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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

crônicas velozes

Neste volume encontramos dez crônicas curtíssimas e um esquete teatral brincalhão de Cláudio Portella, talvez o mais inquieto dos escritores de  Fortaleza. Eles funcionam como apontamentos de ideias que poderiam ser expandidas em contos, fragmentos de epifanias, registros de estados de humor. Portella fala de músicos (Jards Macalé, Luiz Melodia, Belchior); escritores (Eduardo Portella, Antônio Cândido); artistas plásticos (Sérvulo Esmeraldo) e também faz sociologia selvagem, refletindo sobre jogos, sua formação universitária, a felicidade possível, o sexo. É uma proposta honesta, mas algo mais fraco que as coisas dele que já li: seus aforismos, sua poesia, seu romance. Paciência. Segue o baile. Vale! 
Registro #1438 (crômicas e ensaios #262) 
[início - fim: 17/07/2019]
"Crônicas velozes", Cláudio Portella, Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora  (Edições CP), 1a. edição (2018), brochura 12x19 cm., 16 págs., ISBN: 978-85-420-1217-0

domingo, 19 de maio de 2019

torquato neto

Torquato Neto foi dos mais inventivos poetas de seu tempo, um tempo que ele mesmo abreviou, talvez por não suportar os terríveis anos que se sucederam a instalação do regime militar no Brasil, nos anos 1960, talvez por ser um depressivo crônico, talvez por ser o mundo um lugar revoltante para qualquer pessoa sensível, talvez por alcoolismo, vai saber. Muitas canções de sucesso de Gilberto Gil, Jards Macalé, Caetano Veloso, Edu Lobo, Titãs e tantos outros foram concebidas a partir de poemas seus. Cláudio Portella, poeta cearense e produtor/agitador cultural dos bons, organizou uma seleção de poemas de Torquato Neto para a Global, competente editora paulista. Dele, Portella, já havia lido o potente "Paraphoesia" e o provocante "Fraturas de relações amorosas". Do Torquato li minha cota selvagem nos anos 1980, mas acho que só lembrava das lendas e sucessos associados a ele que de sua produção poética. A bem da verdade fazia duas décadas que não lia algo dele. O resultado da seleção de Portella é um livro bem bacana, bem editado, que apresenta ao neófito leitor aqueles poemas viscerais de Torquato, que misturavam concretismo, jornalismo, forma, olhar privilegiado da realidade, denúncia, raiva, contracultura e genuíno amor pelas cousas do Brasil. São 113 poemas, livres e soltos, nem um pouco convencionais, supérfluos, nem um pouco malemolentes. O leitor é obrigado a gastar um tanto de tempo nos poemas, não são fáceis de ler. O livro inclui uma apresentação de Cláudio Portella e uma cronologia biográfica que pode ser lida no site Dicionário Cravo Albin da MPB, projeto bacana da UNIRIO. Vale!
Registro #1402 (poesia #113) 
[início: 19/01/2019 - fim: 21/03/2019]
"Melhores poemas: Torquato Neto", Torquato Neto, seleção de Cláudio Portella, São Paulo: Global Editora (Pocket / coleção Melhores Poemas),1a. edição (2018), brochura 13,5x18 cm., 200 págs., ISBN: 978-85-260-2380-2

sábado, 11 de maio de 2019

melhores frases, sentenças e pequenos contos

Cláudio Portella é uma espécie de Karl Kraus cearense, nordestino, brasileiro. É jornalista, poeta, produtor cultural. Super original, mascate de si mesmo, sociólogo selvagem, ele produz livros, poemas e aforismos lapidares, como poucos no Brasil que eu conheça, sem fazer concessões a quem quer que seja, sempre usando sua mente e pena em direção a alvos certeiros. Ojo. Como ele mesmo lembra, "fazer crítica literária séria no Brasil é complicado: vivemos de metáforas e tapinhas". E eu aqui só nas metáforas e só nos tapinhas. Talvez essa minha crítica não seja séria. Paciência. Esse seu pequeno livro entrega o que o título bem promete. Trata-se de uma coleção de frases, sentenças e material que ele chama de pequenos contos. Decidi registrar aqui no Livros que eu li todos eles como aforismos. São peças realmente deliciosas, com as quais o leitor ora ri (quando as frases desnudam comportamentos estranhos a nossas práticas), ora repudia (quando as sentenças mostram uma nesga que seja de nossas pequenas misérias, mentiras e medos). As frases são quase sempre bem humoradas, provocativas, sarcásticas. De vez em quando o Cláudio se traveste de chato, e manda mensagens lá de sua Fortaleza fundamental, perguntando se queremos comprar o último livro dele (o sujeito é inquieto, sempre está a produzir algo). Mas não chega a ser mal educado. Aceita "de boas", como se dizia tempos atrás, nossas respostas elípticas. De qualquer forma, estou seguro que qualquer leitor que por acaso encontre este seu "Melhores frases, sentenças e pequenos contos de Cláudio Portella" é sim um leitor de sorte, que ganhará um bom par de horas de honesto entretenimento, um bom material para reflexão. Vale!
Registro #1397 (aforismos #10)
[início: 06/04/2019 - fim: 08/04/2019]
"Melhores frases, sentenças e pequenos contos de Cláudio Portella", Cláudio Portella, Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora  (Edições CP), 1a. edição (2018), brochura 12x19 cm., 16 págs., ISBN: 978-85-420-1249-1

quarta-feira, 11 de julho de 2018

paraphoesia

Claudio Portella é poeta, mas também editor, divulgador, distribuidor, mascate de si mesmo. Ele produz seus livros com esmero, acho que já editou  uns quinze pelo menos (li dele o "Fraturas de relações amorosas", um romance cáustico). As edições CP são bem cuidadas. "Paraphoesia" é de 2017.  São 37 propostas poéticas, que falam de um narrador antenado, um sujeito de seu tempo, que transforma comezinhas cousas em matéria poética. Armindo Trevisan, que assina a orelha do livro, diz que Portella se disfarça neste livro, ora se faz divertido, zombeteiro, ora ferino. É isso mesmo. Ele cita ou emula seus precursores afetivos, seus gurus poéticos: Rimbaud, Pessoa, Ponge, Cassia Eller, dentre outros; fala de cultura pop; de eleições; de papos-cabeça, de cinema e televisão. Parece ser um sujeito que domina não só a técnica, mas também sabe expressar sentimentos genuínos, não de almanaque, que não se furta expor-se e experimentar. Há uma sutil sensualidade nos poemas, algo visceral, fluido. Li "Paraphoesia" junto com os livros de outros poetas: Jean Moura, Ricardo Aleixo, Marcelo Tápia, Sergio Medeiros, Cássio Pantaleoni, o velho e bom Marcial, os da seminal antologia "Lira Argenta" organizada pelo Vanderley Mendonça. Ulalá. Haverá mais poesia por aqui, seguro que sim. Vale! 
Registro #1286 (poesia #95) 
[início: 08/04/2018 - fim: 10/04/2018]
"Paraphoesia", Cláudio Portella, Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora  (Edições CP), 1a. edição (2017), brochura 12x19 cm., 52 págs., ISBN: 978-85-420-1050-3

domingo, 20 de agosto de 2017

fraturas de relações amorosas

Acho que foi o Weaver Lima quem me falou do Cláudio Portella, mas não estou certo. Será que inventei uma amizade entre eles apenas pelo fato de ambos serem de Fortaleza e da mesma geração? Não sei dizer. De qualquer forma, um dia comprei esse "Fraturas de relações amorosas" e deixei-o numa pilha de guardados para ler mais tarde. Esqueci-me do livro, claro, mas reencontrei-o por acaso no mês passado, quando tirei uns dias para só viajar e ler, sem aborrecimentos. Trata-se de uma narrativa experimental, um monólogo teatral, um jogo dramático. Vou identificar o livro aqui nestes registros como romance, mas talvez o Portella o classifique de outra forma. São 417 cantos curtos, numerados em algarismos romanos, onde se faz um censo dos dias do relacionamento entre dois sujeitos, das metamorfoses pelas quais passam seus corpos, das facetas do amor entre eles. O narrador (Felipe) vive amasiado com um travesti, Marcelo, que depois torna-se Cassandra. Entretanto Felipe também vive com uma mulher, Aparecida, com que tem um filho, que em algum momento morrerá. Marcelo não tem ciúme de Aparecida ou das outras mulheres com quem Felipe se relaciona, mas não suporta a ideia de que ele se envolva com um outro travesti. O narrador a quem Portella dá voz não tem pudor, diz como Felipe e Marcelo fazem sexo e amam, afinal sexo e amor são o sal da vida, precisam ser praticados para que a vida tenha sentido. O narrador conta sem medo sua odisseia particular, se desnuda, expõe-se, faz uma autoanálise selvagem de si e de seus atos, garimpa sua memória e a mistura com aquilo que parece inventar. Seu monólogo é uma forma de suportar os desastres desta vida. No livro não há julgamento, cabotinismo, hipocrisia, moralismos bestas. Apenas uma realidade lírica. No mundo selvagem, fragmentado e doido que o Portella nos apresenta, reinam sim o amor e a vontade. Sujeito curioso esse Portella. Há outros livros dele por aí. Vou procurar. 
Registro #1204 (romance #324)
[início: 06/06/2017 - fim: 02/08/2017]
"Fraturas de relações amorosas", Cláudio Portella, Fortaleza: Edições CP, 1a. edição (2016), brochura 14x21 cm., 100 págs., ISBN: 978-85-420-0767-1