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sexta-feira, 17 de junho de 2011

obras encolhidas

Diomar Konrad é um bom frasista e tem mesmo uma imaginação poderosa (acrescentar que ele abusa da ironia nas horas vagas e não vagas é quase redundante). Anos atrás ele lançou uma primeira versão de suas "máximas", seus aforismos, compilados com paciência desde seus dias de estudante. A edição era bem acanhada, mas as frases se defendiam sozinhas e fisgavam o leitor. Recentemente ele produziu a segunda versão de suas frases feitas. São jogos verbais, onde ele usualmente surpreende o leitor com uma lógica torta, um viés diferente. Nesta edição ele contou com uma parceria nova, na forma de ilustrações a suas frases, produzidas por Paulo Chagas. As ilustrações dialogam com o texto, acrescentantando alguma leveza às palavras ásperas e ferinas do Diomar. Eles alcançaram mesmo um bom resultado. Se estes dois se animarem um tanto poderiam convidar uns outros sujeitos que adoram produzir frases de efeito e registrá-las em um blog (ou cousa que o valha). Sempre lembro do quão divertido é o blog mantido pelo Millor por exemplo, mas esta é apenas uma idéia torta minha. [início 13/05/2011 - fim 13/05/2011]
"Obras encolhidas - volume 2 : máximas de Diomar Konrad, ilustradas por Paulo Chagas, lidas por quem gosta de perder tempo", Diomar Konrad, ilustrações de Paulo Chagas, Santa Maria: editora Manuzio, 1a. edição (2011), brochura 11x18 cm, 48 págs. sem ISBN

quarta-feira, 27 de maio de 2009

cotidiano crônico

Diomar Konrad é um jornalista que eu gosto de ler. Ele costuma dizer que gosta de provocar, de incomodar, de tirar os amigos e inimigos do sério. E ele também gosta de não ser levado muito a sério. Nas suas crônicas a ironia é mais que uma figura de linguagem ou retórica, mas sim a própria razão de ser do texto. Mas Diomar não é escravo de um estilo só. Ele sabe ser convincente e bom de se ler mesmo nos textos menos irônicos (o que talvez seja um bom exemplo de excelência invulgar). Atualmente ele escreve crônicas para um jornal da cidade. São crônicas curtas, ocupam um terço de uma página tamanho tablóide, e que precisam ser mesmo concisas, mas boas o suficiente para já ganhar a atenção do leitor no primeiro parágrafo. Neste "Cotidiano crônico" ele selecionou pouco menos de quarenta delas produzidas nos últimos seis, sete anos. Algumas sobrevivem melhor no formato livro do que outras, que perdem um tanto do frescor que tinham quando as encontramos no jornal pela primeira vez. O livro se defende sozinho, garante boa diversão e bom material para reflexão. Gosto particularmente das crônicas onde ele mostra as contradições e as bizarrices no amor e no sexo, bem como naquelas onde ele faz resenhas críticas dos maus hábitos e auto-enganos das pessoas. O livro é uma produção quase artesanal dele mesmo, por conta disto o resultado é um tanto irregular. Talvez o livro faça por merecer o olhar e o acolhimento de um editor generoso. É dura esta vida de cronista! Parabéns Diomar, mas não vou deixar de registrar aqui que eu mesmo prefiro algo mais forte, algo como um bom e definitivo sarcasmo (pois o atual quadro político, social e econômico do Brasil é para mim medíocre demais, vulgar demais, estúpido demais, para que apenas a ironia nos conforte). [início 02/05/2009 - fim 05/05/2009]
"Cotidiano crônico", Diomar Konrad, editora Manuzio (1a. edição) 2009, brochura 14,5x21, 120 págs. sem ISBN

terça-feira, 15 de maio de 2007

confrades

Estamos vivendo em uma época onde podemos sem pejo ser cabotinos, falsos, inconstantes, mentirosos, traidores, agressivos, hipócritas, tolos ou quaisquer outros atributos que no passado seria ofensivo ostentar. Na leitura de qualquer jornal ou em um par de minutos na frente da televisão somos apresentados a uma fauna de homens de quem não compraríamos um carro usado, quanto mais convidar para uma mesa de bar. Mentir, trapacear, mudar de opinião, roubar idéias e virtudes, comprar votos e consciências parece ser a moeda de troca da franca maioria dos políticos e homúnculos que habitam o noticiário neste início de século brazuca. Fazer o quê? Ler um bom livro, namorar a menina bonita, pescar um bom peixe, nadar em um bom mar, ouvir uma música cara à memória, cozinhar para os amigos, cousas assim são soluções válidas. O problema da primeira sugestão é que o livro em questão aí à esquerda tem textos meus e mesmo o mais corrupto dos senadores e mais torpe dos deputados desta república teria certo pudor de fazer prosa laudatória de suas próprias garatujas (em geral eles pedem para um colega fazê-lo, com a obrigação do favor ser devolvido logo, claro). Este livro foi produzido por muitas mãos e é irmão de um outro, de poesias. Do livro dos poetas eu poderia falar mais e com mais isenção, por isto vou deixar isto para uma outra resenha. Do livro de crônicas basta eu dizer que são sete autores (seis autores e uma autora, a Sione, que ficou por último na lista ordenada alfabeticamente e parece carregar à todos nas costas). São sete crônicas de cada autor, a grande maioria inéditas, recém saídas dos fornos e dos dedos dos viventes. Seguramente eu sou o menor dos anões ali. O Candinho, o Diomar, a Sione, o Larré, o Canellas, mestres que são, têm suas colunas fixas nos jornais locais. O Athos não publica toda semana mas é escritor prolífico e não tem medo de ouvir uma recusa dos editores de plantão quando submete suas crônicas ligeiras. Assim, bem acompanhado, fica fácil empurrar meus textos goela abaixo do leitor. Se o leitor se engasgar com meus erros de concordância ou com minha rude verve certamente encontrará cronistas mais equilibrados nas páginas seguintes às minhas no livro. Gostei muito de fazer parte deste projeto. Vamos a ver o que você acha afinal de contas. Se é que você vai se interessar por ele, diga o que achou dos textos afinal. É isto. Bom divertimento.
O Maquinista Daltônico - Crônicas, Aguinaldo Medici Severino, Athos Ronaldo Miralha da Cunha, Antônio Candido de Azambuja Ribeiro, Marcelo Canellas, Diomar Konrad, Ludwig Larré, Sione Gomes, editora Manuzio, 1a. edição (2007) ISBN: 978-85-89833-99-8