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segunda-feira, 7 de maio de 2012

o butim da guerra

Nos livros de marinharia de Patrick O'Brian, das aventuras do capitão da marinha inglesa Jack Aubrey, não há surpresas, a diversão - ligeira - é garantida (não se pode ter tudo nesta vida). "O butim da guerra" segue imediatamente os sucessos de "A ilha da desolação", que se passaram no sul do Oceano Índico. Naquele volume ingleses e americanos mantinham alguma reserva entre si, numa agressividade contida, mas neste os dois países já estão em guerra aberta. O governo americano havia construido sete poderosas fragatas e desfiavam ostensivamente o até então hegemônico poder naval inglês. Jack e seus comandados inicialmente seguem até uma base inglesa na Malásia, onde recebem ordem de voltar a Inglaterra, para juntar-se ao esforço de guerra com os americanos. Mas os caminhos do mar são traiçoeiros. Um acidente os deixa a deriva no Oceano Atlântico, próxima à costa brasileira. Eles são resgatados por um navio inglês que fazia exatamente o caminho inverso, rumo as colônias no extremo oriente. Mas a má sorte dos naúfragos parece seguí-los de perto, pois este navio de guerra, o Java, logo se envolve em um combate com uma das fragatas americanas, a Constitution, e é rapidamente afundado. Jack e outros poucos sobreviventes são levados prisioneiros para Boston. Ali ficam sabendo que três grandes navios ingleses já haviam sido afundados e/ou aprisionados. O orgulho inglês ferido. A partir deste ponto a narrativa ganha o ritmo mais próprio de livros de espionagem. Interesses ingleses, franceses e americanos (tantos dos que apoiam a jovem república, quanto os saudosos dos tempos coloniais) se cruzam. Stephen, médico e grande amigo de Jack é um ativo espião inglês e tenta não ser desmascarado. Em algum ponto todos irão voltar ao mar e se envolver em uma nova batalha. Aprendi um bocado neste livro. O'Brian reflete sobre o início da transição de poder, dos ingleses para os americanos, que já se podia visualizar no início do século XIX. Vamos em frente. [início 25/04/2012 - fim 05/05/2012]

"O butim da guerra", Patrick O'Brian, tradução de Paulo Cezar Castanheira, Rio de Janeiro: editora Record, 1a. edição (2012), brochura 13,5x21 cm, 367 págs. ISBN: 978-85-01-08729-4 [edição original: Fortune of war (Londres: Harper Collins) 1979]

sábado, 14 de março de 2009

a ilha da desolação

Os livros não tem pudor, exibem-se desavergonhados nas estantes, ávidos pedintes por leitores de ocasião. Comprei e li este exemplar de "A ilha da desolação" como quem uma vez mais procura uma amante conhecida, de quem sabemos bem os hábitos mas que acreditamos serem capazes de ainda nos surpreender. Este é mais um dos romances históricos de marinharia de Patrick O´Brian (é o quinto na verdade, tratando de acontecimentos imediatamente posteriores ao "Expedição à Ilha Maurício, que resenhei aqui meses atrás). O capitão Aubrey volta a seu posto depois de ter assumido o de Comodoro na aventura anterior. Após meses de vida doméstica na Inglaterra é incumbido de levar um grupo de prisioneiros à distante Austrália e depois auxiliar o governador do lugar a manter a ordem pública. Apesar da irrelevãncia do comando oferecido Aubrey aceita pois qualquer coisa é melhor que o aborrecido campo inglês e os problemas nos negócios. Seu amigo médico (e espião inglês nas horas vagas), Stepehn Maturin, também vê na viagem uma oportunidade de afastar de uma decepção amorosa e de seu vício crescente pelo laúdano. Entre os prisioneiros do navio há uma americana, anteriormente associada exatamente pela mulher por quem Maturin está apaixonado. No longo caminho até a Austrália Aubrey e sua tripulação se vêem em tribulações mil: tempestades, mortes na tripulação, epidemia de tifo, calmarias longas e desgastantes, falta de água, paradas forçadas - no Recife brasileiro aliás, um renhido combate naval com uma embarcação holandesa, quebra do leme do navio, dificuldades na navegação pelas águas geladas do oceano antártico, abandono de parte da tripulação. Finalmente conseguem atracar em um porto isolado de uma ilha distante chamada Desolação. Americanos e ingleses reinvindicam soberania pela ilha e a chegada repentina de um navio baleeiro americano gera forte tensão entre os dois grupos (hoje a ilha é uma possessão francesa). Aubrey necessita de ajuda dos americanos para consertar o leme de seu navio, enquanto estes precisam com urgência da habilidade médica de Maturin. A tensão entre os dois grupos reflete o ambiente que antecede a guerra que haverá entre os dois países em 1812 (na qual a Casa Branca foi incendiada e o jovem país quase voltou a fazer parte do império britânico, cabe dizer). É um livro bastante movimentado. A perseguição e a batalha contra o navio holandês é animada. Os truques de espionagem e contra-espionagem descritos no livro também. É um bom divertimento de férias. Leitura descompromissada mas que tem seu valor. [início 14/02/2009 - fim 18/02/2009]
"A ilha da desolação", Patrick O´Brian, tradução de Sônia Coutinho, editora Record (1a. edição) 2009 brochura 13,5x21, 413 págs. ISBN: 978-85-01-08078-3

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

ilhas austrais

Em junho eu já havia resenhado aqui um livro de O´Brian e havia dito que não havia gostado muito. Resolvi dar uma nova chance para o sujeito, afinal são vinte livros dedicado ao "Mestre dos Mares", sucesso no mundo da marinharia e dos romances históricos. Este último publicado no Brasil, "Expedição à Ilha Maurício", é muito bom. As reviravoltas, as descrições das batalhas, a análise da situação política da época e a arte do romance (afinal de contas estamos envolvidos nisto para ler uma boa história) tudo me pareceu muito satisfatório. A ação se dá no Oceano Índico desta vez, em torno de um conjunto de ilhas próximas a atual Madagascar, a grande ilha que um dia os portugueses sonharam manter no império colonial, mas que foi tomada pelos franceses. As batalhas descritas neste último livro se dão entorno das ilhas Maurício e Reunião e da cidade do Cabo da Boa Esperança, à época estratégico porto inglês. Apesar dos sucessos alcançados pelos ingleses no romance, Maurício é hoje um país independente e Reunião continua um departamento francês de além mar. Cronologicamente este é o quarto volume das aventuras de Jack "sortudo" Aubrey, com a patente provisória de comodoro. O enredo envolve batalhas reais que aconteceram por volta de 1810, durante as guerras napoleônicas. No romance vários outros capitães/personagens se envolvem nas batalhas e há uma honesta análise da psicologia dos personagens, demonstrando - ao menos para mim, um analista leigo dos mais pedestres - o refinado domínio de Patrick O´Brian em outros assuntos além da história náutica.
"Expedição à Ilha Maurício", Patrick O´Brian, tradução de Domingos Demasi, editora Record, 1a. edição (2007) ISBN: 978-85-01-075298-14

sexta-feira, 22 de junho de 2007

sessão da tarde


Há dois ou três anos atrás li os primeiros livros de Patrick O´Brian traduzidos para o português (O Mestre dos Mares, O Capitão, O Lado Mais Distante do Mundo). Os livros haviam sido publicados na esteira do sucesso da versão em filme, dirigido por Peter Weir. De fato eram livros gostosos de ler e repletos de ação, bem como um personagem singular que é uma mistura de Darwin com 007. Gostei. Agora recentemente "A Fragata Suprise" foi lançado. Resolvi ler para recuperar aquele espírito juvenil de sessão da tarde mas não funcionou. Os elementos são os mesmos de sempre: muita marinharia, termos náuticos, batalhas minunciadamente descritas, bons personagens e uma boa dose de humor. Todavia desta vez as longas passagens que antecipam as duas únicas batalhas navais do livro nem de longe têm o frescor encontrado nos livros anteriores. Pode ser que eu esteja mais casmurro e exigente atualmente mas não gostei mesmo. Desta vez o comandante Aubrey e seu escudeiro Maturin se aventuram pelo Oceano Índico, inicialmente para transportar um alto dignatário inglês para um posto na Malásia, mas após trocentas linhas explicando a necessidade imperiosa do governo inglês em estreitar laços com aquele país o autor mata o sujeito e o enterra anônimo em uma praia da costa oriental da Índia. Incrível. As reviravoltas românticas dos personagens principais e suas princesas consortes também é muito difícil de se ler, chato mesmo. Paciência. Ainda vou dar uma chance para o O´Brian e experimentar algum outro livro dele, mas fiquei com uma forte prevenção contra ele desta vez.
"A Fragata Suprise", Patrick O´Brian, tradução de Alves Calado, editora Record, 1a. edição (2007) ISBN: 978-85-01-07528-4