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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

a pane

Como já disse num outro registro, foi a arte da capa que me fez comprar este volume, que reúne duas narrativas de Friedrich Dürrenmatt. O romance "A Promessa" já registrei aqui. A novela (ou curto romance policial) "A pane" li uns dias depois, mas só agora alcanço escrever sobre ela. Essa segunda história não me impressionou tanto quanto a primeira, mas é uma boa narrativa psicológica. Em algum momento, bem no começo a bem da verdade, você eventualmente captura a chave literária do que se conta, e só segue até o final por curiosidade, para saber como o autor vai chegar àquele desfecho previsível. Há algo que lembra os contos fantásticos de Edgar Allan Poe. O carro de um caixeiro viajante suíço quebra perto de um vilarejo, cujos hotéis estão sem vagas. Alguém sugere a ele que um velho senhor dos arredores recebe eventualmente em sua casa pessoas que estejam em situações similares à dele. Inicialmente interessado apenas em aproveitar a pane de seu carro para procurar companhia amorosa na cidadezinha, o caixeiro viajante decide aceitar a hospedagem e o convite para um jantar que lhe faz seu anfitrião, um juiz aposentado. Dois velhos amigos do juiz também comparecem ao jantar. Ao caixeiro viajante é feito também o convite para participar de um jogo recorrente que os três octogenários amigos organizam nestas noites, o jogo de simular o julgamento de uma pessoa, aplicando a ela todo o implacável rigor de suas leis morais, não exatamente legais. No caso, obviamente, e por exclusão, cabe ao caixeiro viajante a função teatral de réu. Mais não conto, para não roubar o leitor o eventual prazer de ler esta curta novela. O que se destaca na narrativa são as descrições dos pratos servidos no jantar e, sobretudo, os vinhos que são nele servidos. Cada um deles dignos das recepções mais refinadas. O assombro do caixeiro viajante é similar àquele que experimenta o velho oficial no conto "A festa de Babette", de Isak Dinesen/Karen Blixen. Vamos em frente. Vale! 
Registro #1476 (romance policial #93) 
[início: 23/08/2019 - fim: 30/08/2019]
"A pane", Friedrich Dürrenmatt, tradução de Marcelo Rondinelli, São Paulo: Estação Liberdade editora, 1a. edição (2019), brochura 13,5x21 cm., 220 págs., ISBN: 978-85-7448-300-9 [edição original: Die Panne: Eine noch mögliche Geschichte (Zürick: Arche / Diogenes Verlag AG / Penguin Randon House Group) 1955]

terça-feira, 15 de outubro de 2019

a promessa

Foi a arte da capa que me fez comprar este volume, que reúne duas narrativas de Friedrich Dürrenmatt, respeitado escritor, dramaturgo e artista plástico suíço, morto em 1990 (vale registrar que a pintura da capa é dele mesmo, Dürrenmatt, e vale a pena consultar o portal Centre Dürrenmatt Neuchâtel, onde toda sua produção resta arquivada). Em algum ponto da leitura dei-me conta que "A promessa", a primeira das duas narrativas, era a versão original da história que resultou em um bom filme, "The Pledge", dirigido por Sean Penn e protagonizado por Jack Nicholson, que vi há quase vinte anos (o filme é de 2001). A trama é interessante, Matthäi, um diligente policial de um cantão suíço, prestes a ser enviado em uma missão oficial no oriente médio, resolve pedir demissão após dar-se conta que um sujeito, que havia cometido suicídio em virtude de acusações de assassinato, não poderia ser o autor dos crimes. A história de fato é bem engenhosa (o título original do livro tem como subtítulo "Réquiem para os romances policiais", o que explica um tanto das ambições do autor). O narrador é um policial aposentado, que conta os sucessos e obsessões daquele antigo subordinado seu, Matthäi, a um silente escritor de romances policiais, que recentemente havia proferido uma palestra sobre seu ofício e arte. Não pretendo aqui acrescentar mais pistas sobre o enredo do livro além das muitas que já registrei. Dürrenmatt alcança conduzir o leitor pelo transe heroico do personagem, que jamais descobrirá que a realidade é algo muito mais bizarro, ilógico e até surreal que o mundo dos livros, da invenção literária, dos esquemas formais consagrados de composição narrativa. Muito interessante. Neste volume há também uma novela, "A pane", que em breve registrarei aqui. Vale! 
Registro #1459 (romance policial #91) 
[início: 30/07/2019 - fim: 31/07/2019]
"A promessa", Friedrich Dürrenmatt, tradução de Petê Rissati, São Paulo: Estação Liberdade editora, 1a. edição (2019), brochura 13,5x21 cm., 220 págs., ISBN: 978-85-7448-300-9 [edição original: Das Versprechen : Requiem auf den Kriminalroman (Zürick: Arche / Diogenes Verlag AG / Penguin Randon House Group) 1958]