domingo, 10 de agosto de 2008

a filha do canibal

Achei este livro de Rosa Montero em um sebo, já há tempos, mas só agora engatei de ler. Na versão original foi publicado em 1997. É um romance curioso, ela escreve ora em primeira pessoa, ora em terceira pessoa; a personagem principal tem algo da biografia da própria autora (uma personagem, Lúcia, é uma escritora de livros infanto-juvenis no início do livro) e até mesmo, metalinguísticamente, mas como Cervantes já nos ensinou a fazer, cita Rosa Montero vez ou outra como um contraponto a sua carreira e escolhas literárias. Inegavelmente ela escreve bem, sabe conduzir o leitor e mantê-lo atento a trama, que tem aventura e lirismo, algum humor e também um tanto de sexo, mas eu não gostei muito na verdade. Pode ser que eu esteja obsecado, mas há algo de homenagem a Manuel Vazquez Montalbán, como se ela quisesse emular um livro no estilo dele (ficando devendo um tanto, a meu juízo.) Um dos personagens principais é chamado Roble, a forma espanhola de designar Carvalho, que é o nome do personagem principal da série de livros de detetives de Montalbán; há a típica mistura Montalbán entre a história recente espanhola, reflexão sobre as transformações pelas quais passou e passa a Espanha e as mirabolantes perseguições dos romances policiais. Lembrou-me também um tanto "Berenice procura", de Luiz Alfredo Garcia-Roza. Mas o que me incomodou foi a enxurrada de temas: anarquismo, tauromaquia, guerra de independência do Saara Espanhol, franquismo, corrupção governamental, psicanálise, terrorismo, máfias européias, velhice e juventude, sexo e por aí vai. No final o livro encontra seu tom: a título de fechamento ela faz uma reflexão muito boa mesmo sobre os processos de separação, sobre o amadurecimento e crescimento pessoal, sobre o papel da mulher na sociedade moderna, da função do amor, da maternidade e do sexo, na vida das mulheres em particular. Sobre o enredo não há muito o que escrever. Um sujeito é sequestrado por um grupo terrorista, sua mulher tenta resgatá-lo seguindo as instruções dos sequestradores. Há muito dinheiro envolvido no sequestro, dinheiro que ela jamais associara ao marido. Aos poucos dois vizinhos incomuns, um velho senhor anarquista e um jovem desempregado a ajudam nas tratativas com os sequestradores. A história de vida do velho senhor, um resumo dos percalsos dos grupos de esquerda no século XX, é contada no livro, alternando-se com os relatos envolvendo os sequestradores, a polícia e o judiciário (uma juíza incomum também, para dizer o mínimo.) Não que seja um livro ruim, mas eu acho que Rosa Montero ainda vai encantar-me mais em outros romances.
"A filha do canibal", Rosa Montero, tradução de Joana Angélica d'Avila Melo, editora Ediouro, 1a. edição (2007) brochura 15.5x23cm, 332 pág. ISBN: 978-85-00-01885-5

3 comentários:

Nana disse...

E aí Dini, como vai? Estou passando aqui no teu blog desde um locutório pra dar um alôzinho.

Alôzinho.

Nana disse...

E aí Dini, como vai? Estou passando aqui no teu blog desde um locutório pra dar um alôzinho.

Alôzinho.

daniel disse...

(Olá. Desculpa o comentário fora do assunto do post, mas eu acho que pode interessar. Aqui é Daniel, do www.amalgama.blog.br. É o seguinte: estamos criando uma página no site para blogs parceiros, e estou te convidando a fazer parte. Além de ter o link do teu blog permanentemente na página de parceiros, todo fim de semana lincaremos no Amálgama os melhores posts da semana publicados nos blogs parceiros. É mais uma oportunidade pra você ganhar leitores. Para ser parceiro nosso, você deve pôr aqui em sua barra lateral a widget que contém as atualizações do Amálgama; nada que vá tomar muito espaço. O que me diz? Se quiser fazer a parceria, me contata através do editor.amalgama@gmail.com que eu te passo o código da widget e esclareço qualquer dúvida que tu possa ter. Aguardo o e-mail.)