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domingo, 20 de fevereiro de 2011

terceira sede

"Terceira sede" reune dez elegias de Fabrício Carpinejar. Elegia é uma forma poética que se presta a vários efeitos. Usualmente enfeixam poemas melancólicos e reflexivos, que pensam de alguma forma a morte. Carpinejar as publicou há dez anos, quando ainda era um poeta formalmente jovem, de menos de trinta anos. Ele emula um sujeito, uma encarnação sua, já aos 72 anos, em 2045, que discute sua condição e sua história, que analisa seu entorno e seu coração. O efeito é muito bom. Aprendemos rapidamente a olhar com os olhos de seu vetusto personagem. Li com a calma que os dias vagabundos de verão permitem. Acredito que hoje Carpinejar se permitiria um tom mais jocoso, algo como Bob Fosse fez, fazendo um personagem seu perguntar-se se a morte era ou não boa de cama. Isto talvez tornasse seu personagem um senhor menos solene e moral. Mas como ele fala com uma moral em construção, uma moral que compartilha com o leitor, não nos aborrecemos nada com isto (e de resto o livro foi publicado em 2001 e agora deve sempre se defender sozinho, pois pouco sabe da encarnação atual de seu autor). Enfim, terceira sede é um livro muito bom. Além de um bom prefácio de Luís Augusto Fischer o livro inclui nas orelhas uma apresentação de Carlos Heitor Cony. O único reparo que faço a esta reedição da Bertrand Brasil são as 16 laudas de elogios e homenagens às elegias, publicados todos eles na época do lançamento. Nem o livro, nem o autor, certamente hoje ainda mais seguro de si que há dez anos, não precisam deste cabotinismo tolo. Paciência. [início 19/01/2011 - fim 01/02/2011]
"Terceira sede: Elegias", Fabrício Carpinejar, Rio de Janeiro: editora Bertrand Brasil, 1a. edição (2009), brochura 13,5x21 cm, 96 págs. ISBN: 978-85-286-1384-1 [edição original: editora Escrituras (São Paulo) 2001]

sábado, 10 de julho de 2010

www.twitter.com/carpinejar

Este é um livro totalmente dispensável, que deve ter sido publicado simplesmente para que o autor ou sua editora pudessem escrever em algum lugar que foram os primeiros a compilarem os tweets de um twitter na forma de livro. Que paternidade besta. Transpor de um suporte a outro algo forte ou fundamental ainda teria lá seu valor, mas os aforismos frouxos e os registros de estados de humor irrelevantes que encontramos neste pequeno livro não o sustentam. Tudo é sonolento à exaustão. Li os tweets do final para o início do livro, acompanhando cronologicamente como ele tateia e brinca com o que talvez pudesse se pensar como um gênero, mas não é (não vai dar tempo para que algo assim se torne um gênero literário). São poucas semanas de registro. Ele escreve de um 21 de julho a um 06 de setembro, se preocupando com o amor, com a amizade, com o cotidiano. Reiteradamente uma lagartixa é mencionada. Talvez o anonimato da internet (onde uma página fica escondida em um mar de outras) não sirva tão plenamente aos propósitos de auto análise que o autor parece buscar (e que talvez só se encontre quando se tem um livro impresso para mostrar aos amigos). Mas suas postagens apenas edulcoram algo onde não há vida, nem ficção que emule algo vivo. É razoável que um autor não se leve a sério mas leve a sério o que assina (boa parte dos grandes escritores alcançam este efeito). Mas aqui encontramos exatamente o oposto, os sinais trocados. O que falta mesmo a este livro é um mínimo de humor. Paciência. [início - fim 06/07/2010]
"www.twitter.com/carpinejar", Fabrício Carpinejar, editora Bertrand Brasil, 1a. edição (2009), brochura 14x21 cm, 84 págs. ISBN: 978-85-286-1408-4