segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

um balanço provisório

Em 2017 entendi na prática as palavras de Flaubert que li há tantos anos: "Meu coração está se transformando numa necrópole". À morte de minha mãe, no final de dezembro de 2016, seguiu-se a de meu pai, no meio de junho. Perdemos também uma de nossas gatas, a Niham. Que praga! Enterrei alguns amigos, perdi-me de outros, outros me erraram, felizmente. Acontece. Li bastante poesia e peças de teatro em 2017. De fato, desde o início de 2007, quando esse "Livros que eu li" fez-se às ondas do rumoroso mar digital, só em 2012 li tantos e bons volumes de poesia. Bueno. Em 2017 fiz 125 registros de leitura, aumentando um tanto a media dos dez anos do blog. Foram 28 romances (22% do total), 19 livros de crônicas ou de ensaios (15%), 19 de contos, 10 de poesia, 10 romances policiais, 7 livros de arte, 6 novelas, 6 peças de teatro, 4 de perfis e memórias, 4 histórias em quadrinhos, 3 infantojuvenis, 3 de turismo, 2 de gastronomia, e um mais ou menos dentro da seguinte classificação: de fotografias, de cartas, catálogo de uma exposição de arte e de aforismos (talvez o mais fundamental deles, o do Ambrose Bierce). Já disse que li bastante boa poesia (Tápia, Medeiros e Aleixo, entre outros) e bons dramas (Shakespeare, nas estimulantes traduções de Botelho, Lawrence e O'Shea; Sófocles, na da Kathrin ); li cousas boas japas (Tanizaki, Kafu, Buson, Murakami); li a excelente biografia de Von Hunboldt; oito bons romances policiais de Donna Leon, 4 belas plaquetes do povo da At it Again. Li os quatro volumes da Série Napolitana de Elena Ferrante. Li o bom Pamuk mais recente. Li poucos livros em inglês (só 5% do total) e em espanhol (6%), talvez meu pior registro histórico. Paciência. Isso se deu pois nunca havia lido tantos autores nacionais. Foram 40 volumes, 32% do total. Alguns foram gratas surpresas, outros merecem uma releitura, mas não me entusiasmaram tanto assim. Aqueles que deixei de 2016 para ler em 2017 continuaram no limbo das promessas e dos planos, aquela zona fantasma, muito embora eu tenha avançado um bocado no Tristram Shandy traduzido pelo Javier Marías. Foram 0,35 livros por dia, 2,46 por semana, 10,5 por mês. Foram aproximadamente 2/3 livros de ficção, 1/5 de não ficção e 1/5 de bons divertimentos, seguindo o bom conselho do Montaigne. Ajudei minimamente o industrioso Abdon Grillo a editar seu estudo sobre o Ulysses, que será lançado no início de fevereiro, no dia de aniversário do Joyce. Que alegria. Acompanhei os sucessos das meninas da famiglia, Helga e Natália, que receberá seu título de bacharelado em Psicologia em breve, no próximo dia 06. Viajei bastante, conheci alguns lugares realmente interessantes do interior do Brasil. Em 2018 haverá mais boa poesia, haverá os haikus do Bachô editados em Portugal, os novos livros de Sérgio Medeiros e Ricardo Aleixo, a leitura do Finnegans Wake da Dirce do Amarante, as novas transcrições caetnogalindescas, a sempre postergada biografia do Johnson. Haverá mais Donna Leon, gostei do estilo dela. O Javier Marías deverá lançar mais um livro com suas crônicas semanais reunidas. Haverá mais biografias e coisas musicais. Pretendo voltar aos gregos e aos mitos. Talvez irei seguir o conselho de um amigo de longe, para fazer registros das leituras antigas, prévias a existência do blog. É uma ideia ainda bruxuleante. Haverá Copa do mundo de futebol, eleições, um Bloomsday Santa Maria novo. Talvez eu volte para a Irlanda, desta vez com a Helga. Logo veremos. É isso. Vale!

2 comentários:

kindlebabel disse...

Penso que você deveria reunir tudo que leu sobre, escreveu sobre e pensa sobre Ulysses e Joyce em um volume que seria, assim, inestimável. ;) Abração.

Paulo Sousa disse...

Um de meus espacos favoritos, esperemos que 2018 venha embalado por belas páginas e boas resenhas, aliás. um sempre presente aqui. Aquelhabraço da Bahia!