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sábado, 4 de março de 2017

nomes de lugares

Noutro dia encontrei esse volume das adaptações que Stéphane Heuet, designer e quadrinista francês, tem feito do ciclo "Em busca do tempo perdido", de Marcel Proust. A experiência de ler essas adaptações jamais substituirá os encantos dos originais, mas deve-se reconhecer que elas são muito bem feitas. O leitor entra no clima dos livros, alcança algumas das alegrias do texto por meio das soluções gráficas produzidas por Heuet. Neste volume (o sexto da coleção produzida até aqui por Heuet) encontramos um dos menores capítulos, "Nome de lugares: O nome", que é justamente o que encerra o primeiro volume do ciclo. Nele encontramos os fragmentos de memórias do narrador de seus dias de juventude, quando imaginava viagens para lugares caros à sua imaginação, como Florença, Parma, Balbec e Veneza, e quando fez os primeiros contatos mundanos com Gilberte, a filha de Odette e Swann, e também com a própria Odette. Assim, as tardes no Bois de Boulogne ou nos Champs-Élysées existem apenas para esses dois propósitos quase amorosos: os encontros para jogos e brincadeiras infantis com Gilberte ou a discreta corte à Sra. Swann, pessoa que a família do narrador interdita de visitá-los oficialmente. É difícil dizer se um dia Heuet alcançara terminar suas adaptações do ciclo. Gostaria mesmo de ver esse projeto finalizado. A edição brasileira continua bem cuidada. Incluí um mapa da Paris retratada no livro, bem como um glossário dos personagens e uma miríade de informações complementares, dirigidas àqueles pouco familiarizados com a obra de Proust e que possibilitam uma apreciação mais prazerosa do livro. Divertido, mas vamos em frente. Em tempo: [Semanas atrás morreu um sujeito que eu admirava muito, autor de um projeto semelhante a este de Heuet, um irlandês chamado Frank Delaney. Ele produzia podcasts semanais com segmentos do Ulysses, de James Joyce. Sua voz, ritmo e humor sempre foram uma inspiração. Ele chegou a gravar integralmente os nove primeiros capítulos do livro, e avançava bem pelo décimo, quando a morte interrompeu seu projeto no último 22 de fevereiro. É pena]
[início 20/02/2017 - fim 21/02/2017]
"Em busca do tempo perdido - No caminho de Swann: Nomes de lugares (volume 6)", Marcel Proust, adaptado e desenhado por Stéphane Heuet, tradução de André Telles, Rio de Janeiro: editora Zahar, 1a. edição (2014), capa dura 21x28 cm, 52 págs. ISBN: 978-85-378-1304-1 [edição original: À la recherche du temps perdu (Du côté de chez Swann - Noms de pays: le nom) Guy Delcourt productions, Paris 2013]

quarta-feira, 2 de março de 2011

em busca do tempo perdido

Não há muito que acrescentar ao que escrevi tempos atrás da primeira parte da adaptação em quadrinhos de "Um amor de Swann" feita por Stéphane Heuet. Nada substitui a leitura do original [meus comentários sobre os volumes originais estão em "No caminho de Swann", "À sombra das raparigas em flor", "O caminho de Guermantes"]. Mas ao menos um sujeito desavisado pode entrar no clima dos livros, experimentar uma ou outra alegria com as belas soluções gráficas que Heuet encontra ao ilustrar o sofrimento de Charles Swann e a displicente crueldade de Odette de Crécy. Heuet é um publicitário e artista plástico belga de cinquenta e poucos anos que decidiu adaptar para os quadrinhos alguns dos romances que formam o ciclo de sete volumes do "Em busca do tempo perdido". Mesmo no original francês ele só alcançou preparar uma fração bastante pequena do projeto (dois terços do primeiro volume e metade do segundo). Neste ritmo ele precisará de toda uma outra vida para terminar de adaptar o ciclo. Mas inegavelmente ele consegue dar alguma vida aos personagens, relevo à ambientação e mostra tino ao escolher certas passagens produzidas por Proust. É um outro tipo de experiência. Quem optar por ficar apenas com esta adaptação não poderá dizer que conhece o texto de Proust, mas cada um sabe o que faz ou não com seu tempo. Para os verdadeiros prazeres da inteligência proporcionados por Proust há que se ler o texto original e pronto. A edição continua bem cuidada, traz um mapa da Paris retratada no livro, bem como uma espécie de glossário, onde os personagens são apresentados, incluíndo informações complementares, dirigidas àqueles pouco familiarizados com a obra de Proust e que possibilitam uma apreciação mais prazeirosa do livro. [início 18/02/2011 - fim 19/02/2011]
"Em busca do tempo perdido - Um amor de Swann (parte2)", Marcel Proust, adaptado e desenhado por Stéphane Heuet, tradução de André Telles, editora Zahar, 1a. edição (2011), capa dura 21x28 cm, 52 págs. ISBN: 978-85-378-0488-9 [edição original: À la recherche du temps perdu (Un amour de Swann - volume II) Guy Delcourt productions, Paris 2008]

sábado, 9 de janeiro de 2010

em busca do tempo perdido

Stéphane Heuet é um publicitário e artista plástico belga de cinquenta e poucos anos que decidiu adaptar para os quadrinhos os romances que formam o ciclo "Em busca do tempo perdido", de Marcel Proust. O primeiro dos ensaios saiu originalmente em 1998. A editora Zahar havia publicado a versão brasileira do "Um amor de Swann - parte1", quarto volume da série, em 2007, mas esta deve ter se esgotado muito rapidamente pois só agora, no final de 2009, consegui um exemplar. Claro que esta adaptação não substitui a leitura da versão original (poucos livros são tão seminais e poderosos como os sete volumes deste ciclo), mas é uma experiência rica voltar aos personagens, à ambientação, ser novamente apresentado a algumas das passagens memoráveis produzidas por Proust. Como não sofrer, junto com Charles Swann, das dores do amor e do ciúme. A edição é bem cuidada e traz um bom mapa da Paris retratada no livro, bem como uma espécie de glossário, onde os personagens são apresentados e com informações complementares, dirigidas àqueles pouco familiarizados com a obra de Proust, que possibilitam uma apreciação mais prazeirosa do livro. De ser mesmo uma ocupação maravilhosa dedicar-se a esta adaptação. [início 15/12/2009 - fim 15/12/2009]
"Em busca do tempo perdido - Um amor de Swann (parte1)", Marcel Proust, adaptado e desenhado por Stéphane Heuet, tradução de André Telles, editora Zahar, 1a. edição (2007), capa dura 21x28 cm, 52 págs. ISBN: 978-85-7110-992-6