30/05/2009]
"Rockers", Bob Gruen, editora Cosac Naify (1a. edição) 2007, brochura 22,5x31,5, 220 págs. ISBN: 978-85-750-3592-4

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

do céu de santa maria

Este livro foi lançado em uma cerimônia de encerramento das atividades de comemoração dos 150 anos da cidade de Santa Maria. Era uma noite chuvosa e feia de final de inverno, mas havia um bocado de gente prestigiando a festa. Trata-se de um livro belíssimo, com dezenas de fotografias aéreas da cidade, apresentadas em ordem cronológica, desde a década de 1930 até 2008. Com as legendas o leitor se localiza rapidamente e as fotos mais recentes foram tomadas de forma a propiciar algum contraste com as mais antigas, demostrando principalmente como a mancha urbana da cidade de desenvolveu. Duvido que a cidade tenha recebido uma homenagem tão bonita e tão preciosa em seu aniversário. O livro serve a bem mais do que um documento a ser utilizado pelas futuras gerações de interessados pela história da cidade. O José Newton, o Paulo Fernando e o Valter Noal foram os organizadores, mas neste livro houve aquele raro encontro de colaboradores de vários segmentos, de vários extratos sociais, de vários matizes políticos, de variados interesses públicos e privados. É raro, mas as vezes este tipo de coisa acontece. Quem participou bastante na idéia deste livro foi meu vizinho Werner Rempel, cabe dizer. Quando vejo um santa-mariense legítimo folheando o livro percebo logo o brilho nos olhos ao reencontrar uma paisagem antiga, um lugar caro a sua memória particular. Mesmo quem só conhece Santa Maria de passagem ou se radicou aqui quando ela já tinha mais ou menos a distrituição espacial que tem hoje em dia aproveita muito deste livro. É mesmo um documento. Ele foi produzido com recursos da Lei de Incentivo a Cultura e pode se adquirido somente na Casa de Cultura de Santa Maria, ali na praça Saldanha Marinho. Já comprei vários e presenteei amigos meus e amigos de Santa Maria. Bom. Com esta postagem eu fico mais ou menos em fase com os livros que estou li neste ano mesmo. O próximo será um Philip Roth que terminei já no feriado vagabundo de primeiro de janeiro. Este "Do céu de Santa Maria" fica com o carimbo de último lido de 2008. Cousa boa. [início agosto/2008 - fim 31/12/2008]
Do céu de Santa Maria, José Newton Cardoso Marchiori, Paulo Fernando dos Santos Machado e Walter Antonio Noal Filho, editora Prefeitura Municipal de Santa Maria (1a. edição) 2008, capa dura 26,5x30,5, 252 págs. ISBN: 978-85-7782-041-2