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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

a loucura do almayer

"A loucura de Almayer" é o primeiro dos livros publicados de Joseph Conrad. Ele começou a escrevê-lo no final dos anos 1880, quando ainda trabalhava na marinha mercante inglesa, atividade que desempenhou por mais de dez anos. A publicação é de 1895, ano em que abandona a carreira de marinheiro e toma a decisão de tornar-se escritor. Ele narra os desdobramentos dos sonhos de riqueza de um sujeito de origem holandesa que vive isolado em um entreposto comercial em Bornéo, uma das grandes ilhas do sudeste asiático. Quando jovem Almayer - por cupidez - casou-se com uma princesa malaia (e/ou pirata) que havia sido feita prisioneira por seu empregador, Tom Lingard. Os dois (Almayer e Lingard) são os únicos brancos em uma vizinhança onde vários potentados islâmicos e hindus disputam o poder. Almayer tem uma filha, Nina. Quando Lingard volta à Europa, deixando-o a administrar seus negócios, Almayer acredita que terá finalmente acesso às grandes riquezas dele, escondidas na floresta. Nina é a força motriz deste projeto, pois seu plano é voltar a Holanda e apresentar, orgulhoso, sua filha à sociedade. Almayer acredita que o poder local será transferido aos ingleses e investe todo o dinheiro que ainda tem na construção de um porto fluvial e um grande bangalô (que permanecerá inacabado, tornando-se assim, metaforicamente, a tal "loucura de Almayer" que dá nome ao livro). Lakamba, o velho rajá local, trabalha contra este projeto, todavia Alamayer se aproxima de um outro príncipe malaio, um jovem de origem hindu, Dain, que se apaixona por sua filha (que, afinal de contas, também é descendente de príncipes malaios). Assim, gradativamente, a história deixa de ser a narrativa típica de aventuras pelos mares do sul para tornar-se a narrativa do conflito mais fundamental entre amor e ciúme, conflitos que invariavelmente levam os homens para a destruição, a loucura e a morte. O texto é bem inventivo, há vários planos temporais na história, que se alternam e cobram atenção do leitor. Ainda tenho alguns livros de Conrad para tirar das prateleiras. Cousa boa.
[início 03/01/2013 - fim 06/01/2013]
"A loucura do Almayer", Joseph Conrad, tradução de Julieta Cupertino, Rio de Janeiro: editora Revan, 1a. edição (1999), brochura 14x21 cm, 196 págs. ISBN: 85-7106-170-X [edição original: Almayer's Folly (Londres: T. Fisher Unwin) 1895]

sábado, 15 de setembro de 2012

o fim das forças

Publicado originalmente em 1902 [em um volume que incluía também "Youth" (1898) e famoso "Heart of Darkness" (1899)] encontramos nesse "O fim das forças" uma história de estoicismo e coragem. O título original pode ser traduzido mais literalmente por "o fim da corda". Joseph Conrad nos conta a história de Henry Whalley, um velho e experiente capitão que é forçado a voltar a navegar por conta da falência de seu banco (e consequente perda de toda riqueza que ele havia acumulado durante a vida). Ele faz isso pois tem um compromisso moral com sua filha única, dependente financeiramente dele apesar de já estar casada há muitos anos. Whalley sabe que vive uma situação anacrônica. O tempo dos capitães de navio independentes e venturosos já faz parte do passado. As rotas comerciais importantes estão sob disputa de grandes companhias inglesas, holandesas e alemãs. Mas o projeto de Whalley é simples: tornar-se sócio de algum navio mercante durante um período curto, economizar o máximo possível e entregar todo o dinheiro que amelhar para a filha (que já vive na Austrália). Whalley, famoso por suas habilidades no comando de velozes "clippers", navios à vela largamente utilizados no século XIX, acaba tornando-se capitão de um navio à vapor, o Sofala, cujo proprietário também atua como maquinista chefe. Este navio percorre rotas comerciais secundárias na região de Singapura, no Oceano Índico. A história é concisa. Um terço dela apresenta Whalley e suas tribulações até conseguir a sociedade no Sofala. Nos capítulos correspondentes às duas últimas terças partes encontramos Whalley já no terceiro ano desta sociedade, prestes a terminar o que havia planejado. As descrições da psicologia e/ou caráter dos personagens criados por Conrad são muito poderosas, impressionantes mesmo. Rapidamente sabemos como se comportam, o que pensam, do que são capazes Massy (o maquinista-proprietário), Sterne (o imediato), John (o segundo maquinista), Van Wyk (um plantador de tabaco, amigo de Whalley, "Serang" (o piloto malaio de Whalley), Ned Elliot (um capitão contemporâneo de Whalley). Na transição entre a primeira parte do livro e a final, Conrad cria um fato surpreendente que prenderá o leitor ao destino do velho capitão, até a última página. Não é o desfecho da história que importa, mas sim a forma e a maestria com que Conrad acumula idéias e sensações, diálogos e possibilidades, parecendo estar literalmente nos transportando para o conves de navio em um grande mar, para vermos de perto "o fim das forças" do capitão Whalley. Bom livro.
[início: 08/09/2012 - fim: 13/09/2012]
"O fim das forças", Joseph Conrad, tradução de Julieta Cupertino, Rio de Janeiro: editora Revan, 1a. edição (2000), brochura 14x21 cm, 190 págs. ISBN: 85-7106-211-0 [edição original: The end of the Tether (Youth - a narrative; and two other stories (Londres: Blackwood's Magazine) 1902]

sábado, 8 de setembro de 2012

freya das sete ilhas

"Freya das sete ilhas" é uma história de amor. Todavia Conrad não é nada condescendente ou piegas ao contar os sucessos dela, um triangulo amoroso clássico. Uma garota chamada Freya, filha de Nielsen, um velho dinamarquês radicado em uma possessão holandesa no Oceano Índico, tem planos de casar-se com um intrépido capitão de navio (um inglês chamado Jasper Allen, que aparentemente alterna trabalhos convencionais e o contrabando). Um tenente chamado Heemskirk também se interessa por Freya e usa seu cargo na marinha holandesa para pressionar o pai da garota, ameaçando expulsá-lo da ilha onde vive. Conrad utiliza como subtrama o conflito de interesses econômicos e políticos entre ingleses e holandeses nos mares do sul, no início do século passado. O narrador relembra esta velha história ao receber uma carta com o relato do desfecho do caso, despertando nele nostalgia de seus dias como capitão de longo curso, bem como sua amizade com todos os personagens. De fato não é a narrativa mais poderosa que já li dele, mas Conrad sabia mesmo apresentar a seus leitores análises convincentes sobre as sutis mudanças de humor dos personagens. O livro inclui uma boa apresentação de Antonio Olinto. [Em tempo: (i) O livro é bem editado, mas na ficha catalográfica há um erro absurdo, daqueles que irritam o leitor e o fazem desconfiar da qualidade do que tem em mãos. (ii) Li no The Conradian que Conrad não tinha muito apreço por ela, considerando-a uma bobagem feita para jornais, sem muito estofo. Após a pequena repercussão obtida na Inglaterra ele teve dificuldades de vender o texto para ser publicado nos Estados Unidos. Todavia ali o livro vendeu muito bem e ele recebeu muitas cartas reclamando do destino reservado a seus protagonistas. Ele, que esperava reconhecimento por obras mais ambiciosas (Nostromo e O agente secreto são do mesmo período) teria ficado intrigado com o gosto de seus leitores americanos. Aparentemente nem a dicotomia num mesmo escritor - que consegue produzir textos intelectualmente ambiciosos e literatura de entretenimento igualmente interessantes -, nem o controle sobre a recepção de uma obra no público leitor são questões realmente novas. (iii) Sim, existe uma revista acadêmica dedicada exclusivamente a análises de obras de Joseph Conrad. Adorável e surpreendente é esse maravilhoso mundo das letras].
[início 30/08/2012 - fim 31/08/2012]
"Freya das sete ilhas", Joseph Conrad, tradução de Julieta Cupertino, Rio de Janeiro: editora Revan, 1a. edição (2003), brochura 14x21 cm, 158 págs. ISBN: 85-7106-288-9 [edição original: Freya of the Seven Isles (Londres: The Metropolitan Magazine - 'Twixt Land and Sea) 1912]

terça-feira, 28 de agosto de 2012

la línea de sombra

Em "La línea de sombra" Joseph Conrad exemplifica por meio de uma aventura no mar como se dá a transição da juventude para a idade adulta. Um rapaz, imediato em um navio mercante que acaba de chegar a um porto dos mares do sul, decide dar baixa definitivamente, afastar-se do mar, mas é convencido por Gilles, um velho e persuasivo capitão, a aceitar um posto de comando. O antigo capitão deste navio que o rapaz vai assumir morreu durante uma travessia. A tripulação acreditava que Burns, seu imediato, iria substituí-lo e fica surpresa com a designação do jovem capitão. O rapaz decide colocar o navio em alto mar rapidamente, pois planeja evitar um surto de cólera no porto. Mesmo a contragosto e já algo adoentado o antigo imediato do navio o acompanha. Os ventos fracos, o tédio com as manobras e as repetidas baixas na tripulação por conta do cólera tornam a viagem extremamente desgastante. O jovem capitão alterna momentos de euforia, inteligência e coragem com momentos onde se mostra inseguro, fraco e assustado. A passagem onde ele descobre que todo estoque do que ele acreditava ser quinino tratava-se na verdade de ópio é espetacular. Outra passagem poderosa é aquela onde o completo silêncio antecede uma terrível tempestade (pode ser uma travessura de minha memória, mas há uma certa simetria desta passagem com o final da primeira parte do "Orlando", de Virgínia Woolf, aquela onde gotas da chuva vergastam o rosto de Orlando, que estava a esperar sua amada Sasha debaixo do dintel de uma porta). O jovem capitão é estimulado a continuar a travessia em parte pelas lembranças dos espirituosos conselhos do velho capitão Gilles e em parte pelos irônicos e bem humorados comentários do cozinheiro Ransome (único além dele a não ficar doente). Mesmo com praticamente toda a tripulação prostada pela doença o jovem capitão consegue estimulá-los a fazer o navio suportar a tempestade, até alcançarem seu porto de destino. Ao chegar ali já é um homem adestrado para os desafios do mar. Ao invés de descansar apresenta-se prontamente para uma nova viagem, uma nova provação. Está pronto para fazer-se ao mar uma vez mais, sem temor. [Ontem mesmo meu amigo Ian Alexander lembrou-me do quão desafiador eram essas viagens marítimas, em frágeis navios de madeira, algo somente comparável às viagens espaciais de nosso tempo. Concordo com ele. Que sujeitos audaciosos deviam ser aqueles marinheiros. E quão destemidos são esses astronautas que se enamoram do espaço.]
[início 08/08/2012 - fim 16/08/2012]
"La línea de sombra: Una confesión", Joseph Conrad, tradução de Javier Alfaya Bula e Javier Alfaya McShane, Madrid: Alianza editorial (el libro de bolsillo), 1a. edição (2004), brochura 11x17,5 cm, 153 págs. ISBN: 84-206-5739-5 [edição original: The Shadow Line: A confession (London: J.M. Dent) 1917]

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

youth

Algo entusiasmado com a leitura de "El espejo del mar", resolvi reler coisas de Joseph Conrad. Encontrei este pequeno livro dele (volume de uma bela edição comemorativa da Penguin, produzida por conta do cinquentenário da coleção "Modern Classics", parte de uma caixa com cinquenta livretos). "Youth" é a narrativa da atribulada viagem que um sujeito chamado Marlow fez partindo de Londres rumo a Bangkok, na Tailândia. Esse é o mesmo Marlow que encontraremos em "O coração das trevas", talvez o livro mais conhecido de Conrad. Na verdade quem conta ao leitor a história é um outro sujeito, que junto com outros velhos marinheiros passa uma fria noite londrina entre conversas, tabaco e vinho ao redor de uma grande mesa de mogno. Marlow diz aos demais que ainda era muito jovem quando recebeu o importante posto de segundo imediato em um navio mercante, o Judea. O navio experimenta muitas dificuldades para sair do porto, acondicionar adequadamente sua carga em um outro ponto da costa inglesa e finalmente fazer-se ao alto mar. Os atrasos, a necessidade de sucessivos reparos e a aparente má-sorte do navio (Conrad até inclui no texto a clássica cena de ratos abandonando o barco), enervam toda a tripulação. Em algum momento em alto mar, já no Oceano Índico, a carga (carvão mineral) entra em combustão espontânea. Os marinheiros se dividem entre os que tentam extinguir o fogo e aqueles que tentam retirar a água que se acumula no navio. Muitas aventuras se sucedem até que Marlow e seus colegas consigam chegar a terra firme. O leitor sabe que nada muito sério acontecerá com Marlow, já que é ele que está contanto sua história, mas Conrad sabe controlar a narrativa com maestria e manter o suspense todo o tempo. Por vezes parece que o leitor também está ao redor daquela mesa de mogno, ouvindo a voz de Marlow (e seus ofegantes e reiterados pedidos por mais um gole de clarete). Conrad narra como o mar transforma os homens, provando-os repetidas vezes, deixando neles marcas que apenas os velhos companheiros, aqueles que com eles partilharam as delícias e os perigos do mar sabem entender e decifrar. Hoohay. Haverá mais Conrad por aqui em breve.
[início 09/08/2012 - fim 14/08/2012]
"Youth: A Narrative", Joseph Conrad, Londres: Penguin books (modern classics), 1a. edição (2011), brochura 11x16 cm, 53 págs. ISBN: 978-0-141-19591-9 [edição original: Youth: A Narrative (London: Blaclwood's Magazine) 1902]

terça-feira, 21 de agosto de 2012

el elpejo del mar

Joseph Conrad publicou em revistas londrinas, entre 1904 e 1906, já aposentado do mar, aos 48 anos, uma série de reflexões sobre sua experiência no mar, na vida dura e venturosa a bordo dos veleiros ainda funcionais da última quarta parte do século XIX. O leitor é transportado, como em um transe, para um mundo aquático, salgado, repleto de brumas, nuvens e sol faiscante, onde mais que a força bruta (necessária porém insuficiente) é o conhecimento técnico, a experiência e a memória dos ventos, das correntes e das marés que dá aos homens alguma chance de sobreviver longe da segurança em terra firme. Em "El espejo del mar" encontramos 14 capítulos temáticos, que tratam de aspectos variados das experiências náuticas: Conrad conta o que diferencia a navegação de cabotagem (perto da costa) daquela em alto mar; como se cria a camaradagem entre os marinheiros e os capitães; como se adestra um sujeito ao uso das cordas, velas e âncoras; como se distribui a carga em um veleiro; fala sobre o caráter distinto dos muitos ventos, das correntes marítimas, dos perigos que o mar oferece, das tempestades; fala do respeito devido às regras e à hierarquia quando a bordo de um navio; lamenta os infortúnios possíveis: encalhar, perder-se, afundar; louva o fiel rio Tâmisa; descreve estaleiros e prisões (para navios e homens, respectivamente); fala de mitologia e do mar ideal para a navegação, onde essa nobre arte começou: o mar Mediterrâneo; conta sua primeira experiência em um barco, traficando armas entre a França e a Espanha, aprendendo conhecer a bruxuleante alma de seus semelhantes; canta sua iniciação mais importante: aquela do primeiro contato com a morte. Por mais que seja um livro recheado de termos técnicos, que utiliza um vocabulário específico e raro, trata-se de algo que encanta o leitor. A prosa é riquíssima, descobrimos logo que Conrad é um leitor arguto, dos clássicos gregos e de Shakespeare. Ele sabe nos informar sobre um tema árido, mas nos deleita com passagens muito inventivas. Conrad lembra várias vezes que o amor dos homens pelo mar nunca será correspondido, que há uma poderosa e perene presença grega nos homens afeitos a vida no mar. A tradução é de Javier Marías, que assina também o prefácio. Seu mentor, Juan Benet, assina um curto prólogo, onde fala, entre outras coisas, do quão respeitado foi "El espejo del mar" para escritores como Kipling, Henry James ou  H.G. Hells. Por fim, "El espejo del mar" é um livro maravilhoso, que fez-me desejar estar a contemplar uma vez mais o mar, a sentir novamente o ar salgado no rosto, a experimentar de novo meus olhos a um horizonte muito mais vasto que o oferecido nos campos gaúchos, cá onde vivo, no Rio Grande do Sul, uma espécie da terra dos Tesprotos, aquela descrita por Homero, na qual os habitantes desconheciam totalmente os remos e os barcos.
[início 30/07/2012 - fim 05/08/2012]
"El espejo del mar: Recuerdos e impresiones", Joseph Conrad, tradução de Javier Marías, prólogo de Juan Benet, Barcelona: ediciones Orbis (Biblioteca del mar, vol.1), 1a. edição (1988), capa-dura 13x20,5 cm, 218 págs. ISBN: 84-402-0601-1 [edição original: The Mirror of the Sea (Londres: various magazines 1904-6) Methuen Publishing 1906]

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

el cuento

Neste pequeno livro encontramos um único conto de Joseph Conrad. Publicado em 1917 trata-se de uma história de mistério, que lembra um tanto Edgar Alan Poe. Em um final de tarde de um lugar impreciso um homem é solicitado por uma mulher a contar uma história, pois ela está aborrecida. Daí um segundo conto nasce dentro do primeiro. O narrador lembra de uma situação que aconteceu logo no início da primeira grande guerra. Ele comandava um navio mercante no Atlântico norte quando em meio a uma forte neblina encontram quase por acaso um barco norueguês ancorado, perto da costa da Irlanda, aparentemente com problemas mecânicos. Ele (e também sua tripulação) desconfiam que o navio norueguês está envolvido em algum tipo de serviço auxiliar à submarinos alemães, pois encontraram nas proximidades material disperso que poderia ter esta finalidade. Apesar de não poder afirmar com certeza se de fato o navio trabalha em colaboração com os alemães o sujeito, após muito inspecionar o navio e conversar com sua tripulação, toma a decisão de dar uma indicação errada para o navio norueguês sair da neblina, o que tem conseqüências funestas para todos. Na conversa com a mulher (que permanece quieta quase todo o tempo da história, progressivamente chocada com a frieza do sujeito) ele reflete e repete para si sua versão, de que esta é uma situação onde a verdade nunca será mesmo revelada. Há que se continuar a viver com sua decisão. É um bom conto, publicado em uma edição pequenina que comprei na carrer Ferrán em um dia especial de verão. O livro é sombrio e Conrad apresenta nele sua visão pessimista da natureza humana. Curioso como ele obtêm este efeito em poucas páginas, sem entediar o leitor. [início 14/09/2009 - fim 17/09/2009]
"El cuento", Joseph Conrad, tradução de Juan Gabriel López Guix, Ediciones Alpha Decay (1a. edição) 2009, brochura 10,5x15, 64 págs., ISBN: 978-84-936540-9-2

domingo, 2 de agosto de 2009

os duelistas

Eu era ainda jovem quando vi "Os duelistas", filme de Ridley Scott lançado em 1977, mas lembrou-me bem do quanto impressionado fiquei. Os atores que conquistaram de cara. Da mesma forma que me impressionaram a iluminação, a trilha sonora, a cenografia, a história das guerras napoleônicas, a sutileza perene ao longo de todo o filme, no qual a princípio poderíamos acreditar que a violência seria sempre demasiada. Sabia que o filme havia sido baseado em um livro do Joseph Conrad, mas nunca o havia lido. Agora consegui encontrá-lo, em uma edição de bolso e barata da LP&M. Li com muito prazer. É um romance curto, uma novela, de pouco mais de 100 páginas. Dois sujeitos que fazem parte do corpo de hussardos do exército de Napoleão se desentendem por uma tonteria e passam a se enfrentar em combates singulares (duelos com espadas, sabres, pistolas, a pé e a cavalo, com padrinhos como testemunhas ou solitários) ao longo de quase duas décadas. Incrível como o livro é escrito em uma linguagem vívida, diria até cinematográfica mesmo, tão cheio de dinamismo e de imagens fortes. Ao mesmo tempo o Conrad descreve de forma muito rica precisa as nuances do caráter e do comportamento das pessoas, dos personagens, das gentes. Há escritores para os quais nenhum adjetivo laudatório é demasiado. Joseph Conrad merece mesmo toda a admiração e respeito que granjeou. [início: 07/07/2009 - fim: 12/07/2009]
"Os duelistas", Joseph Conrad, tradução de André de Godoy Vieira, editora LP&M pocket (1a. edição) 2008, brochura 11x18, 134 págs. ISBN: 978-85-254-1787-9