quinta-feira, 7 de maio de 2009

a cidade das palavras

Este "A cidade das palavras" foi mais uma sugestão de minha amiga Eliane, precisa e instigante como sempre. Trata-se de um livro que é resultado de uma série de conferências preparadas no Canadá (país de adoção do argentino Alberto Manguel), chamadas "Massey Lectures". Neste ciclo de palestras Manguel discute o atávico hábito humano de ler, ouvir e contar histórias (para ele estas habilidades humanas são por definição a razão de sermos de fato humanos). É um livro quase técnico, mas que pode ser apreciado apenas como aulas de um erudito professor. Talvez elas percam um tanto do frescor e da força ao sairem do auditório cheio, pleno do calor e da participação do público. Não sei. Mas o texto dá muita informação específica e na verdade é tão vasto em seu propósito e abrangência, que não sei se de fato ele não vale mais como um manual de usos da inteligência e/ou curiosidade de cada leitor. Afinal podemos seguir a partir dos muitos pontos onde ele para nas reflexões. Os temas são generalistas demais, apesar de instigantes, afinal como falar do desenvolvimento da linguagem no homem sem ser superficial, apenas apontando os caminhos? O ciclo de palestras poderia ser resumido assim: Cassandra, Gilgamesh, Babel, Quixote, Hal, ou seja, ele parte dos mitos e histórias dos gregos, escava um tanto mais fundo ao descrever dois mitos sobre o dilúvio e avança o tempo para os grandes marcos do Don Quixote e da ficção científica da segunda metade do século passado. Um bom livro, sim, mas devemos partir dele e avançar se quisermos alcançar um novo patamar de sabedoria. [início 14/04/2009 - fim 17/04/2009]
"A cidade das palavras", Alberto Manguel, tradução de Samuel Titan Jr., editora Companhia das Letras (1a. edição) 2008, brochura 14x21, 150 págs., ISBN: 978-85-359-1297-5

quarta-feira, 6 de maio de 2009

aforismos sem juízo

Neste pequeno livro Daniel Piza apresenta cerca de 400 aforismos criados por ele nos vinte e tantos anos com que trabalha com a palavra e com o escrever. Deixei o livro ao lado da cama e durante um tempo fui lendo aleatoriamente um punhado deles. Alguns são interessantes, mas cada um de nós tem o seu estoque de aforismos, de frases feitas, de ditos, de frases de expressão, que usa e que gosta de usar, reiteradamente. Talvez o certo mesmo seria cada um de nós escrever um livro como este do Piza, pois teríamos algo mais concreto que um cartão de visitas para utilizarmos quando temos de nos apresentar aos outros. Ele dividiu os aforismos em quatro grandes grupos: existência e moral, dinheiro e poder, amor e sexo, cultura e saber. Embaralhados eles poderiam se acomodar em outras classificações sem problemas. Muitos são realmente bons, mas cito aqui alguns deles que anotei especialmente: "uma pessoa que nunca perde o humor é uma pessoa que não o tem", "não existe plástica para a burrice", "um homem inteligente sem amigos inteligentes é menos inteligente", "a esperança é a única que morre", "não há crítica mais destrutiva que a posteridade", "se você pode viver bem sem amar, está pronto para amar". Se não têm o calibre de um Mencken, Karl Kraus ou Millôr Fernandes, tem o frescor de um trabalho honesto. Vale a leitura. [início 02/04/2009 - fim 16/04/2009]
"Aforismos sem juízo", Daniel Piza, editora Beltrand Brasil (1a. edição) 2008, brochura 14x21, 112 págs. ISBN: 978-85-286-1354-4

terça-feira, 5 de maio de 2009

seu rosto amanhã 2: dança e sonho

"Calar é a grande aspiração que ninguém realiza". Assim começa "Dança e sonho". Parece ser este o registro importante desta segunda parte do romance "Seu rosto amanhã" de Javier Marías. Publicada originalmente em 2004 a tradução para o português foi feita há pouco mais de seis meses, no final de 2008. Nos dois grandes capítulos desta segunda parte somos apresentados aos detalhes daquilo que ficou subentendido no volume anterior: como o narrador, Deza, tornou-se uma espécie de consultor de um grupo ligado ao serviço secreto inglês. Ele tem a notável habilidade de produzir rapidamente avaliações precisas de caráter. Mesmo sem ser informado sobre o quê se procura descobrir de uma determinada pessoa ele sabe observá-la atentamente e produzir um relatório que possa indicar do quê a pessoa é ou não capaz. Não sei se este tipo de habilidade é inata ou pode ser construída ou aprimorada. Esta parte do romance também se concentra em poucos cenários, mas são tantas as histórias paralelas, que servem por vezes apenas para esclarecer um pouco trivial da trama, que facilmente podemos perder-se nelas. Há longos trechos sobre a rapidez da memória (a memória involuntária do Proust, claro); sobre os azares das mortes nas guerras, sobre o uso do botox (que eu achei um porre de chato, fazer o quê) e sobre a menstruação. Há boas e delicadas descrições por todo o livro, mas na parte central do volume há trivialidades demais, como se ele quisesse deliberadamente esticar a história. A quarta parte é uma espécie de acerto de contas com a hipocrisia espanhola em relação à sua guerra civil (uma cousa ainda não resolvida completamente na sociedade espanhola), descrevendo cruamente as loucuras de uma guerra e os massacres terríveis promovidos por Franco. Neste volume conhecemos melhor o personagem Beltran Tupra e sem medo de errar o coloco em meu panteão particular. Trata-se de um mefistófoles moderno, pleno de energia e poder, e tem algo que lembra o Barão de Charlus, mas sem sua histeria, apenas com sua capacidade de ser sedutor e cruel simultaneamente. O tema da traição preenche todos os espaços do romance. "Don´t linger or delay" diz Tupra em um determinado momento da história e o leitor fica tão atemorizado quanto o narrador. O discurso de Tupra traduzido por Deza é o terror encarnado, um brado pleno de poder que congela o sujeito. O volume termina quando Tupra decide mostrar algo no seu impenetrável apartamento (mas o quê há lá só saberemos no último volume do romance). Que bela história. [início 07/04/2009 - fim 14/04/2009]
"Seu rosto amanhã: dança e sonho", Javier Marías, tradução de Eduardo Brandão, editora Companhia das Letras (1a. edição) 2008, brochura 14x21, 359 págs. ISBN: 978-85-359-1316-3

segunda-feira, 4 de maio de 2009

corazón tan blanco

Um bom livro convida outro. Assim que terminei o "Febre e lança" resolvi voltar a velha estante dos espanhóis que trouxe na última viagem e resgatar os vários Javier Marías que estavam lá esperando dias melhores. Este "Corazón tan blanco" é um livro muito bom. A primeira frase é poderosa: descreve como uma moça sai da mesa do jantar, vai ao lavabo e dá um tiro no coração, surpreendendo convidados, pais, irmã e marido. A história parte daí para discutir como cada um de nós reage a segredos, a confidências, a informações-chave sobre uma pessoa. No livro anterior de Javier Marías que li, uma frase que ele registra e que me interessou é "Ninguém nunca deveria contar nada". Neste, escrito dez anos antes, este tema também é importante. O narrador acabou de casar e saiu para viajar com a mulher. Uma conversa casual com seu pai durante a festa de casamento o deixou intrigado, como se o pai só o fizesse saber naquele momento das muitas transformações pelas quais uma pessoa passa quando se casa ou se envolve fortemente com alguém. Aos poucos ele vai garimpando informações sobre as ex-mulheres de seu pai, três vezes viúvo, mas ainda encantador e até sedutor. O narrador trabalha como tradutor e viaja muito. O tema da tradução como metáfora do entendimento dos outros, dos homens, da vida, me parece ser caro à beça para Javier Marías. O narrador conta sinuosamente várias histórias que ajudam o leitor a entender o conflito dele em atentar às que realmente importam: a dele com sua mulher e a de seu pai com suas ex-mulheres. De fato o pai somente conta para a nora detalhes de sua vida (as mesmas histórias que furtou seu filho de saber). São tantas as histórias paralelas e tantos os bons personagens que aparecem que o livro serve mesmo como um mosaico da espécie humana. É um livro muito bom, com descrições belíssimas de situações e reações humanas aos fatos mais simples da vida. Bom escritor. Haverá mais Marías por aqui. [início 01/04/2009 - fim 07/04/2009]
"Corazón tan blanco", Javier Marías, ediciones Debolsillo (1a. edição) 2007, brochura 13x19, 320 págs. ISBN: 978-987-566-253-7

domingo, 3 de maio de 2009

seu rosto amanhã 1: febre e lança

Comprei este "Seu rosto amanhã (vol.1. - Febre e lança)" em 2007, em um sebo do bairro do Flamengo, quando estava flanando pelo Rio após um congresso de magnetismo dos bons. Já conhecia Javier Marías (alguns eu já resenhei aqui), mas fiquei surpreso ao comprar um romance dele tão barato, ainda por cima em um sebo tão modesto, de um balaio onde havia de tudo um pouco. Quando voltei deixei o livro perdido entre os demais e ele teve de mostrar suas garras para que eu o resgatasse e começasse a lê-lo. Meu dia de aniversário estava chegando e eu sempre gosto de voltar as cousas de Espanha nesta época. "Seu rosto amanhã" é um grande romance, que Marías publicou originalmente em três partes nos anos 2002, 2004 e 2007. Segundo ele não se trata de uma trilogia, mas sim um grande romance, um sinuoso romance, sinuoso como um rio, que um dia poderá ser publicado em um único volume. É um livro onde há poucos cenários, mas onde a ação se desenvolve em miríades de detalhes, reviravoltas, desvios, reflexões. Estes cenários são três: uma festa organizada por um velho professor de um dos "colleges" da Oxford milenar, sempre cara à Marías; uma reunião em um discreto "bureau" de um serviço secreto de informações inglês; e uma conversa a beira do rio Isis, entre o velho professor e o narrador da história, conversa que acontece na manhã seguinte ao jantar descrito na primeira parte, e que antecipa o que acompanhamos na parte central da história. Trata-se de uma história complexa, "pós onze de setembro de 2001" se podemos definir assim uma história, e que, provavelmente, somente vamos entender ao finalizar o terceiro volume (diferentemente do que li em algumas críticas deste romance, não se trata de volumes que possam ser lidos de forma independente, mas esta é outra história). O tema central me parece até aqui ser o da impossibilidade de conhecermos realmente alguém, pois um rosto, uma personalidade, uma vida enfim, pode ser apenas superficialmente conhecida. A traição, a desconfiança, os segredos surperpostos, as surpresas, abundam no livro. O romance está recheado de enigmas, mas ler um romance é um tanto como ler uma pessoa, descobrir o que ela é e o que ela quer que entendamos o que ela seja. Há personagens muito curiosos neste livro: Tupra, que aparentemente testa e contrata o narrador para um tipo de atividade relacionada a espionagem; Wheeler, o velho professor, com título de nobreza e um passado vinculado às grandes guerras do século passado; e claro, Deza, o narrador, um espanhol que vive de traduções e cujo nome é grafado de várias formas. Vou tentar ler de pronto os demais volumes (a tradução do segundo saiu no ano passado no Brasil, mas o terceiro volume está prometido apenas para o ano que vem). Há muito que lembra Proust e também Lawrence Durrell no texto de Javier Marías. Excelente romance. [início 03/03/2009 - fim 01/04/2009]
"Seu rosto amanhã: febre e lança", Javier Marías, tradução de Eduardo Brandão, editora Companhia das Letras (1a. edição) 2003, brochura 14x21, 406 págs. ISBN: 978-85-359-0423-9

sábado, 2 de maio de 2009

otra vuelta de tuerca

Ainda em dezembro comprei este livro e a idéia era dar de presente para alguém, mas acabei ficando com ele. De lá para cá li trechos aqui e acolá, um tanto descompromissadamente, mas tomei gosto enfim e quando me dei conta percebi que deveria terminar de lê-lo de uma vez. É uma novela curta, uma novela fantástica, no sentido de sermos apresentados a fantasmas e ao sobrenatural. Um casal de crianças é deixado aos cuidados de uma jovem governanta nos Estados Unidos do início do século passado. O ambiente opressor da grande residência onde eles três e mais uns poucos criados passam um outono/inverno brumoso leva a governanta a acreditar que as crianças estão sendo ameaçadas por dois fantasmas (de antigos serviçais que haviam morrido pouco tempo atrás). Na verdade pode-se ler a história e só acreditar que a jovem governanta é apenas uma histérica patologicamente clássica, que transforma sua instabilidade emocional em visões fantasmagóricas. Mas o comportamento das crianças (orfãs e praticamente abandonadas por um rico tio distante, terreno propício para leituras psicanalíticas sempre caras à Henry James) também não é isento de complexidade. Confesso que perdi um tanto das sutilezas do texto com meu castelhano apenas passável. Houve uma época que li vários Henry James de uma vez e posso recomendá-los sem medo. Fazia tempo qeu não lia algo dele e gostei. Diversão garantida. [início 20/01/2009 - fim 24/03/2009]
"Otra vuelta de tuerca", Henry James, tradução de Héctor Daniel Stilman, editora Longseller (1a. edição) 2005, brochura 11x18, 304 págs. ISBN: 978-987-550-543-9

sexta-feira, 1 de maio de 2009

metafísica dos tubos

Ulalá! Amélie Nothomb e seus livrinhos feitos de nitroglicerina pura, sempre surpeendentes. Assim é o caso deste "A metafísica dos tubos". É uma história de cento e tantas páginas, muito pessoal, direta e objetiva, mas que te força a ficar com ela em mãos até o final. Ela emula o ato de pensar de um recém nascido, que aliás é ela mesma, e que aos poucos vai descobrindo o mundo à sua volta, interagindo com ele, mesclando-se e adaptando-se a ele. No início o ser humano nada mais é que um anfioxo, aquele remoto ancestral de todos os vertebrados, que apenas ingere, digere e expele (e sobrevive, claro). Pois bem, um bebê nada mais é que um tubo por onde flui algum alimento. Mas as metáforas de Nothomb nunca são simples. Uma criança é também um pequeno deus (não um deus onipotente, ainda bem) que tudo quer e tudo alcança; um deus que se articula aos poucos; que rapidamente sabe que o prazer é sua própria identidade, sua razão de ser. Se no livro autobiográfico anterior que li dela (medo e submissão) ela vergasta o Japão, aqui ela o redime. Aprendemos mais um tanto sobre o sistema social japonês, sobre o teatro Nô (com o qual seu pai cônsul se envolveu de forma absoluta), sobre o envolvimento daquele povo com o mar, com a culinária e com a natureza. É um livro que fala do aprendizado de cada um de nós, aprendizado de regras, de línguas, de sintaxes, mas que também flerta com a morte, presente do início ao fim. No final ela conversa com o leitor, em mais um de seus jogos metalinguísticos bem construídos. Trata-se mesmo de uma poderosa escritora. [início - fim 20/03/2009]
"A metafísica dos tubos", Amélie Nothomb, tradução de Clóvis marques, editora Record (1a. edição) 2003, brochura 14x21, 144 págs. ISBN: 978-85-01-06339-8

sexta-feira, 24 de abril de 2009

pó de parede

Este pequeno livro editado pela "não editora", belo nome, nos apresenta três contos curtos de Carol Bensinon, uma jovem gaúcha de Porto Alegre. A meu juízo são três histórias que demoram a engrenar e/ou encantar, mas que engrenam e encantam afinal. A primeira história envolve um grupo de amigos que se dispersa nos desvios desta vida, tudo é apresentado em quatro, cinco pinceladas rápidas, o tempo vai e volta (mas é explícito, sem sacanear o leitor). Tudo é muito vago, mas é bem escrito e o conto se deixa conquistar. A segunda história é mais engajada, vamos dizer assim. Um sujeito volta a uma cidade (ou região, ou bairro) e organiza um grande investimento, que certamente vai radicalizar as mudanças na paisagem do lugar. Um garoto (que representa as forças vivas da natureza, talvez, estou especulando um bocado) transtorna o set de filmagens da propaganda que estava sendo preparada para o lugar. É como se a natureza, ou antes a humanidade adormecida destes tempos bicudos dominasse afinal uma situação. O último conto envolve uma história bem curta. Uma moça resolve ganhar um dinheiro trabalhando em um hotel. A idéia é também aprender algo sobre o ser humano enquanto se trabalha subserviente à ele. Mas as relações de trabalho não foram inventadas para oportunizar jovens escritores a ganhar experiências de vida. O que dizer? Li os contos com prazer. São de fato bons exercicios de escrevinhação, mas eu estou mal acostumado, acabei de ler o livro de estréia do Philip Roth e fico a pensar que um sujeito que vai enfrentar resmas de papel em branco tem de mostrar mais estofo logo de cara, não pode apenas mostrar exuberância e bem escrever, há que mostrar vísceras expostas, de alguma forma se expor sem medo e sem pudor. Dueña Carol me fez anotar seu nome e me faz esperar algo que venha de seu futuro imediato. Sabe-se lá quando um Nathan Zuckerman não aparece na vida da gente. Vale a leitura. [início 17/03/2009 - fim 20/03/2009]
"Pó de parede", Carol Bensimon, não editora (1a. edição) 2008, brochura 13x18, 122 págs. ISBN: 978-85-61249-05-2

terça-feira, 21 de abril de 2009

playback

Por sugestão de um amigo meu resolvi experimentar este Raymond Chandler. De fato apesar de ter lido muitos romances policiais nunca havia experimentado Chandler, conhecido como um mestre neste ofício. Claro, eu já o conhecia através do cinema, pois é de Chandler a criação do detetive particular Philip Marlowe, interpretado por Humphrey Bogart no "Falcão Maltês", filme que já vi um bocado de vezes. Este "Para sempre ou nunca mais" é a tradução de um original publicado em 1958 simplesmente como "Playback" (vá saber porque a editora resolveu usar este título português). Em duas páginas todos os clichês que usualmente associamos aos livros de detetive já são utilizados: uma loura fatal, um detetive entediado com um cigarro fumegante preso no canto da boca, uma sucessão de frases espirituosas e cortantes sendo trocadas entre os dois, uma ameaça de chuva, uma gabardine cinza que esconde as curvas (certamente voluptuosas) da loura, uma requisição enigmática dos serviços do detetive. Tudo muito cinematográfico, visual. Claro, o sujeito praticamente reinventou este estilo de literatura e impregnou todas as gerações futuras de cinéfilos com estes signos. É um livro que se lê de um fôlego só. Tudo acontece muito rapidamente, mas há também alguma reflexão sobre a condição humana, sobre Deus e a fé, principalmente. O detetive é contratado para seguir uma moça e logo chega a um hotel de luxo na fronteira dos Estados Unidos com o México. Aparentemente ela foi acusada de assassinato em um estado do meio oeste americano. Vários outros sujeitos também estão no seu encalço, sujeitos que não hesitam em usar de violência e até matar quem se interpõe entre eles e a moça. Ela é uma sobrevivente, portanto tampouco hesita em utilizar-se da mentira e da sedução para se safar. O detetive Marlowe parece sempre estar um passo atrás da ação e das peripécias da moça mas no final (claro!) vai ser a peça chave no desfecho da trama. Livro tranquilo de se ler, na verdade o sujeito escreve mesmo muito bem. Dei boas risadas mas há que considerar que este mundo glamuroso com sua ética e moral próprios, de sessenta, setenta anos atrás, não existe mais. No mundo de hoje, muito mais cínico e devasso, povoado por Bushs e Madoffs, Sarneys e Collors, Tarsos e Protógenes, Castros e Chavez, Lulas e outros medíocres de plantão, o mal cheiro é muito mais intolerável. [início 19/03/2009 - fim 20/03/2009]
"Para sempre ou nunca mais", Raymond Chandler, tradução de Pedro Gonzaga, editora LP&M (1a. edição) 2007, brochura 11x18, 176 págs. ISBN: 978-85-254-1705-3