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sábado, 24 de novembro de 2012

poemas de konstantinos kaváfis

Tempos atrás li todos os poemas de Kaváfis em português. Tratava-se de uma boa edição da Odysseus e os 154 poemas conhecidos dele estavam ali traduzidos, lado a lado dos originais, por Ísis Borges da Fonseca. Eu havia acabado de ler o Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell, e estava entusiasmado com as coisas egípcias (a primavera árabe ainda não estava no horizonte). Os poemas de Kaváfis quase sempre envolvem temas históricos e/ou mitológicos que, por sua vez, incluem alguma reflexão plena de erudição. A primavera deste 2012 nos trouxe uma antalogia de poemas de Kaváfis, também bem editada (agora pela Cosac Naify) e assinada por Haroldo de Campos. Nem precisei pensar, logo comprei o livro, seguro que tudo a que Haroldo de Campos dedicou atenção e tempo vale ouro, merece uma consulta. Não me decepcionei. São só quinze poemas (dez por cento da produção original de Kaváfis), mas cada um deles parece tomar de assalto nossa sensibilidade e nos obrigar a pensar. Sou analfabeto em grego, crânio recheado de palha que sou, mas nas edições bilíngues os originais parecem nos estimular à leitura de um jeito mágico, como nos incentivando a alcançar uma compreensão maior. Na edição da Odysseus os poemas estão publicados em ordem cronológica e incluem curtas explicações temáticas da tradutora, Ísis da Fonseca. Já Haroldo deixa os poemas se defenderem sozinhos, o que não é uma má escolha. O livro inclui um kavafiano poema de apresentação assinado pelo próprio Haroldo; um ensaio onde ele detalha seus procedimentos e escolhas de tradução; dois excertos de poetas gregos (Dionysios Solomos e Odysseas Elytis, o primeiro predecessor e o outro sucessor, de Kaváfis) e uma nota final, assinada por Trajano Vieira, dando conta de como foi feita a compilação destes quinze poemas para publicação póstuma (e o porquê de não incluí-los no Entremilênios - volume onde estão reunidos o material inédito em livro à época de sua morte, em 2003). Vejam só, no 16 de agosto do ano que vem se completarão dez anos da morte de Haroldo. Será tempo de relembrá-lo um tanto, com renovado vigor e entusiasmo. Evoé. 
[início 12/09/2012 - fim 22/11/2012] 
"Poemas de Konstantinos Kaváfis", Konstantinos Kaváfis, tradução de Haroldo de Campos, São Paulo: editora Cosac Naify, 1a. edição (2012) brochura 16x26,5cm, 64 pág. ISBN: 978-85-7503-827-7 [edição original: Κωνσταντίνος Καβάφης (1863-1933)]

domingo, 23 de março de 2008

poemas de kaváfis

Ano passado li o Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell, e lá fui apresentado ao mundo mágico dos poemas de Konstantinos Kaváfis. Eu conhecia na verdade um ou outro dos poemas dele por conta de outros entusiastas, como Celso Braida, um filósofo amigo meu, que traduziu uma seleção deles anos atrás e don Ronái Rocha, que me mostrou os livrinhos. No ano passado mesmo encontrei esta bela edição bilíngue da Odysseus, dando conta que a íntegra dos 154 poemas de Kaváfis tinha sido pela primeira publicada cá no Brasil. Comprei de pronto e só agora nestas férias longas de Santa Maria tive a chance de ler com calma e deleite os poemas. Konstantinos Kaváfis nasceu e morreu em Alexandria, no Egito, mas sempre escreveu seus poemas em grego. Consta que era um homem bastante solitário, mas esquecido dos homens e dos muitos problemas pelos quais passou o mundo durante sua vida (1863-1933), construiu aos poucos uma obra respeitadíssima. Muitos escritores (não apenas gregos ou egípcios) não escondem seu débito literário a ele, apesar de apenas curtos 154 poemas seus terem sido produzidos. Nikos Kazantzakis disse que "escrevendo e retocando obstinadamente seus poemas até a forma com que desejou que se tornassem conhecidos do mundo, Kaváfis criou uma das obras poéticas mais originais de seu tempo". Os poemas estão publicados na ordem cronológica em que foram escritos. A maioria envolve temas históricos e/ou mitológicos que sempre incluem alguma reflexão plena de erudição. Mas o curioso é que ao ler lentamente estes poemas aos poucos fui lembrando de coisas minhas, sentimentos meus, que ainda não tinha racionalmente verbalizados. Esta é a mágica de certos livros, que nos escolhem antes de nós os escolhermos. Os poemas de Kaváfis, como um oráculo, me revelaram alguns temas e mesmo dúvidas bem entranhadas. Que experiência ímpar. Ao mesmo tempo que são enigmáticos e cheios de cifras a serem desvendadas os poemas algo que nos fortalecem, lembrando-nos que há mesmo pouca coisa de nova sobre o sol (além do verniz útil e fundamental da ciência e da tecnologia, sem os quais seríamos os mesmos homens que tateiavam a verdade nas planíceis duras da grécia). No final do livro boa parte dos poemas receberam curtas explicações temáticas da tradutora, que também assina uma curta introdução biográfica. Aprendi um par de coisas lendo este belo livro, que manterei por perto por um tempo, para tentar congelar esta sensação confortável (porém muito provavelmente enganadora) de se estar um tanto mais próximo de entender a alma humana.
"Poemas de K. Kaváfis", Konstantinos Kaváfis, tradução de Ísis Borges da Fonseca, editora Odysseus, 1a. edição (2006) brochura 14x21cm, 406 pág., ISBN: 85-88023-79-2