domingo, 6 de janeiro de 2008

histórias de literatura

Este é um curto livro sobre três grandes escritores: o irlandês James Joyce, o brasileiro João Cabral de Melo Neto e o argentino Jorge Luís Borges. O primeiro teve problemas nos olhos durante toda a vida, sofreu várias operações dolorosas, já os dois últimos ficaram realmente totalmente cegos no final da vida. Julián Fuks usa este fato para escrever um tanto sobre os três escritores. Não é exatamente um livro biográfico. Lembra um tanto os livros de Ricardo Piglia, onde um assunto de abordado como se o próprio indivíduo estivesse contando passagens de sua vida, revivendo as passagens para o leitor. O livro é de fato muito bem escrito. Percebe-se também que o autor gosta muito de seus quase-biografados. Fuks escolheu algumas passagens emblemáticas da vida de cada um e as conta com muita elegância e precisão. Trata-se também de um livro confessional, pois Fuks atuou como jornalista profissional durante alguns anos e deve ter tido chances de entrevistar autores consagrados. Há uma passagem no livro onde João Cabral é entrevistado por um jornalista iniciante que é de fato lírica e tocante. Há várias referências incluídas no final de cada um dos três capítulos do livro, de forma que este pode servir também para introduzir o leitor ao universo literário dos escritores. Especulando livremente acredito que este texto ou ao menos uma versão dele um dia deve ter sido utilizado em uma dissertação ou em um trabalho acadêmico de Julian Fuks, mas a transposição para o formato livro é muito bem feita. É um livro pequeno, lê-se com facilidade em uma tarde inspirada. Não por isto, mas por ter muita informação em poucas páginas que acho ser o tipo de livro que pode ser recomendado sem medo.
Histórias de literatura e cegueira, Julián Fuks, editora Record, 1a. edição (2007) brochura 14 x 21 cm, 160 pág., ISBN: 978-85-010-7943-5

Um comentário:

Julián Fuks disse...

Opa, caro Aguinaldo, muito agradeço os gentis e cuidadosos comentários sobre meu livro. Você não se engana em sua especulação: de fato a obra nasceu de um texto acadêmico, meu trabalho de conclusão de curso na faculdade de jornalismo. Grato abraço.