quinta-feira, 2 de abril de 2009

os homens que não

Este "Os homens que não amavam as mulheres" é mais um dos livros indicados por minha amiga Cristina Goméz Polo, moradora das terras altas de Navarra. Um dia ela me perguntou se Stieg Larsson era um best-seller por aqui e eu não soube responder. Olhei uma lista de mais vendidos e lá estava este volume. Curioso, comprei para ler durante o feriado de carnaval, dias medonhos para um cético incorrigível como eu. Este livro é o primeiro volume de uma trilogia que foi publicada originalmente em sueco em 2005 e que alcançou rapidamente grande número de entusiásticos leitores na Europa. Uma versão cinematográfica já foi produzida na Suécia. Por conta de uma daquelas coincidências caras ao Jung o autor morreu jovem e imediatamente após entregar os originais a seu editor, o que só aumentou a aura de livro maldito desde o início. Trata-se de um romance policial, um thriller, uma história de suspense, mas que é recheada de informações muito precisas sobre a sociedade atual. Não se trata de uma descrição muito generosa. Stieg Larsson nos apresenta uma Suécia falsa, inconstante, hipócrita, cruel, xenofobista, perversa mesmo. Estes adjetivos todos poderiam ser aplicados a toda sociedade ocidental contemporânea, acredito eu, inclusive a brasileira, tão mesquinha e tacanha. O enredo é movimentado. Dois personagens fortes são apresentados: o primeiro é um jornalista investigativo cuja ética e disciplina moral o leva a desvendar casos e negociatas escabrosas que envolvem os grandes grupos financeiros, políticos e de comunicação, os donos de plantão do poder; a segunda personagem é uma jovem investigadora, "hacker" nas horas vagas, anarquista ao extremo, no espírito e nas ações, mas que tem de lutar para manter-se, com alguma honestidade intelectual, à margem da sociedade, sem ser incomodada. Os destinos de ambos se cruzam ao investigarem o passado (e o presente) de uma sólida e tradicional família sueca. É um livro poderoso. Certamente vou tentar encontrar os dois volumes que o seguirão (mas que certamente envolverão outras histórias, outros problemas). É fácil lembrar de Bergman ou fazer uma associação entre este livro e o excelente "Festa de família", filme de Thomas Vinterberg lançado em 1998, um dos filmes feitos sob o espírito do projeto cinematográfico Dogma95. Eu, que estive na Suécia em um idílico passeio no íncio dos anos 1990, fiquei arrebatado com a crueza com que o autor revela o quão sombria é aquela sociedade. Dueña Natália Diacoyannis, também uma viajante e dona de um fino juízo tem razão: "Uma coisa é ser turista, pois todo o mundo te trata com respeito por ver que você é turista e está dando seu dinheiro para o país deles, outra coisa é viver com eles por algum tempo...". [início 23/02/2009 - fim 24/02/2009]
"Os homens que não amavam as mulheres - Millennium 1", Stieg Larsson, tradução de Paulo Neves, editora Companhia das Letras (1a. edição) 2008, brochura 16x23, 522 págs. ISBN: 978-85-359-1324-8

2 comentários:

Tempestade Interior disse...

Uau! Dá vontade de ler.
Sou mais de leituras pouco intelectuais, mais pra infanto-juvenil; mas tua descrição do livro é tão intensa que mesmo a estória ser da sociedade mesquinha, dá muita curiosidade em ler.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a capa, aliás, foi a 1ª coisa que notei. Fiquei realmente impressionada com as ilustrações de dragões em chamas, parece meio japonês. E o tom da cor do fogo é um convite a folhear as páginas e encontrar um vulcão em erupção!

Aguinaldo, sinceramente gosto muito de ler tuas críticas a respeito dos livros. Tu não copia o resumo da internet, mas sim dá teu próprio parecer das viajens que fez através da leitura.

Um grande abraço!

Tempestade Interior disse...

Olá Aguinaldo!!
Muito obrigada pela intenção de emprestar o livro, mas não estou morando mais em SM, infelizmente, porque eu queria voltar. Talvez um dia eu consiga.

Tu tem algum livro sobre Física ou Astronomia pra me indicar, ou algum autor? Pode ser do estilo de O Universo numa Casca de noz.
Obrigada.

Sabe, gosto de Física, mas não de matemática. Eu tinha um sonho de ser astrônoma, mas não sei se consigo superar as exatas.
Comecei Física bacharelado aí na UFSM em 2008, mas desisti logo no 1° mês.

Obrigada mais uma vez!
Um grande abraço e um ótimo fim de semana também.

;D