sábado, 10 de outubro de 2009

antichrista

Meses atrás indiquei alguns livros de Amélie Nothomb para doña Natália. Mas este em especial, "Antichrista", foi ela quem me indicou, ou melhor, apontou na estante, quando escolhíamos algo para comprar (ela estava dividida entre Camus e Keret - um israelense jovem, eu entre Juan Benet e o inevitável Nooteboom, mas estas são outras histórias). "Antichrista", originalmente publicado em 2003 é, como a maioria dos livros de Nothomb, curto e intenso. Seus livros são monotemáticos, ou melhor dizendo, sempre focam em um aspecto específico da psique humana. No caso deste ela descreve os conflitos da adolescência de uma menina. Blanche é uma jovem que acabou de entrar na universidade. É disciplinada e estudiosa, tem boas notas, mas também é tímida e introvertida, incapaz de se relacionar com os colegas. Rapidamente é seduzida por uma outra aluna, Christa, que é justo seu oposto. Vibrante, extrovertida, sempre cercada por colegas, homens e mulheres. Estabelece-se uma relação de dominação psicológica. Christa usa a fragilidade de Blanche para obter vantagens acadêmicas, financeiras e pessoais que depois descobrimos não serem necessárias materialmente falando. Como na fábula do sapo e do escorpião, o comportamento de Christa se explica por si só, por ser sua natureza dominar e envolver, mentir e seduzir. Blanche claro é cúmplice neste jogo. Deixar-se encantar, deixar seu espaço vital ser dominado, perder o apoio dos pais e dos professores parece ser um rito de passagem pelo qual ela alcança chegar a alguma maturidade. Talvez ainda mais alegoricamente Christa seja mesmo uma faceta dela mesma, que precisa ser emulada para que Blanche possa enfim crescer e se tornar independente. Porém, parece dizer o livro ao final, todas as vezes em que nos livramos de uma armadilha, de um jogo qualquer do ego, eis que nos percebemos em uma armadilha maior, em um jogo maior, mais sofisticado e complexo. A vida parece ser mesmo assim. [início 13/09/2009 - fim 20/09/2009]
"Antichrista", Amélie Nothomb, tradução de Sergi Pàmies, editorial anagrama (1a. edição) 2009, brochura 11.5x18cm, 130 págs., ISBN: 978-84-9711-086-0

Um comentário:

Natália C. Diacoyannis disse...

Que legal que tu leu o livro, como não ia ler né!
É um livro curioso esse, porque ela fica narrando o livro inteiro sobre uma mesma situação, de uma maneira que me pareceu até um pouco monotono e sem graça mas que mesmo assim ela escrevia de um jeito que não dava pra parar de ler.