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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

coisa de amador

Jornalista, ilustrador e editor de arte (e com uma indissimulada alma roqueira) Paulo Chagas trabalha em Santa Maria já há tempos. Algo de sua produção plástica pode ser acompanhada no Flickr e também em um blog, o Pomada Elétrica, onde ele alterna bom humor e algum sarcasmo. Além de seu trabalho feito para jornais eu conhecia as ilustrações que ele fez em parcerias literárias com o Márcio Grings, o Eduardo Macedo e o Diomar Konrad. Recentemente ele decidiu que era hora de publicar um trabalho solo e o resultado é "Coisa de amador". Chagas reuniu de seus guardados algumas histórias em quadrinhos, selecionou cousas divertidas de seus sketchbooks, acrescentou histórias novas e produziu uma narrativa que amarra todo o material. É um livro francamente confessional, intimista e biográfico, um convite de entrada para o mundo de influências, laboratório de idéias e playground  das horas vagas frequentado pelo Chagas. O livro funciona como uma espécie de portfolio dos quadrinhos e desenhos dele. Ele mesmo, em uma das orelhas do livro, cita algumas de suas referências: Disney, Sakai, Pazienza, Moebius, Crumb e Angeli, mas eu vi um Art Spiegelman escondido ali (menos no traço que na mordacidade das histórias). Vamos a ver se um dia desses ele esquece as ironias e nos apresenta um segundo volume, talvez um "Coisa de profissional" (dos bons, que ele é). [início/fim: 03/12/2011]
"Coisa de amador", Paulo Chagas, Santa Maria: editora Manuzio (edição do Autor: Barco a Vapor) (1a. edição) 2011, brochura 20x26, 64 págs. ISBN: 978-85-912821-0-4

sexta-feira, 17 de junho de 2011

obras encolhidas

Diomar Konrad é um bom frasista e tem mesmo uma imaginação poderosa (acrescentar que ele abusa da ironia nas horas vagas e não vagas é quase redundante). Anos atrás ele lançou uma primeira versão de suas "máximas", seus aforismos, compilados com paciência desde seus dias de estudante. A edição era bem acanhada, mas as frases se defendiam sozinhas e fisgavam o leitor. Recentemente ele produziu a segunda versão de suas frases feitas. São jogos verbais, onde ele usualmente surpreende o leitor com uma lógica torta, um viés diferente. Nesta edição ele contou com uma parceria nova, na forma de ilustrações a suas frases, produzidas por Paulo Chagas. As ilustrações dialogam com o texto, acrescentantando alguma leveza às palavras ásperas e ferinas do Diomar. Eles alcançaram mesmo um bom resultado. Se estes dois se animarem um tanto poderiam convidar uns outros sujeitos que adoram produzir frases de efeito e registrá-las em um blog (ou cousa que o valha). Sempre lembro do quão divertido é o blog mantido pelo Millor por exemplo, mas esta é apenas uma idéia torta minha. [início 13/05/2011 - fim 13/05/2011]
"Obras encolhidas - volume 2 : máximas de Diomar Konrad, ilustradas por Paulo Chagas, lidas por quem gosta de perder tempo", Diomar Konrad, ilustrações de Paulo Chagas, Santa Maria: editora Manuzio, 1a. edição (2011), brochura 11x18 cm, 48 págs. sem ISBN

domingo, 28 de junho de 2009

clube dos descontentes

Márcio Grings é um jornalista dos bons. Digo isto sem saber se ele é formado em jornalismo (nestes tempos bicudos esta questão tem lá seu valor), mas ele faz bem um ofício que eu associo com jornalismo: informar sua tribo sobre um assunto com riqueza de detalhes e precisão, encantamento e objetividade. Se o assunto é cultura pop, rock & roll, blues, jazz, música da boa, literatura, cinema, geração beat, contracultura, o sujeito sabe se virar, e bem por sinal. Atualmente ele coordena a programação de uma rádio local. Salvo erro meu este é seu quinto livro. Os primeiros eram de poesia, mas no último a veia de prosador já tinha tomando conta do sujeito. Os textos deste "A nós, o clube dos descontentes" são um tanto indefiníveis na verdade. Não são ensaios propriamente, nem crônicas de um cotidiano compartilhado entre ele e outros da cidade. Mais bem parecem apontamentos e reflexões de alguém que quer entender melhor o mundo e suas ações nele. Ele verbaliza umas idéias, mistura um tanto prosa e poesia, como Baudelaire já ensinou ser possível. Suas influências aqui são mais ou menos óbvias: Bukowski certamente, Fante e Kerouac, talvez. O livro é ilustrado por Paulo Chagas, um editor de arte profissional que produz um bom diálogo entre suas ilustrações e os textos. Carolina Carvalho assina uma boa introdução e Marcelo Canellas faz uma apresentação generosa na orelha do livro. Dos textos há coisas que eu não gosto, como alguns poemas em prosa, ou prosa esparramada, repletos de enigmas pessoais impenetráveis ao leitor, histórias que não se resolvem mesmo. Estes hermetismos me aborrecem na verdade, pouco acrescentam aos textos e não chegam a criar um clima particularmente interessante. Já outras coisas são vibrantes e te pegam na primeira leitura. Quando isto acontece não há como não ficar satisfeito. Se é que eu posso fazer ainda um reparo, diria que a idéia do título do livro poderia ser melhor contextualizada. Parece uma piada particular, que a meu juízo é descrita de forma bastante distinta pela Carolina, pelo Marcelo e pelo próprio Márcio (no texto). Mas o melhor dos Marx já nos ensinou que clubes são lugares que não devemos invejar, nem tampouco entender. Longa vida ao deles então. Enfim, "A nós, o clube dos descontentes" é um bom e honesto livro, bem editado por uma editora que merece ser acompanhada de perto. [início 27/05/2009 - fim 29/05/2009]
"A nós, o clube dos descontentes", Márcio Grings, editora Barco a Vapor (1a. edição) 2009, brochura 14,5x22,5, 127 págs., ISBN: 978-85-7782-072-6