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terça-feira, 6 de agosto de 2019

o apito do trem

Byrata é um sujeito industrioso. Ele edita vários livros por ano, dá consultoria e revisa livros dos outros, escreve os seus, produz cartuns e ilustrações sempre inventivas, agita o mundo da cultura e arte aqui de Santa Maria. Ganhei esse "O apito do trem" ainda no ano passado, quando fui à Feira do Livro de Porto Alegre, mas o livrinho perdeu-se nos guardados, meu escritório está uma confusão dos diabos. Noutro dia, eita! O livro apareceu do nada, estava ali, ao alcance da mão. Trata-se de um livrinho para quem está se alfabetizando, pode ser lido, mesmo por quem ainda tatibitate, pode ser ouvido por quem ainda nada sabe ler, pode ser também colorido. A história brinca com com os sentidos, com o apito de um trem que pode ser confundido com o apito de um navio, com a ideia que um navio possa navegar pelas coxilhas do Rio Grande, rumo ao Rio Uruguai. Mas como, se Santa Maria está há centenas de quilômetros do mar e tão próxima dos trilhos de trem? Byrata explica, com calma e sorriso franco. Preciso descobrir alguém que tenha um filhinho de colo, para presenteá-lo com esse belo livrinho. Vale!
Registro #1436 (infanto-juvenil #49)
[início-fim: 17/05/2019]
"O apito do trem: uma historinha para os netos", Byrata (Jorge Ubiratã da Silva Lopes), Santa Maria/RS: editora Rio das Letras, 1a. edição (2017), brochura 14x20 cm, 12 págs., ISBN: 978-85-65172-44-8

sábado, 19 de novembro de 2016

onde está mimi?

O Byrata das histórias gaudérias e de dinossauros eu já conheço muito bem. Não conhecia seus livros diretamente dedicados ao público infanto-juvenil, como esta historieta sobre uma gata chamada Mimi que sumiu. E essa gata existiu mesmo. Era a mascote da família Byrata, ali na Vale Machado, perto do Colégio Manoel Ribas, de Santa Maria. Num dia de verão desapareceu, virou um sopro, uma memória e também uma dor. Elaborar perdas, vivenciar o luto, assimilar a morte, sempre é algo que fazemos cada um a seu modo e a seu tempo. Byrata optou por registrar as buscas que ele e seus outros mascotes fizeram para encontrar Mimi. Acompanhamos os esforços de um cachorro chamado Toco e de um gato chamado Morcego em lembrar seu dono do sumiço da gata e até esperamos um final feliz, mas como sua gata é agora também um personagem que segue as leis da ficção literária, ficará para sempre na condição do final do livro: perdida sim, provavelmente morta, mas talvez até viva, porquê não?, em outra casa, com outra família, vivendo outras e novas aventuras. Lembra aquele gato famoso da física, o gato de Schrödinger, sempre paradoxalmente vivo-morto dentro de uma caixa  (enquanto a deixamos fechada, sem abrir), nunca apenas vivo ou apenas morto. Claro, vale lembrar que as leis da mecânica quântica não funcionam no mundo macroscópico, o nosso, dos homens e dos gatos, mas o símile de Schrödinger tem essa singular função didática. Grande Byrata. Sua Mimi sempre viverá na memória, na sua, na dos teus e de nós, os leitores deste lírico livrinho. Abraços. 
[início-fim: 10/11/2016]
"Onde está Mimi?: A história de uma gatinha que sumiu", Byrata (Jorge Ubiratã da Silva Lopes), Santa Maria/RS: editora Rio das Letras, 1a. edição (2016), brochura 20x20 cm, 24 págs., ISBN: 978-85-65172-24-0

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

xirú lautério e o tigre n'água

Do Byrata já li várias revistas em quadrinhos, mas só uma delas já havia registrado aqui (Xirú Lautério e os dinossauros). Comprei "Xirú Lautério e o Tigre n'água" durante a última feira do livro de Santa Maria, ainda em maio. Como esse volume sumiu de meu radar e ficou tanto tempo sem ser registrado aqui só meus combates com o velho Alzheimer pode explicar. Paciência. A história foi escrita e finalizada com tinta nanquim por volta de 1993, mas o Byrata deixou as pranchas originais guardadas durante vinte anos para só as digitar e editar recentemente. A história é movimentada, assim como na aventura com os dinossauros. Encontramos fugas espetaculares dos perigos do campo, peleias inusitadas do gaudério com o mundo tecnológico dos helicópteros e caças Xavantes, causos contados à luz de rodas de fogo, cavalgadas épicas e o tal encontro com uma onça pintada nas encostas do rio Jaguari. Byrata diverte ao apresentar sua leitura das tradições gaúchas. Claro, o Xirú faz por merecer o título de "o mais bagual dos personagens das histórias em quadrinhos brasileiras". Parabéns Byrata.
[início/fim: 29/04/2014]
"Xirú Lautério e o Tigre n'água: uma aventura no Rio Jaguari", Byrata (Jorge Ubiratã da Silva Lopes), Santa Maria/RS: editora Rio das Letras, 1a. edição (2013), brochura 21x30 cm, 24 págs., ISBN: 978-85-65172-09-7

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

xiru lautério

Byrata é cartunista dos bons, um cara industrioso. Sempre está envolvido com oficinas de histórias em quadrinhos, com projetos de divulgação do patrimônio paleontológico, ferroviário e aeronáutico da região de Santa Maria ou com a produção, edição e ilustração de livros. No meio disso tudo mantém a produção regular das suas histórias em quadrinhos. Ele inventou o personagem "Xiru Lautério" em meados dos anos 1970. O Xiru é um gaúcho adestrado à lida no campo, ao trato com os cavalos, os elementos, o clima. Não é arquétipo como um "Don Segundo Sombra", mas leva jeito. Há uns cinco anos Byrata publicou a primeira parte de uma aventura do Xiru com dinossauros. Um gaudério de almanaque, típico, pilchado na alma, envolvido com dinossauros extintos há 65 milhões de anos? Sim. É o inusitado da coisa que chama a atenção, mas a história se sustenta por conta do domínio que Byrata tem do formato, da narrativa, do traço. Segundo ele a produção dessa segunda parte envolveu quase quatrocentas tiras e oitocentos desenhos. Como ele é meticuloso e perfeccionista os esboços descartados devem ser contados na escala dos milhares. A história é divertida, fala de tecnologia e das tradições gaúchas. A surpresa foi encontrar ali uma consistente homenagem à música regional, campeira, num registro realmente forte. Haverá ainda histórias para contar com o Xiru e seu tordilho? Vamos a ver. Certamente Byrata irá produzir algo no futuro, mas por agora o Xiru vai é pelear solito no mercado dos livros e das letras. [início - fim 28/09/2011] 
"Xirú Lautério e os dinossauros (parte 2 de 2)", Byrata (Jorge Ubiratã da Silva Lopes), Santa Maria: editora Rio das Letras, 1a. edição (2011), brochura 21x30 cm, 104 págs., sem ISBN