Dorothy Parker escreveu em algum lugar que há livros que devemos abandonar com tédio na mesa de cabeceira da cama, mas há livros que devemos jogar pela janela, com força. Este "As pernas de Úrsula..." para mim não merece um destino diferente. Que livro vazio e sem nexo. Ela tenta emular como um homem pensa e reage à maturidade, aos compromissos afetivos, à paternidade, mas fracassa do começo ao fim. Se uma escritora inteligente como ela acredita que homens neste início de século XXI se comportam da forma inventada por ela estamos mesmo todos perdidos. Claro, o livro é escrito corretamente, as frases são curtas, o enredo se desenvolve sem malabarismos, mas tudo é redondinho demais, engraçadinho demais, artificial demais. Rosa Montero desenvolveu em seu "La loca de la casa" um raciocínio com o qual eu concordo: "Para a maioria dos leitores quando um homem escreve, seus personagens explicam o ser humano; mas quando uma mulher escreve, seus personagens explicam apenas as mulheres." Verdade, e cabe as escritoras fortes mudar esta percepção falsa. Mas este preconceito literário (se podemos chamá-lo assim) não vale para mitigar a qualidade de "As pernas de Úrsula", pois quando Claudia Tajes escreve seus personagens apenas repetem chavões sem fim, das mais diversas fontes, para os mais diversos usos mentais. Há frases feitas demais no livro dela, tudo é muito banal, previsível, esteriotipado mesmo. No final um epílogo explica os futuros distintos dos personagens, que afinal são rasos demais para que possamos nos interessar por sua sorte. Basta de Tajes, se é para ler literatura escrita por mulheres voltarei a Nothomb, a Montero, a Pedrosa, a Gopeguí, minhas musas de plantão neste ano.As pernas de Úrsula e outras possibilidades, Claudia Tajes, Agir Editora, 3a. edição (2006) brochura 13.5x21cm, 128 pág., ISBN: 978-85-22-00751-9
