sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

johnny cash

"Johnny Cash: I see the darkness" foi lançado originalmente em alemão em 2006. Ganhou boa recepção tanto no público de quadrinhos quanto nos fãs de Johnny Cash. Ele foi um dos mais influentes músicos americanos da segunda metade do século passado e teve uma vida bastante conturbada, que até ganhou uma versão cinematográfica anos atrás. Eu pouco conhecia de sua vida ou mesmo de suas músicas. Aprendi um tanto lendo este livro. O autor é um sujeito (artista plástico, ilustrador, designer) que não tinha muita ligação com o universo musical americano, mas aparentemente fez um bom trabalho. O traço é muito bom e acompanhamos algumas das passagens importantes da vida e da carreira de Cash com muito prazer. Talvez o certo fosse ler o livro enquanto se ouve as músicas dele, muitas delas transcritas nas margens dos quadrinhos ou flutuando sobre eles. É um trabalho plástico realmente muito bom, com direito a uma curta biografia e um breve glossário. Curiosamente o tradutor para o português é um gaúcho que estudou em Santa Maria. Augusto Paim morava na Alemanha na época do lançamento original do livro e se interessou em traduzi-lo para o português. Ele chegou inclusive em organizar um lançamento na CESMA recentemente. Há vezes que grandes projetos surgem mesmo de felizes acasos. [início - fim 18/12/2009]
"Johnny Cash: uma biografia", Reinhard Kleist, tradução de Augusto Paim, editora 8Inverso, 1a. edição (2009), brochura 17x24 cm, 224 págs., ISBN: 978-85-62696-01-5

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

o complexo de portnoy

"Complexo de Portnoy" é um dos livros mais divertidos que já li. Em meados dos anos 1980 li uma edição surrada que tomei emprestado. Quando vi esta edição (comemorativa dos 35 anos do lançamento original) achei que estava na hora de voltar as aventuras de Alexander Portnoy. Aquilo que Philip Roth conta como autobiografia em "The facts" (que li noutro dia em uma edição espanhola, já resenhada aqui) é trabalhado ficcionalmente em "Complexo de Portnoy". Quarto livro de Roth e publicado em 1969, provocou muita discussão dentro da comunidade judaica e curiosidade do público "goy", garantindo a Roth, nos seus trinta e poucos anos, reconhecimento como um dos grandes escritores americanos de sua geração. Portnoy, um advogado de sucesso, 33 anos, funcionário importante da prefeitura de Nova Iorque, conta em suas sessões de análise (nas quais nada sabemos do analista) as memórias que o incomodam. Ele descreve a si mesmo como um retardado emocional. O livro é dividido em seis partes (icônicas daquilo que se entende como tipicamente judaicas). As três primeiras partes falam de um Portnoy jovem e adolescente, sua relação com a família, com a masturbação, suas crises religiosas, sua relação com a escola e os esportes. Mesmo se aceitando que hoje em dia ninguém se escandaliza tanto com descrições detalhadas de como o sexo é central na vida de cada um, o texto continua sendo realmente divertido de se ler. Esta parte inicial toma só um terço do livro. Em algum ponto no final da adolescência, após uma operação delicada e o medo da morte, Portnoy passa por uma metamorfose e o sexo torna-se de fato o centro explosivo de sua vida. De certa maneira ele usa as experiências sexuais como caminho para uma libertação pessoal (da família, dos amigos, das regras sociais). Ele abandona de vez a sinagoga, passa a ter uma vida sexual regular, se envolvendo com várias mulheres nas universidades que frequenta. Quando encontra uma namorada culta e inteligente descobre que ela é em geral reprimida sexualmente ou beata demais; quando encontra uma mulher boa de cama, liberada, não consegue dividir intelectualmente nenhuma experiência mais sofisticada. Portnoy tenta resolver seu Édipo seduzindo uma moça judia sardenta parecida com sua mãe; após brigar com sua namorada liberal, com a qual tem as experiências sexuais mais divertidas do livro, viaja para Israel em busca de algum tipo de iluminação, mas descobre que os problemas são dele, não dos outros. Em Israel tudo é desconhecido, reencontra uma amiga em um kibutz, mas descobre-se algo impotente, como se estivesse punindo a si mesmo por suas estrepolias sexuais. Na última sessão de análise mostra sua paranóia uma vez mais e dá um grito que lembra o Joyce do Finnegans Wake. Após isto o analista (Dr. Spielvogel) diz finalmente algo como "Agora podemos começar a trabalhar, sem mais teatro". Muito divertido mesmo. [início 14/12/2009 - fim 17/12/2009]
"O complexo de Portnoy", Philip Roth, tradução de Paulo Henriques Britto, editora Companhia das Letras , 1a. edição (2004), brochura 14x21 cm, 261 págs. ISBN: 978-85-359-0589-2

sábado, 9 de janeiro de 2010

em busca do tempo perdido

Stéphane Heuet é um publicitário e artista plástico belga de cinquenta e poucos anos que decidiu adaptar para os quadrinhos os romances que formam o ciclo "Em busca do tempo perdido", de Marcel Proust. O primeiro dos ensaios saiu originalmente em 1998. A editora Zahar havia publicado a versão brasileira do "Um amor de Swann - parte1", quarto volume da série, em 2007, mas esta deve ter se esgotado muito rapidamente pois só agora, no final de 2009, consegui um exemplar. Claro que esta adaptação não substitui a leitura da versão original (poucos livros são tão seminais e poderosos como os sete volumes deste ciclo), mas é uma experiência rica voltar aos personagens, à ambientação, ser novamente apresentado a algumas das passagens memoráveis produzidas por Proust. Como não sofrer, junto com Charles Swann, das dores do amor e do ciúme. A edição é bem cuidada e traz um bom mapa da Paris retratada no livro, bem como uma espécie de glossário, onde os personagens são apresentados e com informações complementares, dirigidas àqueles pouco familiarizados com a obra de Proust, que possibilitam uma apreciação mais prazeirosa do livro. De ser mesmo uma ocupação maravilhosa dedicar-se a esta adaptação. [início 15/12/2009 - fim 15/12/2009]
"Em busca do tempo perdido - Um amor de Swann (parte1)", Marcel Proust, adaptado e desenhado por Stéphane Heuet, tradução de André Telles, editora Zahar, 1a. edição (2007), capa dura 21x28 cm, 52 págs. ISBN: 978-85-7110-992-6

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

festa sob as bombas

Noutro dia o acaso me levou a uma prateleira de livraria onde dois livros de Elias Canetti pareciam esperar sorrateiros por mim. Nada sabia destas novas edições. Que bela surpresa. Há quanto tempo não lia ou relia nada dele? Lembrei-me que nos anos 1980 li "Auto-de-fé", "Massa e poder", os três maravilhosos livros de memórias ("A língua absolvida", "A luz em meu ouvido", "O jogo de olhos"), os livros de viagem, o livro de aforismos. O primeiro dos livros de memórias dei de presente várias vezes ao longo dos anos e inúmeras vezes contei histórias dele aos amigos, como se fossem histórias de alguém realmente próximo, familiar. "Festa sob as bombas" é um livro de memórias publicado originalmente em 2003, dez anos após a morte de Canetti. Ele havia decidido que mesmo no final da vida estava ainda muito próximo dos assuntos e das pessoas que retrata nestas anotações. Os manuscritos, trabalhados em 1991 e 1992, foram escritos em Zurich, onde Canetti viveu seus últimos anos, e retratam os sucessos do que ele chamou de "anos ingleses", o período entre o final dos anos 1930 e os anos 1940, principalmente a segunda grande guerra. Já algo respeitado por conta de seu romance "Auto-de-fé", Canetti é um jovem emigrante que vive modestamente em uma Inglaterra marcada pela guerra. Relaciona-se com muita gente, de extratos sociais bastante distintos, desde aristocratas influentes a colegas intelectuais expatriados, passando pela gente simples da Londres suburbana e do campo inglês. Há muito humor nestas lembranças. As descrições dos indivíduos e das recepções (algumas literárias, a maioria mundanas) são sempre ricas e vibrantes. Acompanhamos Canetti pelos salões e pelos passeios pelo campo com vívido interesse. Para um sujeito observador e bom ouvinte nada é absolutamente supérfluo ou irrelevante. Ao mesmo tempo que aprende a entender o caráter básico do inglês (de soberba e hipocrisia eles entendem, nos ensina Canetti), ele se posiciona, defendendo seus pontos de vista sobre a guerra, sobre a opressão e também sobre os sombrios em que Margareth Thatcher foi primeira-ministra da Inglaterra. Canetti é discreto quando fala das muitas mulheres com que se relaciona e que são citadas no livro, mas quando fala de Iris Murdoch (à época com vinte e poucos anos) ele é demolidor, quase cruel. A edição é muito bem cuidada, com um generoso posfácio (escrito por Jeremy Adler), um bom apêndice e um protocolar índice onomástico. Algumas reproduções de fotografias completam este belo volume, que certamente vai encantar os antigos leitores de Canetti. [início 12/12/2009 - fim 14/12/2009]
"Festa sob as bombas", Elias Canetti, tradução de Markus Lasch, editora Estação Liberdade, 1a. edição (2009), brochura 14x21 cm, 231 págs. ISBN: 978-85-7448-159-3

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

estampas bostonianas

Não gostei nem um pouco deste pequeno livro de Rosa Montero. “Estampas bostonianas y otros viajes” reúne 7 textos produzidos originalmente para publicação em jornais. Os textos foram escritos entre 1979 e 1998 como reportagens ligeiras e a meu juízo deveriam ter continuado a amarelecer junto com os jornais onde foram impressos. Ela fala de um lugar onde viveu por longo tempo, trabalhou, aprendeu a conhecer bem (Boston) e de lugares que apenas visitou por encomenda, por conta de seu trabalho de jornalista (Iraque, Austrália, Polo Norte, Sahara Ocidental, China, Alaska). Quase todos soam anacrônicos neste final da primeira década do século XXI. Acho que a publicação em livro de textos desta natureza só tem interesse historiográfico. O estranhamento que temos é parecido com aquele que experimentamos quando por ventura nos cai em mãos um texto de nossa juventude, encontrado entre as páginas de um velho livro. Percebemos logo a falta de estofo, de informações ainda confiáveis, de alguma verdade perene, de algum ritmo e estilo literário satisfatório. Arre! Que diferença das crônicas de Javier Marías, também escritas para jornal, que li recentemente. Nele tudo ainda parece falar da verdade imediata, dos acontecimentos de nosso tempo. A voz vem do passado, sabemos disto, mas ainda é poderosa e leva o leitor a pensar. Talvez seja esta a grande arte de um bom cronista de costumes, um bom leitor da alma humana. Pois eu abandonarei Rosa Montero no passado e seguirei em frente. [início 10/12/2009 - fim 12/12/2009]
"Estampas bostonianas y otros viajes", Rosa Montero, editora Punto de lectura (2a. edição) 2008, brochura 12,5x19, 171 págs., ISBN: 978-84-663-2121-1

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

la sombra del águila

Neste pequeno livro Arturo Pérez-Reverte conta os sucessos de uma batalha que teria acontecido durante a campanha russa de Napoleão de 1812. Saber se o que Pérez-Reverte conta é real ou ficção não é importante, pois a história acaba prendendo a atenção do leitor de qualquer forma. O livro se desenvolve a partir de uma situação muito curiosa que teria acontecido em uma batalha (Sbodonovo diz o livro, seria Dorogobouge, perto de Smolensk - sei lá?). Pois um batalhão de soldados espanhóis agregados ao exército de Napoleão em meio a esta batalha toma a decisão de desertar, indo em direção ao inimigo russo. O movimento é perigoso, pois tanto os russos podem não acreditar na veracidade na rendição, quanto os franceses podem percebê-la antes de consumada. A sorte da batalha em si pendia para o lado russo, com pesadas perdas para o lado francês durante todo o dia, todavia o movimento inusitado do batalhão espanhol dá novo ânimo às tropas francesas. Napoleão ordena a um de seus melhores marechais liderear uma carga de cavalaria em apoio ao grupo e com isto decidem a sorte da batalha de forma inequívoca. A vitória francesa é completa. O membros do batalhão de espanhóis são tratados como heróis. O capitão que os comandava chega a receber uma medalha das mãos do próprio Napoleão, medalha retirada do peito de um de seus estupefactos generais. Ficamos sabendo que o grupo de espanhóis fora forçado a se alistar no exército napoleônico nos preparativos para a invasão à Rússia. A Espanha já havia sido dominada por Napoleão seis ou sete anos antes e as forças espanholas estacionadas em Flandres (na época província espanhola, hoje correspondente mais ou menos a parte meridional da Holanda) acabam tendo de aceitar o alistamento forçado ou a morte. Como se diz em espanhol "De perdidos al río". A partir daí o desastre é inevitável. Napoleão alcança Moscou, mas o inverno chega e a sorte do exército francês acaba. Em um determinado momento somos levados a acreditar que o imperador sabe do falso heroísmo daquele grupo, mas que o utilizou para seus fins práticos. A volta para a Espanha é penosa. Dos 5.000 prisoneiros, 2.000 haviam se alistado, 500 eram os que tentaram desertar, 300 chegam a atravessar o rio Berezina, fugindo dos russos, e apenas 11 chegam sujos, estropiados, ainda vestindo as cores do exército francês, à fronteira espanhola. Um toque de guitarra gitana e a desconfiança da fronteira arrefece. O grupo pode entrar em sua terra e esquecer a guerra. É uma história muito humana, onde o papel do indivíduo frente a loucura da decisões frias dos comandantes é evidenciada. A descrição que Pérez-Reverte faz dos militares franceses (nomes que conhecemos de outras fontes, mais laudatórias e glorificantes) é sempre ácida, cheia de sarcasmo. O livro inclui belas ilustrações produzidas por inspiração no texto. Ignacio Ballesteros é nome do ilustrador. Curioso e tocante livro. [início 25/11/2009 - fim 09/12/2009]
"La sobra del águila", Arturo Pérez-Reverte, editora Punto de lectura (4a. edição) 2001, brochura 11x21,5, 173 págs., ISBN: 978-84-663-0061-9

domingo, 3 de janeiro de 2010

os espiões

Leio com alguma regularidade as crônicas de Luis Fernando Verissimo publicadas em jornais, mas não sou um entusiasta do que ele faz (mas concordo que comparado com a maioria dos que publicam crônicas em jornais hoje em dia seu texto é muito superior). Ele de certo sabe contar uma história curta e deixar nelas sua marca de autor já experimentado, capitão de longo curso. Em "Os espiões" ele produz uma narrativa mais longa (ma non troppo, são pouco menos de 150 páginas com uma formatação bem generosa). Há frases de efeito muito boas e situações muito divertidas são contadas. Um grupo de sujeitos, algo deslocados em suas atividades profissionais, ficam obcecados com a verossimilhança ou não de uma história que está sendo contada em um livro (um deles trabalha em uma editora que recebeu parte dos originais de um romance onde uma história de amor, traição e morte é contada). Acreditando terem encontrado na ficção do livro vários crimes já consumados e trambém uma situação de perigo real e iminente à vida da própria escritora, decidem investigar o causo. Como todos são algo patetas, a partir daí uma sucessão de erros, confusões e mal interpretações da realidade acontecem, mas o desfecho é previsível, pois desde o início o narrador se lamenta de como conduziu a situação. A metáfora base do livro, o mito de Ariadne, funciona como uma camisa de força para o texto, também na ficção não há como fugir do destino marcado pelas Parcas. Não há o que reclamar da forma do livro. Ele tem bons personagens, um enredo envolvente, algumas discussões importantes (o papel das editoras na produção literária, a solidão doentia em uma grande cidade, o provincianismo mortal das pequenas cidades, a fraqueza moral do homem). Não fico muito satisfeito com livros onde não há a menor chance de ser surpreendido, onde tudo fica bem explicado e mastigado para o leitor. Sempre espero algo com mais estofo, algo que me leve a pensar. Paciência. [início 05/12/2009 - fim 08/12/2009]
"Os espiões", Luis Fernando Verissimo, editora Alfaguara, 1a. edição (2009), brochura 15x23,5 cm, 142 págs. ISBN: 978-85-60281-99-2


sábado, 2 de janeiro de 2010

a culpa é do padre

Conheço o Ronaldo Lippold há vários anos, mas só mais recentemente tivermos a chance de criar alguma camaradagem de fato, aproveitando oportunidades de tocar conversas com vagar. Em algum ponto entre o Carnaval e a Páscoa do ano passado ele começou a escrever textos memorialísticos, registrar situações engraçadas aconteceram com ele e com seus amigos (algum teimavam em morrer jovens e ele começou a achar que antes que alguém se desse conta a memória de todos eles estaria perdida). Começou a escrever e não parou mais. Juntou algumas histórias e mandou para os amigos darem sua opinião. De minha parte li e gostei, fiz minhas anotações, conversamos um rato sobre o formato e o ritmo das histórias. São coisas muito pessoais, contadas de uma forma muito particular, como se ele estivesse mesmo em uma roda de amigos contando causos. Elas acabam formando um conjunto realmente interessante, tocante, autêntico. Certamente mesmo quem não nasceu em Santa Maria ou conheceu seus personagens se envolve com as histórias, que em geral se valem do inusitado ou do bizarro de momentos simples da vida. Ronaldo convidou um grande ilustrador (também poeta e designer) santa-mariense, o Jorge Ubiratã - Byrata - Lopes para preparar os originais do livro. Cercou-se de um grupo de apoiadores financeiros (não existe almoço grátis, já disse o Milton Friedman) e produziu seu livro. Lançou o livro em grande estilo (eu peguei meu autógrafo no Zepelin em uma noite divertida) e como é vendedor de profissão anda pelos pagos do Rio Grande do Sul mascateando - com sucesso - seu livro. Está feliz com a recepção (o livro já ultrapassou o Mampituba, cousa rara) e feliz com o reconhecimento pela qualidade do registro que ele fez. Concordo com o que escreveu Hilda Simões Lopes na apresentação do livro: "A culpa é do padre" é uma homenagem à vida. Pois que seja então longa a vida e a arte deste livro. [início 02/12/2009 - fim 07/12/2009]
"A culpa é do padre", Ronaldo Lippold, editora Manuzio, 1a. edição (2009), brochura 14,5x21cm, 112 págs. ISBN: 978-85-7782-114-3

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

culinária japonesa para brasileiros

Este pequeno livro de culinária japonesa frequentou minha cozinha por um par de semanas. De fato só consegui paciência e ritmo para produzir um arroz de shitake e um refogado com folhas de espinafre, mas li o livro com muito prazer. Carlos Ribeiro é um paraibano que se encantou com a cultura japonesa, fez algumas viagens gastronômicas por lá e trabalha em São Paulo no ramo de culinária. Apesar de seguir os procedimentos e técnicas tradicionais, ele apresenta suas receitas já adaptadas aos ingredientes brasileiros ou ao menos àqueles que se podem encontrar em uma cidade grande e diversificada como São Paulo, mas na culinária nada é impossível se o sujeito tiver alguma imaginação. As receitas são apresentadas por sua região de procedência, da grande ilha do norte, Hokkaido, até as menores ilhas do sul, Kyushu e Okinawa, passando por toda a região central, Chubu, Chugoku, Kanto, Tohoku, Kansai, Shikoku. O livro tem um pequeno glossário, uma necessária parte inicial onde ele apresenta as receitas de base (caldos, molhos, temperos) e uma breve descrição dos utensílios mais importantes. As fotos são belíssimas - sempre são em livros de culinária. Carlos inclui também sugestões de harmonizações possíveis de cada prato com sakês ou vinhos. Belo e divertido livro para se ter por perto em um dia inspirado. Este será um ano onde vou cozinhar mais, seguro que sim. [início 01/11/2009 - fim 04/12/2009]
"Culinária japonesa para brasileiros: ingredientes, receitas, utensílios", Carlos Ribeiro, receitas de Masayoshi Matsumoto, fotos de Tadeu Brunelli, editora Publifolha, 1a. edição (2009), brochura 14x21cm, 144 págs. ISBN: 978-85-7914-065-5