domingo, 18 de dezembro de 2011

poemas de wislawa szymborska

Esqueci do Lustra, coloquei o Macau de lado, Uma viagem à Índia se apequenou num ai, Entremilênios mal deixou eco, n.d.a. perdeu seu brilho, Terceira sede parece bobo, A balada do velho marinheiro deixou de ecooar forte em minha memória. Tudo o que li de poesia nesse 2011 repentinamente ficou pálido e sem viço. Claro, estou exagerando, há vezes que sou mesmo um cabotino teatral demais, mas de qualquer forma esses poemas de Wislawa Szymborska (que ganhou o prêmio Nobel de 1996) são estupendos, seminais, assombrosos. Cousa de gênio. Li e reli, mostrei aos amigos. Esse é o teste definitivo. Quando você não fica com vergonha de mostrar ou declamar um poema para os amigos é porque está seguro que não vai passar por um bobo sentimental. Nada que eu escreva emula, ainda que parcialmente, o prazer de encontrá-los pela primeira vez, pequenas jóias, pequenas construções, recolhos de palavras simples que escondem uma potência dos diabos. A tradutora destas maravilhas, Regina Przybycien, selecionou poemas entre toda a produção de Szymborska, desde os do distante 1957 até os mais recentes, de 2002. Ela assina também um pequeno prefácio biográfico. A edição inclui as versões originais dos poemas. Com isso esse livro poderá ser também utilizado para fins didáticos, por aqueles que querem se familiarizar com o polonês. Nelson Ascher assina a orelha do livro, com um texto conciso e forte. Se é para recortar algo do livro escolho esse: "As três palavras mais estranhas. Quando pronuncio a palavra Futuro, / a primeira sílaba já se perde no passado. / Quando pronuncio a palavra Silêncio, / suprimo-o. / Quando pronuncio a palavra Nada, / crio algo que não cabe em nenhum não ser. /" [início: 14/12/2011 - fim: 18/12/2011] 
"Poemas", Wislawa Szymborska, tradução de Regina Przybycien, São Paulo: editora Companhia das Letras (1a. edição) 2011, brochura 14x21, 165 págs. ISBN: 978-85-359-1957-8

Um comentário:

Clara Lopez disse...

Eu também o leio como ambrosia - devagar, provando e pensando cada verso de alguns magistrais poemas,
mas ela é tudo isso mesmo que vc diz, subscrevo, e um abraço,
clara