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sábado, 14 de maio de 2016

justiceiros

Acompanho o trabalho gráfico do Rafael Koff há um bom tempo. Já registrei aqui pelo menos quatro outros livros de tirinhas dele: "Blue", "Cueca por cima das calças", "Dúvidas cruéis de um idiota" e o impagável "Jesus". "Justiceiros" é o mais recente, publicado no final do ano passado. Aqui ele cria super-heróis que querem alcançar fama e sucesso, mas acabam demonstrando serem inaptos para esse ofício, apesar de seus super poderes. A qualidade gráfica e acabamento do livro são notáveis e o traço dos quadrinhos bacana, mas não gostei dos argumentos, do roteiro. São dez histórias curtas, que contam a gênese, conflitos e ocaso do grupo (Pombo Negro, Garota Incrível, Arqueiro e Hiperman). As histórias são bem humoradas e seguem o padrão de aventuras típico do gênero, mas mesmo considerando que se trata de uma paródia tudo parece artificial demais, repetitivo demais, pois sempre lembram soluções já utilizadas repetidas vezes no universo da Marvel ou da DC Comics. Talvez o tempo melhore as histórias. Veremos. Cabe lembrar que os livros independentes do Rafael podem ser adquiridos através do site Wix (e também que ele está em campanha pela arrecadação de recursos para seu próximo livro no site Catarse). Vale.
[início - fim: 28/04/2016]
"Justiceiros: Em busca da fama", Rafael Koff, editora Manuzio, 1a. edição (2015), brochura 14x21 cm., 125 págs., sem ISBN

quarta-feira, 13 de maio de 2015

blue

"Blue" é um dos livros de tirinhas de Rafael Koff, talentoso cartunista e publicitário gaúcho. Ele afirma em seu site que "Blue" é um livro sobre depressão, pessimismo e mais um monte de coisas ruins. Claro, é tudo isso e também um livro cheio de ironias, deboche, citações da cultura pop e afirmações politicamente incorretas (neste desgraçado país, onde a tirania dos hipócritas defensores da correção política em todos os níveis da linguagem e da comunicação ocuparam todos os espaços possíveis - coisa que apenas nossa atávica vocação para a estupidez explica - isso é um grande alento). Koff tem produzido seus livros com regularidade. Já publicou um dezena deles (já resenhei aqui "Cueca por cima das calças", "Dúvidas cruéis de um idiota" e "Jesus"). Seguro que haverá mais Rafael Koff por aqui. Cabe lembrar que os livros independentes do Rafael podem ser adquiridos através do site Wix. Vale.
[início - fim: 28/04/2014]
"Blue", Rafael Koff, editora Manuzio, 1a. edição (2014), brochura 21x15 cm., 100 págs., sem ISBN

domingo, 1 de fevereiro de 2015

cuecas por cima das calças

Depois de ler os divertidos "Jesus" e "Dúvidas cruéis de um idiota" encontrei de Rafael Koff esse "Cuecas por cima das calças". São tirinhas bem humoradas que fazem paródia do universo dos super heróis e super vilões. Não importa se o herói ou o vilão pertence a  Marvel Comics (leia-se Walt Disney Company), a DC Comics (leia-se Time Warner) ou qualquer outro grupo editorial do gênero, Rafael sabe explorar ao máximo o ridículo e absurdo das aventuras desses personagens tão icônicos da cultura pop. Além de diversão ligeira e descompromissada os cartuns oferecem também alguma sociologia selvagem, como por exemplo quando apresenta versões das roupas dos super heróis caso as histórias em quadrinhos tivessem as mulheres como público alvo (óbvio que para Rafael as super mulheres passam a usar uniformes bem comportados e os super homens tangas minúsculas). Quase nenhum dos cartuns poderia ser publicado em um mundo governado pelas legiões de defensores do politicamente correto que brotaram de algum monturo nos Estados Unidos tempos atrás e vicejam hoje alegremente mundo afora. Felizmente no Brasil ainda há espaço para o humor (mas eu, pessimista que sou, ainda acho que os canalhas desse glorioso governo federal que nos desgoverna tão completamente ainda implantarão censura prévia nesse desgraçado país). Enfim, aproveitem enquanto isso for possível. Cabe lembrar que os livros independentes do Rafael podem ser adquiridos através do site Wix. Vale.
[início - fim: 04/01/2015]
"Cuecas por cima das calças", Rafael Koff, editora Manuzio, 1a. edição (2014), brochura 21x15 cm., 98 págs., sem ISBN

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

dúvidas cruéis de um idiota

No último sábado encontrei os Koff (Rogério e Rafael) e uma das Fleig (a Lúcia) num almoço divertido (e recheado de surpresas). Do Rafael já havia lido "Jesus", uma divertida história em quadrinhos que não é nada lisonjeira com o personagem bíblico. "Jesus" é antigo, de 2009 e demonstra (ainda mais veementemente agora, após o massacre dos cartunistas do jornal satírico francês Charlie Hebdo) que o livre e completo humor sempre será uma das ferramentas mais eficazes no processo de libertar qualquer tipo de sujeito crente ou obcecado da escravidão mental em que se encontra. Seus livros independentes de humor - que podem ser adquiridos através do site Wix - foram originalmente produzidos através de "crowdfunding", ou seja, financiamento coletivo. "Dúvidas cruéis de um idiota" é de 2014 e muito menos provocador que "Jesus", mas tem lá sua boa cota de sarcasmo e escatologia. Trata-se de noventa e um cartuns e aforismos bem humorados, que apostam sempre no estranhamento provocado por uma premissa bizarra e ilógica (como por exemplo: "Vampiros não precisariam fazer o teste de HIV em suas possíveis vítimas?", "Se eu tenho filhos gêmeos posso carregar a foto de só um deles na carteira", "Se um cachorro policial não recolhe seu próprio cocô da rua ele deve se aplicar uma multa?" ou "Os porcos se sentem mal quando precisam tirar dinheiro do cofrinho?". As ilustrações reforçam o humor do aforismo e a maluquice das dúvidas e/ou questionamentos. Ainda acho que ele deveria investir num ISBN para enfrentar a guerra sem quartel do mercado literário brasileiro, mas ele argumenta que "as vendas diretas estão indo muito bem, obrigado". Haverá mais livrinhos do Koff por aqui. Vale.
[início - fim: 15/12/2014]
"Dúvidas cruéis de um idiota", Rafael Koff, editora Manuzio, 1a. edição (2014), brochura 21x15 cm., 98 págs., sem ISBN

sexta-feira, 5 de março de 2010

jesus

Talvez não seja exatamente o talento mas sim a consciência de uma voz própria aquilo que diferencia um artesão, mesmo que bastante capaz, porém ordinário, de um verdadeiro artista, aquele que se sabe inovador. Pensei nisto quando li este pequeno livro de quadrinhos baseado na vida de Jesus, o filho de José e Maria, publicado por Rafael Koff, um jovem publicitário radicado em Porto Alegre. A edição do livro é discreta. Não há ISBN, nome da editora, ano da edição ou referência adicional ao autor além de seu nome. Soube depois de ler o livro que Rafael já publicara suas tiras regularmente em uma espécie de blog ilustrado e já havia granjeado uma fiel legião de admiradores (bem como alguns aborrecimentos com detratores anônimos). A história do Jesus histórico e bíblico pode ser encontrada em toda a parte e está incorporada à psique da maioria das pessoas do mundo ocidental, mesmo aquelas que não professem religião alguma, ou que sejam adeptas de algo diferente do cristianismo. O que Rafael faz com suas tirinhas é dar uma dimensão humorística e visual bastante forte e uniforme a seu personagem. Esta uniformidade conceitual no traço e no enredo das histórias acompanha os passos do jovem Jesus até sua versão de Jesus redivido (vingativo), passando pelas encarnações sucessivas de adolescente, homem maduro e pregador. O traço de Rafael é muito bom e não ficamos inertes às propostas que ele faz para a origem da inveja de Judas, quando ilustra a indiferença da deidade pai de Jesus ou ainda quando apresenta os acertos e desacertos de um Jesus que produz milagres na época em que ainda não controlava seus poderes divinos. São tirinhas de humor que não são das mais ofensivas que já li produzidas a partir deste poderoso personagem, mas certamente figuram entre as mais originais. Elas demonstram como o humor pode revelar facetas das estratégias mentais dos doutrinadores cristãos e como o humor pode provocar nos leitores algum estranhamento, algum vislumbre de falha no castelo mítico do cristianismo. Seguro que Rafael não é tão pretensioso como esta frase minha sugere, mas acredito mesmo que livros como este são ferramentas fundamentais para libertar - de alguma forma - os crentes (de qualquer religião, de qualquer lugar e tempo). Ulalá. Rafael há de entender que curiosamente há uma ironia adicional, uma ironia auto-imune, nisto tudo. [início 01/01/2010 - fim 04/03/2010]
"Jesus", Rafael Koff, editora Manuzio, 1a. edição (2009), brochura 21x7,5 cm, 96 págs., sem ISBN