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terça-feira, 13 de outubro de 2020

quem faz o quê?

Já faz anos que não convivo com crianças. Houve uma época em que todos os amigos tinham filhos, em que nasceram minhas sobrinhas queridas, Clara e Victória, em que tornei-me padrinho do Dante. Sempre gostei de conversar com todas elas e também presenteá-las. Depois as crianças cresceram, os casais se separaram, o ritmo da vida mudou e o hábito - que sabe ser um fiel camareiro, porém sabe também ser cruel - as colocam em um lugar inacessível, longe da minha rotina. Agora que eu tenho um fenótipo mais próximo daquela antiga definição que uns amigos fizeram nos tempos da USP, a de ser o "velho e cansado Guina", aquele que levava tudo a sério, mais para taciturno que para brincalhão, não sei mais o melhor jeito de se aproximar de crianças e jovens, sobretudo nestes tempos rudes e estúpidos que vivemos. Paciência. Noutro dia achei esse livro do Ricardo Aleixo, um livro onde um único poema  tem cada um dos versos ilustrado em páginas duplas (são desenhos bem coloridos, assinados por Regina Miranda). Lê-se o poema e recuperamos algo das alegrias de conviver com crianças, vivenciar aqueles estalos adoráveis, ver o furacão encarnado que cada uma delas tem dentro de si.  Certamente as crianças (e as crianças grandes) vivem um bom momento lendo e folheando esse livro de Ricardo Aleixo e Regina Miranda (ouvendo-o, como discute o poema). Deixo ele aqui: "Morrer é com os vivos. / Chorar é com as nuvens. / Saber é com os livros. / Separar é com as margens. / Voar é com as pedras. / Pisar é com os pés. / Piscar é com as pálpebras. / Calar é com a voz. / Morder é com os dentes. / Durar é com o tempo. / Lembrar é com os elefantes. / Soprar é com o vento. / Ver é com os fatos. / Mascar é com as cabras. / Assustar é com os ratos. / Desdobrar-se é com as cobras. / Tatear é com os cegos. / Roer é com os esquilos. / Ouvir é com os morcegos. / E ouver... / é com os crocodilos.". Vamos a ver se encontro algum jovem casal que tenha alguma criança em casa para presenteá-lo com esse "Quem faz o quê?". E segue o baile. Vale!
Registro #1579 (infanto-juvenil #50)
[início - fim: 21/09/2020]
"Quem faz o quê?", Ricardo Aleixo (texto), Regina Miranda (ilustrações), Belo Horizonte: Formato Editorial, 1a. edição (1999), brochura 20,5x23 cm., 28 págs., ISBN: 85-7208-240-9

terça-feira, 6 de agosto de 2019

o apito do trem

Byrata é um sujeito industrioso. Ele edita vários livros por ano, dá consultoria e revisa livros dos outros, escreve os seus, produz cartuns e ilustrações sempre inventivas, agita o mundo da cultura e arte aqui de Santa Maria. Ganhei esse "O apito do trem" ainda no ano passado, quando fui à Feira do Livro de Porto Alegre, mas o livrinho perdeu-se nos guardados, meu escritório está uma confusão dos diabos. Noutro dia, eita! O livro apareceu do nada, estava ali, ao alcance da mão. Trata-se de um livrinho para quem está se alfabetizando, pode ser lido, mesmo por quem ainda tatibitate, pode ser ouvido por quem ainda nada sabe ler, pode ser também colorido. A história brinca com com os sentidos, com o apito de um trem que pode ser confundido com o apito de um navio, com a ideia que um navio possa navegar pelas coxilhas do Rio Grande, rumo ao Rio Uruguai. Mas como, se Santa Maria está há centenas de quilômetros do mar e tão próxima dos trilhos de trem? Byrata explica, com calma e sorriso franco. Preciso descobrir alguém que tenha um filhinho de colo, para presenteá-lo com esse belo livrinho. Vale!
Registro #1436 (infanto-juvenil #49)
[início-fim: 17/05/2019]
"O apito do trem: uma historinha para os netos", Byrata (Jorge Ubiratã da Silva Lopes), Santa Maria/RS: editora Rio das Letras, 1a. edição (2017), brochura 14x20 cm, 12 págs., ISBN: 978-85-65172-44-8

segunda-feira, 22 de julho de 2019

sumchi

Lê-se esse pequeno livro com uma alegria incontida, página a página, nas quais acumulamos surpresas e espantos. Amós Oz registra em livro, numa linguagem que é ao mesmo tempo rica e acessível, especialmente ao público mais jovem - a quem o livro é direcionado - o que talvez seja mesmo um fragmento de sua memória, um recorte de sua própria vida. É quase um conto de fadas. Amós Oz descreve o que talvez tenha sido o momento vivido de sua metamorfose para ser um contador de histórias, sua transformação em um inventor literário, um escritor. O leitor encontra um narrador que vive em um Israel ainda administrada pelos ingleses. O narrador sabe que sua história é banal, poderia ser resumida em uma única frase, todavia, ao longo das poucas horas deste dia, para ele especial, o sujeito descobre os desdobramentos do amor, da amizade, das relações comerciais, da ética, da vida em sociedade, da estranheza que há entre pais e filhos, da existência do acaso, dos azares e das sortes. Livro realmente bem bacana. Li em um dia aziago, mas que me fez sonhar na noite seguinte como uma criança, como alguém liberto de toda culpa e preocupação. Recomendo. Vale! 
Registro #1432 (infanto-juvenil #48)
[início: 29/06/2019 - fim: 30/06/2019]
"Sumchi: uma fábula de amor e aventura", Amós Oz, tradução de Paulo Geiger, São Paulo: editora Schwarcz (Companhia das Letras / Penguin Random House), 1a. edição (2019), capa-dura 12,5x18 cm., 128 págs., ISBN: 978-85-359-3214-0 [edição original: 1978]

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

monstruário

A ideia até que é bacana, as ilustrações bonitas, mas não gostei desse "Monstruário", de Katia Canton. Sou um velho e cansado leitor, já se sabe, talvez não saiba exatamente por quais caminhos se deve sensibilizar os jovens para lhes possibilitar compreensão de temas complexos. Paciência. Katia Canton nos oferece um catálogo com doze tipos de monstros modernos, que assombram gente jovem e adultos, como não, também disponibilizando um antídoto adequado aos efeitos perniciosos provocados por eles. Os doze monstros de seu catálogo são alegorias de vícios, emoções dolorosas ou manias bem humanas, como o medo, a gula, a raiva, a ansiedade, a mentira, a culpa, o preconceito, a falta de autoestima, a depressão (e de todas as demais variantes possíveis). Funciona se o leitor entender o jogo, aquilo que não é explicitado no texto ou nas ilustrações. Talvez se uma pessoa mais velha lesse as histórias, como num conto de fadas, o efeito seja apreciável. Todavia, acho difícil que um adolescente, que é quem mais é afetado por estes males da contemporaneidade, aceite que um adulto leia em voz alta um livro para eles. Se para as crianças os argumentos utilizados são sutis demais para o real entendimento e se para um adolescente soam pueris, aborrecidos, talvez o livro só funcione para pais adultos, que precisam de alguma informação para entender as variações no humor de seus filhos. Muitos talvez para um livro só. Vamos em frente. Vale! 
Registro #1328 (infanto-juvenil #47) 
[início - fim: 07/09/2018] 
"Monstruário", Katia Canton, ilustrações de Maurício Negro, São Paulo: Editora DCL, 1a. edição (2013), brochura 16x23 cm., 32 págs., ISBN: 978-85-368-1593-0

domingo, 15 de julho de 2018

a cozinha encantada dos contos de fadas

Comprei um exemplar desse livro e presenteei primeiro a Clara, ainda no final do ano passado, depois comprei outro e deixei para a Raquel, gurias queridas, filhas, respectivamente, da Cássia e da Heloísa. Entretanto, também eu quis ter meu exemplar. Trata-se de um volume que convida o leitor a experimentar a cozinha, emular as receitas que encontramos ao ler as historias de contos de fada. Ao mesmo tempo oferece versões resumidas de cada um dos contos. Katia Canton é uma mulher de muitos talentos. Por conta da Helga conheço algo de seus livros de critica de artes plásticas, seus trabalhos de curadoria, de seus ensaios, mas não sabia desta sua veia de autora de livros dedicados ao público infantojuvenil (descobri agora que é vastíssima essa sua experiência). Em "A cozinha encantada dos contos de fadas" ela oferece uma aventura lúdica, onde versões abreviadas de algumas destas histórias são acompanhadas de receitas. O publico alvo do livro são jovens curiosos por aventura e por gastronomia. São 16 contos de fadas de quatro autores diferentes, os três grandes clássicos: Charles Perrault ("Cinderela", "O Gato de Botas", "Barba Azul", "A Bela Adormecida" e "Pele de Asno"), Irmãos Grimm ("Chapeuzinho Vermelho", "Rapunzel, Branca de Neve", "João e Maria" e "Príncipe Sapo") e Hans Christian Andersen ("Polergazinha", "A Rainha da Neve", "A Princesa e a ervilha", "A pequena vendedora de fósforos" e "O patinho feio") e uma mulher que eu não conhecia, Madame de Villeneuve, a inventora da história "A Bela e a Fera". As 23 receitas que são explicadas num formato visual, em diagramas muito práticos. O livro todo é bem editado, com ilustrações coloridas e uma miríade de detalhes bacanas. É mesmo um livro para ser desfrutado na cozinha, em grupo, nos quais as pessoas envolvidas podem falar das receitas que estão a fazer e das histórias que as inspiraram. A memória afetiva de quem nos leu os primeiros contos de fadas nunca nos abandona e a memória sensorial das primeiras experiências na cozinha também é algo mágico, que nos acompanha vida afora. Vale mesmo dar uma espiada neste livro. Vale! 
Registro #1290 (infanto-juvenil #46) 
[início: 12/06/2018 - fim: 19/07/2018]
"A cozinha encantada dos contos de fadas: 23 receditas cheias de magia e fáceis de fazer", Katia Canton, São Paulo: editora Schwarcz (Grupo Companhia das Letras), 1a. edição (2016), brochura 18x27 cm., 88 págs., ISBN: 978-85-7406-635-6

quinta-feira, 5 de julho de 2018

uma noite na praia

"Uma noite na praia" é um conto de fadas. Trata-se de uma versão dirigida ao público infantil de "A filha perdida", um complexo livro de Elena Ferrante que já li há tempos, ainda nas férias de verão, mas, ai de mim, não registrei aqui. Se em "A filha perdida" a narrativa é conduzida por uma mulher madura e sofisticada, aqui, em "Uma noite na praia" Ferrante faz uma boneca de pano contar sua versão da experiência do abandono, de ser esquecida na praia por sua dona após um dia de verão, jogos e alegrias. É uma história que poderia ser inventada por qualquer mãe ou pai que precisasse embalar o sono de uma criança que perdeu ou esqueceu algo de que gostava muito, e se recusa a dormir. No escuro da noite a boneca vê-se rodeada por seres assustadores, areia úmida, um gato, os marulhos das ondas, alguém que limpa a praia dos destroços abandonados pelos turistas, preparando-a para um novo dia. Leitura divertida, que nos faz lembrar dos dias de verão, das praias, da infância e das crianças. Domani vou falar da versão adulta desta história. Logo veremos. Vale! 
Registro #1280 (infanto-juvenil #45)
[início -  fim: 13/02/2018]
"Uma noite na praia", Elena Ferrante, ilustrações de Mara Cerri, tradução de Marcello Lino, Rio de Janeiro: Editora Autêntica, 1a. edição (2016), brochura 16,5x21 cm., 40 págs., ISBN: 978-85-510-0036-6 [edição original:  La spiaggia di notte (Roma: Edizioni e/o) 2007]

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

o lobinho vermelho

Em São Paulo, após ver exposições no Centro Cultural FIESP, entre elas uma, excepcional, sobre "ready-made no Brasil", parei para descansar em uma livraria e encontrei essa bela edição de "O lobinho vermelho", assinada por Amélie Fléchais, jovem ilustradora francesa. Comprei pensando em presentear Victória, sobrinha querida, mas como as festas de final de ano ainda estão longe é óbvio que não deixei passar a oportunidade de lê-lo. Trata-se de uma adaptação livre do antigo conto de fadas, "O chapeuzinho vermelho", a conhecida história de Charles Perrault que também foi reescrita pelos irmãos Grimm e tantos outros. Os papéis não estão exatamente invertidos, como o título sugere; a história ganha em complexidade e matizes; os personagens são mais ambíguos; o desfecho, diferente das versões tradicionais (de qualquer forma sempre há diferenças substanciais entre elas). No início da proposta de Amélie o lobinho é instruído pela mãe para levar comida para sua avó loba, que é muito velhinha para caçar. Claro, a mãe adverte o lobinho que ele deveria evitar uma parte da floresta, coisa que ele, distraído, acaba não conseguindo fazer. Uma garota o encontra perdido na floresta e diz que pode ajudá-lo a encontrar o caminho. A partir daí duas narrativas diferentes se entrelaçam, se complementam, a da menina e a do lobinho. Mais não conto, para não roubar o prazer da descoberta do leitor. As ilustrações, também assinadas por Amélie, são muito bonitas, poderosas (O leitor curioso pode ver parte delas aqui: clica!). As metamorfoses que experimentam os personagens lembram as de Ovídio (a de Acteon, por exemplo). Cabe dizer que esse livro foi produzido por financiamento coletivo, em 2014. Parabéns aos envolvidos. Acho que a Victória vai gostar. Vale!
Registro #1233 (hq's, infanto-juvenil #44)
[início: 25/10/2017 - fim: 27/10/2017]
"O lobinho vermelho", Amélie Fléchais, tradução de Heloísa Jahn, São Paulo: SESI-SP editora, 1a. edição (2017), brochura 19x27 cm., 80 págs., ISBN: 978-85-504-0563-6 [edição original: Le petit loup rouge (Paris: Ankama) 2014]

quinta-feira, 25 de maio de 2017

mitologia nórdica

Apesar de conhecer a série Sandman nunca li sistematicamente livros de Neil Gaiman. Neste blog só há um registro de leitura de cousas dele, o interessante "Objetos frágeis", de 2008. Recentemente ele publicou "Mitologia nórdica", uma leitura bem particular das sagas e dos mitos que, segundo ele mesmo, numa curta introdução, diz terem inspirado muito suas graphic novels ao longo da carreira. Assim como ele e eu, boa parte dos garotos nascidos no início dos anos 1960 tiveram seu primeiro contato com Asgard e seus habitantes por meio das revistas em quadrinhos do Poderoso Thor assinadas por Jack Kirby e Stan Lee. Gaiman, agora já com quase sessenta anos retomou esta paixão da infância, pesquisou as fontes primárias dos mitos, os Edda, textos escritos no início do século XIII, leu vários livros clássicos de interpretação, dentre eles os de Roger Lancelyn Green e Kevin Crossley-Holland. Sua linguagem é simples, direta, envolvente. Ele fala, descreve e reinventa os personagens principais (Odin, Thor, Loki), diz algo sobre a origem dos deuses e dos mundos, do entrelaçamento entre os mitos e a natureza, dos ciclos do herói e aventuras que os deuses nórdicos experimentaram, do Ragnarök inevitável. Lembrei-me do ritmo dos livros de Gustav Schwab sobre mitologia grega, que li ainda garoto na biblioteca pública de São Bernardo, já há tantos anos. Gaiman sabe estimular o leitor a procurar entender melhor as histórias, a ler outros livros e fontes, a interessar-se pelo tema (um tolo politicamente correto brasileiro diria apropriar-se dele, mas eu prefiro o velho e bom clichê que é mergulhar nos mitos e nos livros de mitologia). Como bem disse um grande amigo, o Robson Gonçalves: "Gaiman nos ilumina com informações e explicações dos termos, dos hábitos e da formação daquela cultura. Os 15 contos do livro abarcam o dia-a-dia, as festas, as lutas, as conquistas dos deuses escandinavos. Mas também seus temores, suas traições e sua crença num final de mundo absoluto. O fascínio da escrita e das estórias contadas por Gaiman, tornam ameno e bem palatável aquele cenário mítico". Verdade, don Robson, verdade. Grande livro.
[início: 20/04/2017 - fim: 21/04/2017]
"Mitologia nórdica", Neil Gaiman, tradução de Edmundo Barreiros, Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 1a. edição (2017), capa-dura 14x21,5 cm., 288 págs., ISBN: 978-85-510-0128-8 [edição original: Norse Mythology (New York: W.W. Norton and Company) 2017]

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

zona de sombra

Comprei esse "Zona de sombra" durante a Feira do Livro de Santa Maria, no início do ano passado. A ideia era ler rápido e presentear um afilhado meu que é um pequeno grande leitor, o Dante. Mas, ai de mim, envolvi-me em tantos projetos de leitura que esqueci completamente deste. Quantas vezes o Dante me cobrou o livro com aqueles seus olhos fulminantes! Só mesmo um padrinho velho e canalha como eu para os suportar sorrindo e postergar tantas vezes a entrega do presente, inventando uma desculpa besta a cada vez. Na última segunda-feira recebi dele um ultimato (e assinei um "documento" comprometendo-me em entregar o livro "na primeira oportunidade", uma licença de rábula amador). Bueno. Parei tudo e terminei rápido. É um livro bem interessante, que se deixa ler com facilidade. Luís Dill inventou trinta e duas possibilidades para o encadeamento de uma história de aventuras, com direito a tiroteios, lutas, encontros fortuitos, personagens curiosos, conversas entre gente muito diferente da protagonista, Tamara. A solução de cada uma das trinta e duas histórias só se dá nos últimos parágrafos. No primeiro capítulo, único comum a todas elas, encontramos Tamara, uma adolescente, que vai ao show de um cantor de quem é fã, presencia um crime e passa a ser perseguida por desconhecidos. Na fuga ela tenta esconder-se em um edifício de aspecto sombrio, ainda em construção, onde a iluminação difusa de alguns apartamentos denuncia que ali talvez alguém possa ajudá-la a telefonar para os pais ou para a polícia e voltar para casa. A partir daí começa o jogo "borgeano" de Dill, com uma sucessão de caminhos que se bifurcam: A garota deve subir ao primeiro ou ao segundo andar do edifício? Cada escolha implica em uma outra, e o jogo poderia seguir ao infinito. Como o livro deve ser finito Dill propõe apenas cinco vezes uma nova bifurcação. Tamara deve entrar num apartamento ou no outro de cada andar? Deve aceitar ou não a ajuda dos moradores de cada um deles? Deve voltar para o térreo ou não? Deve reagir de que forma às ameaças do líder da perseguição? Seu celular tocará num momento chave da trama ou não? Assim, o leitor encontrará trinta e dois futuros do jardim de caminhos de Tamara (mas não são todos os futuros possíveis, Borges nos diria). Gostei (e acho que o Dante vai gostar). Vamos ver o que ele diz.
[início: 04/05/2016 - fim: 19/01/2017]
"Zona de sombra", Luís Dill, Porto Alegre: Artes e Ofícios Editora, 1a. edição (2014), brochura 14x21 cm, 200 págs., ISBN: 978-85-7421-229-6

sábado, 19 de novembro de 2016

onde está mimi?

O Byrata das histórias gaudérias e de dinossauros eu já conheço muito bem. Não conhecia seus livros diretamente dedicados ao público infanto-juvenil, como esta historieta sobre uma gata chamada Mimi que sumiu. E essa gata existiu mesmo. Era a mascote da família Byrata, ali na Vale Machado, perto do Colégio Manoel Ribas, de Santa Maria. Num dia de verão desapareceu, virou um sopro, uma memória e também uma dor. Elaborar perdas, vivenciar o luto, assimilar a morte, sempre é algo que fazemos cada um a seu modo e a seu tempo. Byrata optou por registrar as buscas que ele e seus outros mascotes fizeram para encontrar Mimi. Acompanhamos os esforços de um cachorro chamado Toco e de um gato chamado Morcego em lembrar seu dono do sumiço da gata e até esperamos um final feliz, mas como sua gata é agora também um personagem que segue as leis da ficção literária, ficará para sempre na condição do final do livro: perdida sim, provavelmente morta, mas talvez até viva, porquê não?, em outra casa, com outra família, vivendo outras e novas aventuras. Lembra aquele gato famoso da física, o gato de Schrödinger, sempre paradoxalmente vivo-morto dentro de uma caixa  (enquanto a deixamos fechada, sem abrir), nunca apenas vivo ou apenas morto. Claro, vale lembrar que as leis da mecânica quântica não funcionam no mundo macroscópico, o nosso, dos homens e dos gatos, mas o símile de Schrödinger tem essa singular função didática. Grande Byrata. Sua Mimi sempre viverá na memória, na sua, na dos teus e de nós, os leitores deste lírico livrinho. Abraços. 
[início-fim: 10/11/2016]
"Onde está Mimi?: A história de uma gatinha que sumiu", Byrata (Jorge Ubiratã da Silva Lopes), Santa Maria/RS: editora Rio das Letras, 1a. edição (2016), brochura 20x20 cm, 24 págs., ISBN: 978-85-65172-24-0

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

gigantes invioláveis

Karen Wolf produziu esse pequeno livro para divulgar, sobretudo ao público infantil, aquilo que está escrito num dos artigos da constituição federal, o quinto, aquele que que trata dos direitos e garantias fundamentais dos brasileiros (e dos estrangeiros residentes no país). Ele inventou cinco personagens (uma gata, uma papagaia, uma ursa, uma formiga e uma elefanta) para representar os cinco direitos fundamentais descritos nesse artigo da constituição (o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade). As ilustrações foram produzidas em cores fortes, quentes, são antropomórficas e divertidas. Os textos são curtos e objetivos, afirmam didaticamente o que cada um dos cinco direitos significa, numa linguagem simples, porém precisa. Um adulto que se dispor a ler esse livro para as crianças (e que tenha alguma imaginação ou tino) saberá seguir a ideia básica de Karen, que é a de facilitar o acesso a informação, de forma a permitir que todos, pouco importando a idade, tenham alguma noção destas garantias constitucionais. Claro, é preciso ser um tanto otimista para acreditar que sua oferta seja bem acolhida pela sociedade brasileira, a meu juízo praticamente afogada num mar de hipocrisia e desinformação, quase toda ela escravizada mentalmente por velhas ideologias e práticas das mais condenáveis. Mas o projeto de Karen, mais que otimista, nasce da certeza que as futuras gerações de brasileiros podem sim ser capazes de transformar nosso país em um lugar melhor e mais digno. Parabéns minha cara. Longa vida aos "Gigantes invioláveis". Que eles cresçam e encontrem sempre um lugar nos corações e mentes de todos os brasileiros. Mesmo sendo o cínico incorrigível que sou rendo-me a seus esforços e entendo o grande valor de sua iniciativa. Vale.
[início - fim: 15/10/2016]
"Gigantes invioláveis", Karen Emília Antoniazzi Wolf, ilustrações de Isadora Forner Stefanello e Tiago Forner Stefanello, Santa Maria: Stefanello Studio, 1a. edição (2016), brochura 20x19,5 cm., 33 págs., sem ISBN

segunda-feira, 25 de julho de 2016

contos de duendes e folhas secas

Os contos de Sérgio Medeiros reunidos em "Contos de duendes e folhas secas" são muito criativos. Ele inventou histórias dirigidas ao público infantojuvenil que alcançam encantar também jovens mais velhos. Parecem aquelas histórias que fabulávamos para nós mesmos quando crianças (para matar o tédio num dia de chuva, ou provocados por uma tia brincalhona), rememorávamos ao contar para um irmão mais novo ou um avô paciente, depois confundimos com sonhos amalucados, mas que acabamos por esquecer quando crescemos muito ou simplesmente nos cansamos (só que o Sérgio parece não ter esquecido das histórias dele!). Em uma nota curta descobrimos que a inspiração de suas histórias veio da cosmologia dos índios guarani, todavia os seres inventados por ele (os "duendes coroados" do Paraguai, criaturinhas pequeninas, ubíquas e incontáveis, ou os "peixes-folhas" que querem nadar nas ondas de um mar) dão suporte para histórias de família; relatos intimistas, urbanos; conversas bem humoradas entre pai e filho, filho e avô, marido e esposa; contos que falam de relações de amizade e das descobertas partilhadas por pessoas que vivem próximas. Os personagens que ele cria estão sempre em movimento, em viagens, mas ou os tais duendes coroados ou os peixes-folhas sempre aparecem e interferem na rotina deles (ou brotam da imaginação coletivamente, como num jogo cujas regras apenas as pessoas que estão a jogar conhecem - não que as regras sejam exatamente rígidas). As narrativas sabem ser sofisticadas, escondem um leitor disciplinado, que lembra bem seu Câmara Cascudo, seu Lewis Carroll, seu Ovídio, seu Isaac Singer, seu Alejo Carpentier. Algumas imagens que surgem dos diálogos lembram o mundo mágico das pinturas de Chagall e de Klee. O tratamento gráfico do livro é muito bom e as ilustrações são assinadas por um sujeito conhecido como Fê. Ulalá. Esse sim é um livro que celebra a alegria de viver. Evoé.
[início: 19/07/2016 - fim: 24/07/2016]
"Contos de duendes e folhas secas", Sérgio Medeiros, ilustração de , São Paulo: editora Iluminuras (coleção Livros da ilha / divisão infantojuvenil), 1a. edição (2016), brochura 15,5x22,5 cm., 132 págs., ISBN: 978-85-7321-449-9

quarta-feira, 13 de julho de 2016

senhor augustin

Do alemão Ingo Schulze já li o bom romance "Adam e Evelyn" e os contos reunidos em "Celular" (mas não aquele que a crítica diz ser seu melhor trabalho, o romance "Vidas novas"). Noutro dia encontrei esse livro dele dirigido ao público infanto-juvenil. Vi que uma das personagens do livro chama-se Clara, como minha sobrinha, para quem costumava comprar livros deste tipo quando ela era ainda pequena. Trata-se de uma história delicada, sobre um velho senhor que com sua extravagância e ações inusitadas provoca reações rudes de seus interlocutores. Ele perde coisas (chaves, um chapéu, um guarda-chuva, amigos), mas não por muito tempo, pois "as coisas nos abandonam e depois voltam para nós", ele ensina. Quando comete um ato insensato, sabe se desculpar, e quando sofre um acidente sabe ver algo bom, que mitiga um tanto seu desconforto e dor. O senhor Augustin ensina que recebemos coisas mesmo antes de desejá-las, mas que há vezes em que só percebemos isso muito tempo depois de já tê-las perdido ou esquecido. As ilustrações de Julia Penndorf, também ela alemã, são muito bonitas (acho que são colagens de folhas de papel recortado e/ou rasgado). Interessante mesmo. Acho que a Clara vai gostar, mesmo sendo agora uma moça mais alta do que esse velho e cansado tio.
[início - fim: 04/07/2016]
"Senhor Augustin", Ingo Schulze, tradução de Irene Fehrmann, ilustrações de Julia Penndorf, São Paulo: editora Cosac Naify, 1a. edição (2009), capa-dura 25x30,5, 40 págs., ISBN: 978-85-7503-863-5 [edição original: "Der Herr Augustin" (Berlin: Berlin Verlag GmbH) 2008]

terça-feira, 13 de outubro de 2015

saudade

Há quase vinte anos conheci duas pessoas especiais, a Sirlei e o Ernani. Foi na sede do Instituto Estadual do Livro, em Porto Alegre, num dia em que o Donaldo Schüler falava sobre o Finnegans Wake e James Joyce (conheci um bocado de gente bacana naquele dia, mas esta é outra história). Nesse período de tempo que vai de meados dos anos 1990 até agora fizemos muitas coisas boas juntos, dividimos algumas tristezas, compartilhamos alegrias, mas também deixamos de nos encontrar como conseguíamos antes, na maioria das vezes por conta de minha agenda errática ou das trapaças do acaso. No início deste ano, por conta da virada do ano, Helga, Natália e eu ganhamos esse livro deles. O livro andou pela casa, foi lido por nós e combinamos de ir a Porto Alegre visitá-los, juntos, mas quem disse que conseguimos. Argh! Ainda há tempo, mas o ano termina rápido, os dias minguam. Veremos. "Saudade" foi produzido por um diretor, professor e dramaturgo argentino que está radicado em Portugal há muitos anos, Claudio Hochman. Ele escreveu sete contos curtos para que seu filho os lesse, um por dia, durante uma semana de retiro num acampamento de férias. A história discute o significado da palavra "Saudade", vocábulo e conceito estranho para um portenho que ensinava o filho a entender o português. A cada dia um arrogante rei que se imaginava muito culto tenta decifrar o sentido da palavra saudade (que lhe foi proposta por um diabólico Fernando Pessoa, claro). A história também fala à criança como os dias da semana são ditos em outras línguas (palavras associadas aos deuses e aos planetas, não a nossos monótonos múltiplos de "feiras"). Ao descobrir/sentir o significado de saudade o rei torna-se mais sábio e mais tolerante com aqueles que eventualmente sabem menos do que ele. Posteriormente, em 2009, os contos foram publicados em livro, numa edição bilíngue, castelhano e português. Com isso aquilo que era um segredo entre pai e filho tornou-se público. Dois anos depois uma outra editora decidiu reeditar o livro, incluindo ilustrações do português João Vaz de Carvalho. Ontem, que foi o dia das crianças, reli o livro, lembrei da Sirlei e do Ernani. Sei que vamos nos encontrar, como não, afinal já sabemos o que é sentir saudades.
[início 01/01/2015 - fim: 12/10/2015]
"Saudade: um conto para sete dias", Claudio Hochman, ilustrações de João Vaz de Carvalho, Editora Schwarcz (Companhia das Letrinhas), 1a. edição (2013), capa-dura 27x10 cm., 36 págs., ISBN: 978-85-7406-597-7 [edição original: Saudade, un cuento para siete dias (Aveiro/Portugal: Editora Teatro Aveirense) 2009; edição original com ilustrações (Gafanha da Nazaré/Portugal: Bags of Books editions) 2011]

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

filomena firmeza

O título original dessa história é "Catherine Certitude", mas o editores brasileiros optaram por emular o jogo verbal do francês com algo que para mim soa excêntrico demais: "Filomena Firmeza". Paciência. Patrick Modiano ganhou o prêmio Nobel de literatura deste ano. A história é realmente gostosa de se ler. Trata-se do registro das lembranças de infância de alguém que as recuperou através da inteligência, ou seja, que construiu o entendimento daquelas experiências e memórias apenas muito tempo depois de tê-las vivido (assim fazemos todos, pois quase sempre pouco entendemos das coisas que vivemos quando crianças). Filomena é uma menina nascida na França, filha de mãe americana e pai francês. A mãe, uma bailarina profissional, separou-se do marido e voltou a morar nos Estados Unidos, mas trata-se de uma separação provisória, pois a narradora sabe e alerta o leitor que o pai ficará na França apenas o tempo necessário para transferir seus negócios, emigrando também ele, juntamente com a filha. Pai e filha são cúmplices em suas rotinas e a força do hábito os fazem partilhar com alegria o dia a dia nas aulas de balé da menina e no escritório do pai (uma empresa de importação e exportação que talvez atue em negociatas, à margem - ou no limite - da lei). A questão da identidade é a chave do livro. Todos os personagens (seu pai; o sócio dele; uma professora de balé; os pais de uma amiga da escola), com a exceção de Filomena ,parecem ter um passado nebuloso, omitido; um presente inventado, artificial. Mas não há tensões ou reviravoltas na história, apenas um conjunto de cenas, onde o carinho do pai e o amor de Filomena preenchem o livro (que captura a imaginação do leitor). A edição inclui ilustrações de Jean-Jacques Sempé (talvez mais conhecido pelas ilustrações das histórias do personagem Le Petit Nicolas).
[início: 31/10/2014 - fim: 02/11/2014]
"Filomena Firmeza", Patrick Modiano, ilustrações de Sempé, tradução de Flávia Verella, São Paulo: editora Cosac Naify, 1a. edição (2014), brochura 13x20 cm., 96 págs., ISBN: 978-85-405-0639-8 [edição original: Catherine Certitude (Paris: Gallimard) 1988]

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O bicho alfabeto

Comprei esse pequeno livro para dar de presente mas acabei lendo, claro. Trata-se de uma colaboração algo artificial entre o poeta Paulo Leminski e o ilustrador Ziraldo. Leminski morreu em 1989. No ano passado a coletânea de seus poemas ("Toda poesia") foi um grande sucesso de vendas. Talvez por conta disso alguém da editora resolveu produzir essa edição, pinçando da coletânea original um conjunto de poemas, convidando Ziraldo para ilustrá-los e Arnaldo Antunes para produzir uma curta apresentação. Não há nada de errado nisso, mas o leitor precisa ser muito crédulo para entender que um dia esses poemas estiveram de fato ligados a um projeto autoral original de Leminski ou ainda, mesmo que remotamente, ligados ao poema "O bicho alfabeto" que dá nome ao livro. Paciência. As ilustrações são bonitas e ajudam o leitor a acompanhar os versos. Quem quer entender o mercado editorial brasileiro tem de lembrar daquele velho adágio: "Follow the money, somebody said". E vamos em frente.
[início: 10/07/2014 - fim: 11/07/2014]
"O bicho alfabeto", Paulo Leminski, ilustrações de Ziraldo, São Paulo: Companhia das Letrinhas (editora Schwarcz), 1a. edição (2014), capa-dura, 20,5x20,5 cm., 72 págs., ISBN: 978-85-7406-624-0

segunda-feira, 26 de maio de 2014

niña

"Niña", de Enrique Vila-Matas, faz parte de uma coleção de textos da editora Alfaguara dedicada ao público infantil. Nela só encontramos o ouro fino da literatura em español: Mario Vargas Llosa, Eduardo Mendoza, Almudema Grandes, Arturo Pérer-Reverte (que é o coordenador editorial da coleção) e Javier Marías - cuja contribuição, "ven a buscarme", já resenhei aqui. "Niña" conta a história de uma menina de cinco anos que começa a se alfabetizar, que inicia sua jornada no mundo mágico das letras, das palavras e dos livros. A menina se assusta com as primeiras dificuldades de aprender a ler e se surpreende quando descobre que apenas vinte e sete letras podem ser combinadas para produzir quaisquer palavras e idéias. As ilustrações são realmente muito boas, assinadas por Anuska Allepuz, uma jovem artista plástica madrileña atualmente radicada em Londres. Procurarei os outros livros desta coleção, seguro que sim.
[ínicio - fim: 23/05/2014] 
"Niña: Mi primer Enrique Vila-Matas", Enrique Vila-Matas, ilustrações de Anuska Allepuz, Madrid: Alfaguara Infantil (Santillana Ediciones Generales / Grupo Prisa), 1a. edição (2013), capa-dura 25x23 cm., 33 págs., ISBN: 978-84-204-1400-3

domingo, 11 de maio de 2014

sofia e mônica

A história é sobre duas garotas adolescentes, gente jovem que experimenta as alegrias e os aborrecimentos da amizade. O formato deve algo ao teatro ou cinema, pois um roteiro parece querer brotar do livro, com cenas bem demarcadas e vívidos diálogos curtos. O texto se divide em três vozes distintas: as das duas garotas, que produzem uma espécie de diário e a de um narrador que descreve o destino delas. Na primeira temporada de férias escolares (em que as duas ficam sozinhas num apartamento, longe dos pais) elas fazem um pacto. Mas pactos existem para serem rompidos, o mundo real sempre se encarrega de nos lembrar disto. Leonardo Brasiliense alcança manter o texto interessante e verossímil, sem ser piegas nem abusando de truques dramáticos. O livro inclui um conjunto de fotografias cuja narrativa complementa sutilmente o texto. Ao descobrirmos os destinos de Sofia e Mônica encontramos vestígios de nossas escolhas, nossos pactos, nossos amigos. Viver é sempre para amadores.
[início: 28/04/2014 - fim: 29/04/2014]
"Sofia e Mônica", Leonardo Brasiliense, Porto Alegre: Edelbra editora, 1a. edição (2014), brochura 14x21 cm., 92 págs., ISBN: 978-85-66470-42-0

quinta-feira, 20 de março de 2014

o gato e o diabo

Em meados de novembro fiz um registro da leitura da terceira das traduções de "The Cat and the Devil" (de James Joyce) para o português (traduções essas assinadas por Antônio Houaiss, Lygia Bojunga e Dirce Waltrick do Amarante). Recentemente encontrei essa outra, publicada em Portugal. A tradução é de Joana Morais Varela e as ilustrações são de Tomislav Torjanac, um respeitado artista plástico croata. Ler um texto que conhecemos bem traduzido para o português de Portugal sempre é uma festa para o cérebro, pois as palavras estão no mesmo português que partilhamos, brasileiros e portugueses, mas sabemos que o ritmo e a entonação delas torna tudo diferente quando é lido por esse ou aquele sujeito, brasileiro ou português de nascimento. Divertido. O texto de Joyce, sua carta para o neto, Stephen, presta-se sempre a ser recontado para crianças de qualquer idade. Já as ilustrações dessa edição mais recente é um caso a parte. Das quatro edições que tenho, essas são as que mais gostei, as mais expressivas e cheia de sutilezas. Ulalá. Aparentemente há uma nova coleção surgindo de meus guardados. Veremos o que o tempo e as viagens proporcionarão. Vale. 
[início - fim: 04/03/2014]
"O gato e o diabo", James Joyce, ilustrações de Tomislav Torjanac, Lisboa: Nova Vega (colecção Lendas e Contos), 1a. edição (2013), capa-dura 22,5x30,5 cm., 22 págs., ISBN: 978-972-699-992-8 [edição original: The Cat and the Devil (Letters of James Joyce, edited by Stuart Gilbert) London: Faber and Faber, 1957]

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

o gato e o diabo

Em 2012 toda a obra de James Joyce tornou-se de domínio público. Centenas de trabalhos (traduções dos livros, além de montagens teatrais, adaptações cinematográficas, exposições de artes plásticas) inspirados em Joyce foram publicados. "O gato e o diabo", carta que Joyce escreveu a seu neto Stephen, originalmente publicado em 1936, ganhou recentemente sua terceira edição brasileira. A primeira foi publicada em 1980, em tradução de Antônio Houaiss e com ilustrações de Roger Blanchon. A segunda edição foi publicada no início de 2013 pela Cosac Naify (a tradução é assinada por Lygia Bojunga, com ilustrações de Lelis - Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira - ilustrador e quadrinista mineiro). E esta terceira edição tem tradução assinada por Dirce Waltrick do Amarante (que também traduziu "Os gatos de Copenhagem"), com ilustrações de Michaella Pivetti. Dentre as duas últimas, publicadas neste 2013, gostei mais das soluções de Lélis, mas esta é opinião de um velho, cansado e aborrecido senhor. Talvez o público alvo destes livros - o público infanto-juvenil - pense de outra forma. E viva Joyce! Evoé!
[início - fim: 28/10/2013]
"O gato e o Diabo", James Joyce, tradução de Dirce Waltrick do Amarante, ilustrações de Michaella Pivetti,  São Paulo: editora Iluminuras (selo Livros da Ilha), 1a. edição (2013), brochura 21,5x23 cm., 32 págs., ISBN: 978-85-7321-418-5 [edição original: The Cat and the Devil (Letters of James Joyce, edited by Stuart Gilbert) London: Faber and Faber, 1957]