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quinta-feira, 2 de abril de 2015

el mago de viena

Do mexicano Sergio Pitol só havia lido um bom romance chamado "Vida conjugal". Em fevereiro, flanando pela invernal Madrid, encontrei com esse "El mago de Viena". Estão nele reunidos ensaios literários, fragmentos de memórias, digressões sobre seu processo de produção literária, suas técnicas, a prática da crítica. Além de escritor Pitol foi um tradutor de ofício (sobretudo de literatura inglesa em sua juventude), professor universitário por longos períodos em vários países e também atuou no serviço diplomático mexicano por muitos anos, tendo vivido mais de um terço de sua vida fora do México (cabe dizer que ele ainda está vivo e é um ativo senhor de oitenta e três anos). Segundo ele cada uma dessas múltiplas experiências (do viajante, dos exílios, do tradutor, do escritor solitário, do professor, do burocrata) incorporaram-se em sua ficção. Gostei muito de seus longos ensaios sobre Henry James, Gao Xingjian, Walter Benjamin, Joseph Conrad, Flann O'Brien, Evelyn Waugh, Carlos Monsiváis, Dario Jaramillo, Enrique Vila-Matas (esse em particular é uma maravilha, divertidíssimo). Entre os ensaios Pitol inclui digressões e crônicas sobre suas viagens, sua participação em eventos literários, a leitura e a releitura de seus livros favoritos, a vida de diplomata, a gênese de alguns de seus romances, os apontamentos de seu diário que antecedem a publicação de "El mago de Viena" (que é de 2005). Ele afirma manter registros que mesclam sua vida pessoal e seus projetos de ficção desde os anos 1950 (que cousas tremendas não haverá neles?). Aprendi um bocado, principalmente sobre literatura latino-americana. Preciso ler mais alguns de seus romances. Vamos a ver.
[início: 16/03/2015 - 29/03/2015]
"El mago de Viena", Sergio Pitol, Valencia/España: Editorial Pre-Textos (narrativa contemporánea), 1a. edição (2005), brochura 14,5x23 cm., 271 págs., ISBN: 84-8101-683-8

terça-feira, 2 de agosto de 2011

vida conjugal

Nunca havia lido nada de Sergio Pitol, mexicano de seus quase oitenta anos, ganhador do prêmio Cervantes de 2005. Encontrei este "Vida conjugal" em um balaio de um sebo paulista e o li com autêntico prazer. É um romance curto, onde somos apresentados às atribulações do relacionamento de um casal mexicano durante a segunda metade do século passado. Esse casal, Jaqueline Cascorro e Nicolás Lobato, experimentam ascensão e queda, períodos de riqueza, viagens e serenidade com outros mais sombrios e humilhantes, vivem a dor das traições e o lenitivo dos reencontros. A ironia e o humor preenchem este romance do começo ao fim. Aprendemos um tanto sobre a vida íntima do equivalente à classe média do México, mas não encontramos em "Vida conjugal" reflexões sobre o cenário político ou econômico mexicano, demonstrando que não é necessário em um romance explicitar engajamentos políticos, ideologias e outras escravidões mentais (como muito se vê na produção brasileira dos últimos tempos). É um romance ligeiro e movimentado, talvez um tanto esquemático demais, já que depois de duas reviravoltas ficamos adestrados completamente aos truques utilizados por Pitol no trato de seus personagens. De qualquer forma gostei muito deste sujeito e da trama criada por ele. Romance honesto. Quem sabe quando um outro livro dele cairá em minhas mãos? Logo veremos. [início 28/07/2011 - fim 31/07/2011]
"Vida conjugal", Sergio Pitol, tradução de Bernardo Ajzenberg, São Paulo: editora Companhia das Letras, 1a. edição (2009), brochura 14x21 cm, 107 págs. ISBN: 978-85-359-1427-6 [edição original: La vida conyugal (Mexico: editorial Anagrama), 1991]