segunda-feira, 8 de setembro de 2008

as pernas de úrsula

Dorothy Parker escreveu em algum lugar que há livros que devemos abandonar com tédio na mesa de cabeceira da cama, mas há livros que devemos jogar pela janela, com força. Este "As pernas de Úrsula..." para mim não merece um destino diferente. Que livro vazio e sem nexo. Ela tenta emular como um homem pensa e reage à maturidade, aos compromissos afetivos, à paternidade, mas fracassa do começo ao fim. Se uma escritora inteligente como ela acredita que homens neste início de século XXI se comportam da forma inventada por ela estamos mesmo todos perdidos. Claro, o livro é escrito corretamente, as frases são curtas, o enredo se desenvolve sem malabarismos, mas tudo é redondinho demais, engraçadinho demais, artificial demais. Rosa Montero desenvolveu em seu "La loca de la casa" um raciocínio com o qual eu concordo: "Para a maioria dos leitores quando um homem escreve, seus personagens explicam o ser humano; mas quando uma mulher escreve, seus personagens explicam apenas as mulheres." Verdade, e cabe as escritoras fortes mudar esta percepção falsa. Mas este preconceito literário (se podemos chamá-lo assim) não vale para mitigar a qualidade de "As pernas de Úrsula", pois quando Claudia Tajes escreve seus personagens apenas repetem chavões sem fim, das mais diversas fontes, para os mais diversos usos mentais. Há frases feitas demais no livro dela, tudo é muito banal, previsível, esteriotipado mesmo. No final um epílogo explica os futuros distintos dos personagens, que afinal são rasos demais para que possamos nos interessar por sua sorte. Basta de Tajes, se é para ler literatura escrita por mulheres voltarei a Nothomb, a Montero, a Pedrosa, a Gopeguí, minhas musas de plantão neste ano.
As pernas de Úrsula e outras possibilidades, Claudia Tajes, Agir Editora, 3a. edição (2006) brochura 13.5x21cm, 128 pág., ISBN: 978-85-22-00751-9

4 comentários:

Nrike disse...

Prezado Aguinaldo,
que bom poder lhe fazer chegar estas linhas.

Acontece que tenho uma amiga que diz detestar contos. Que não existirá nenhum livro de contos que ela consiga curtir pois o conto é uma coisa que -ela já determinou- lhe é um genre proibido.

Nem adianta dizer para ela ler Garcia Marquez (teve uma "má" experiencia com "ojos de perro azul"), nem Cortazar ou muito menos Borges. Ela pode ler em português e espanhol.

No entanto, ao perguntar para ela, se tinha algum texto com cara de conto que alguma vez ela tenha achado mais ou menos atraente, ela me falou assim: se tu achares contos da linha de "as pernas de ursula", por ai que aceito tentar ler contos de novo.

Nunca li o tal livro, mas o nome Tajes me era familiar. Dai eu descobri que ela escreveu "manual sexual da mulher feia" ou coisa assim.

Poderia você me dar uma sugestão de leitura de contos, em português ou espanhol, baseado nesta historia toda?

Muito obrigado!

Atenciosamente,

Nrike

Guina Medici disse...

Olá
eu não sou especialista nisto, mas sugiro a você:
[1]Quando fui mortal, Javier Marias
[2]Café Titanic, Ivo Andritch
[3]Olhos de morcego, Leonardo Brasiliense
[4]Feliz Ano Novo,Rubem Fonseca
[5]Manual prático de levitação, José Eduardo Agualusa
Bom divertimento
Aguinaldo

Sandra Ritzel disse...

Li "As pernas de Ursula", da Claudia Tajes e adorei!!! Li tambem "A vida sexual da mulher feia". Quando eu nao gosto de um livro e simples: a leitura nao avanca.... Claudia Tajes escreve muito bem e a "leveza" da sua obra me faz bem! Li tambem "Memorias de Adriano", da Marguerite Yourcenar, que, tambem, escreveu na primeira pessoa, apos 34 anos (aproximadamente) de pesquisa... Belissima obra.

Sandra Ritzel disse...

P.S: Nao posso acentuar.Pardon... (meu note nao esta configurado para o portugues)....