domingo, 6 de janeiro de 2008

harry potter (vol.7)

"Harry Potter e as relíquias da morte" é o sétimo volume desta série. Provavelmente é o último, muito embora sua autora tenha dito recentemente que daqui a dez anos poderia considerar mais seriamente voltar a estes personagens mágicos. Deve ser mesmo difícil abandonar uma mina de ouro. Não há muito de original que escrever sobre a série, sua autora ou a gênese deste fenômeno editorial. A partir do lançamento da primeiro livro da série em 1997 a ansiedade e a expectativa pela continuação da história somente aumentou. Lembro-me de ter comprado os quatro primeiros e dado de presente para dueña Natália. Claro que os li também e entrei um tanto neste mundo mágico, vimos juntos os filmes produzidos, jogamos os jogos em playstation e nos divertimos muito com isto. Os dois volumes seguintes ela não leu. Por hábito e compulsão li todos os demais e acabei de ler este "relíquias da morte" quase em uma sentada só, em pouco mais de dois dias. É mesmo um livro feito para se ler rápido, com as situações se sucedendo sem dar fôlego ao leitor. Claro que muito material novo foi acrescentado ao enredo para permitir que todos os detalhes da história fossem finalizados. O último capítulo é totalmente dispensável, mas ela é a mulher que inventou a história e ficou milionária com isto, portanto não será este menor-dos-anões brazuca que vai ensiná-la a escrever um livro. De qualquer forma acredito que talvez, caso ela não tivesse a pressão dos contratos e do público cobrando a publicação, fosse o caso dela deixar os originais deste livro guardados em alguma gaveta para serem retrabalhados melhor depois. Vê-se nitidamente que ele não tem o frescor e a imaginação vívida dos primeiros volumes. Não vou escrever detalhes sobre o enredo ou sobre o desfecho da trama aqui (há centenas de sites de entusiastas onde estas informações podem ser obtidas). Se é que eu entendo a apreciação sobre o valor destes livros se divide em dois grupos distintos. Há quem acredite que o simples fato de milhares de novos leitores terem sido acrescentados ao mundo da literatura justifica a simplicidade do texto e a fragilidade do enredo. Há aqueles que vêem este fenômeno apenas como mais um de uma longa tradição de textos de consumo fácil que são esquecidos pelas futuras gerações. Sou um defensor do primeiro grupo. Acredito que o arrebatamento provocado pelas primeiras leituras deve fazer com que um sujeito passe a continuar a ler, refinando progressivamente seu gosto e a abrangência de suas leituras, mas sobre isto apenas as futuras gerações poderão falar mais.
Harry Potter e as relíquias da morte, J.K. Rowling, tradução de Lia Wyler, editora Rocco, 1a. edição (2007) brochura 14 x 21 cm, 590 pág., ISBN: 978-85-325-2261-0

3 comentários:

vvillasboas disse...

Oi Guina,

Eu e o Dan demos uma olhada nos seus dois blogs e eu, pessoalmente, achei-os fantásticos. Desculpe-me a comparação, mas eu me senti em um restaurante de cultura, onde se pode ter uma idéia prévia das iguarias a degustar. Eu comecei a ler o Harry Potter volume 6 na noite de sábado. Eu sempre estou lendo o volume do ano anterior e correndo para terminar antes do filme ser lançado. Comprei todos estes livros para o Dan, mas até hoje não consegui fazê-lo ler nenhum deles. Que tristeza! Aliás concordo plenamente com você sobre o fato de que o impacto provocado pelas primeiras leituras é o grande responsável para que uma pessoa passe a continuar a ler, refinando progressivamente seu gosto e a abrangência de suas leituras. Deus queira eu consiga isso com Thomas e Isabella. Valeu por compartilhar com o mundo toda esta sua grande experiência. Eu vou passar por aqui sempre que possível. Beijos

Val

Tempestade Interior disse...

Olá!

Particularmente gostei do livro.
Claro que, como tu disse, não tem a mesma "magia" dos anteriores. Mas é bom também!

O que mais me encanta na autora Rowling, é a capacidade de transformar fatos de sua vida (como li numa reportagem, que ela se baseou num período depressivo que viveu, pra criar os dementadores) em formas literalmente poéticas (no sentido de criativas).

Veja-se o exemplo do Jô Soares, no livro "O Xangô de Baker Street" no qual simplesmente "copia" os personagens famosos criados por Conan Doyle: Sherlock e Watson. Isso não é nada original! Basear-se na popularidade para vender mais. Indigno-me!!

Agora, veja, Rowling, é diferente.
è totalmente ela mesma. Escreve sobre o que a encanta desde menina: estórias magico-fantásticas de bruxinhos "de bem".

E, sim, tbm compartilho a ideia de Harry Potter como formador de novos leitores.

Comecei a ler Harry com onze anos, exatamente sua idade no primeiro livro. Literalmente cresci com o personagem e minha paixão por livros nasceu aí.


Claro que a saga Harry Potter não encanta a todos, opiniões e gostos são múltiplos. Mas reconheçamos, não é qualquer um que conseguiria criar algo tão esplêndido e grandioso!

Grande Abraço.
E um excelente 2010!
;D

ana flávia rêgo mota disse...

Posso dizer que cresci com o Harry Potter. Li o primeiro livro da saga o quando tinha dez anos e ele tinha acabado de ser lançado aqui. Isso me leva a concordar inteiramente com você, se hoje leio é porque os livros do hp me despertaram para esse universo.

Sou muito fã do seu site, agradeço sua dedicação em fazer essas resenhas, e fiquei feliz de ver que a JK Rowling estava aqui no meio de tantos clássicos.