terça-feira, 16 de junho de 2009

vocabulário ortográfico

Hoje é 16 de junho, dia de Bloomsday, dia de celebrar a literatura e os livros. Resolvi falar um tanto sobre a lingua portuguesa e sobre meu novo brinquedo, um exemplar do vocabulário ortográfico da língua portuguesa, VOLP para os pretensiosos e moderninhos de plantão. Na verdade o que eu tinha para falar sobre o novo acordo ortográfico da língua portuguesa registrei em um post de fevereiro deste ano, quando comentei um pequeno livro do Paulo Ledur. Este vocabulário pretende uniformizar a ortografia da língua portuguesa. As vivas e gerais línguas faladas por portugueses, brasileiros, cabo-verdenses, angolanos, moçambicanos, guineenses, são-tomenses (e mais quem sejam estes viventes com os quais eu posso eventualmente me comunicar através do português) vão sempre existir, a despeito da vetustez do papel impresso e encadernado que recebeu o nome de VOLP. Não é a listagem de quase 350.000 vocábulos que vão definir uma língua, mas sim o uso que seus falantes darão a estes vocábulos, isto se sabe muito bem. Resolvi também fazer este post, apesar deste não ser um livro que eu li de fato, pois nesta semana uma agência chamada "Global Language Monitor" afirmou que a língua inglesa deveria ter atingido a marca de um milhão de palavras diferentes (eles estimam que o inglês incorpora uma palavra a cada hora e meia mais ou menos, já o português mais lento, só acumulou umas 600.000 palavras até agora). Este tipo de cálculo obviamente é mais do que controverso (para mim é de um reducionismo absurdo). Meu ponto é que o inglês, que é uma das línguas mais faladas no mundo (e li hoje mesmo que há a perspectiva que se torne hegemônico na África sub-saariana toda em pouco tempo) não tem um vocabulário deste tipo, ou seja, nem os ingleses, que podem se considerar os donos da língua inglesa, nem os americanos, que são seus usuários mais poderosos, têm a pretensão de uniformizar algo que é partilhado por milhões de indivíduos de culturas diferentes. Nem mesmo fazê-lo através de uma lei, que obriga todos a se expressar de uma determinada forma e diz o que é aceito como norma culta (e falar de norma culta no Brasil, onde a meu juízo 80% da população é de semi-analfabetos é mesmo uma piada triste). No fundo o VOLP é apenas uma ferramenta econômica. O Brasil optou por seguir as tradições francesa e espanhola e tem interesse comercial em padronizar e normatizar a língua portuguesa para explorar melhor os mercados livreiros de além mar. Veremos em breve (em décadas ou séculos, que devem ser as unidades padrão de medida do tempo das mudanças nas línguas) se este VOLP tem mesmo algum valor ou será apenas um tijolo que me ajudará a apoiar meus demais livros nas estantes. [início 2009 - fim ???]
"Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", Academia Brasileira de Letras, editora Global (5a. edição) 2009 brochura 21,5x28, 887 págs. ISBN: 978-85-260-1363-6

Um comentário:

Natália Diacoyannis disse...

Dessa vez li teu post e concordo com o que tu escreveu. Vamos ver o que vai acontecer daqui pra frente, eu chuto que talvez daqui a 30 anos as pessoas tenham se adaptado a essas novas regras, mas sinto muito em te dizer que agora o teu livro só vai te ajudar a apoiar os demais na estante. Já é um começo, ao menos ele está ali apoiando.