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domingo, 7 de agosto de 2011

maigret e o mendigo

Em "Maigret e o mendigo" acompanhamos duas investigações. Há a investigação oficial sobre a tentativa de assassinato de um mendigo. Maigret e seus associados descobrem quem ele é (quem ele foi talvez seja mais apropriado dizer), alcançam saber das coisas nas quais ele estava envolvido. E há a investigação paralela, oficiosa, ligada ao instinto de Maigret, que percebe que o quase afogamento do mendigo está relacionado há algo mais antigo e importante. O mendigo se recusa a colaborar. Maigret está seguro que ele poderia juntar as duas histórias, mas seu silêncio não é rompido nem mesmo com a iminência da morte. O suspeito de Maigret é exatamente o barqueiro belga que salvou o sujeito das águas. Simenon brinca um tanto sobre certas diferenças entre belgas e franceses (sobretudo coisas relacionadas ao uso do francês e da lógica). O texto é bem movimentado, mas a violência policial é algo que transborda nesse livro. Fazia tempo que não ficava tão irritado com um livro, com um personagem. É que eu esqueci que qualquer sujeito que decida fazer parte de um corpo policial e/ou militar (para falar só das atividades mais óbvias) não deve mesmo valer grande coisa. Argh! Preciso ficar um bom tempo sem ler estes romances ligeiros do Simenon. [início - fim 05/08/2011]
"Maigret e o mendigo", Georges Simenon, tradução de Myriam Campello, editora L&PM Pocket (v. 801), 1a. edição (2009), brochura 10,5x18 cm, 160 págs. ISBN: 978-85-254-1920-4 [edição original: Maigret et le clochard, Presses de la Cité (França), 1963]

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

maigret e o negociante de vinhos

Ler os romances policiais de Georges Simenon proporciona entreterimento rápido e satisfatório. Conhecemos os personagens principais, os procedimentos, os bordões. O desfecho lógico e implacável do inspetor Maigret é algo seguro, o leitor nunca é surpreendido. Claro, um sujeito tem de controlar a dose, pois é fácil se cansar. Nestes dias vagabundos de férias de inverno (são apenas uns dez dias sem aulas, nada espetacular, que permita viagens e diversões genuínas) eis que resolvi ler alguns Simenon. Nesse "Maigret e o comerciante de vinhos" acompanhamos a investigação sobre a morte de um arrivista que ao longo de sua vida acumulou tanta fortuna quanto inimigos e detratores. Maigret está gripado e tem dificuldades para manter o ritmo e a atenção no processo complicado que tem em mãos. Simenon aproveita para refletir um tanto sobre as diferenças entre a moral burguesa e as regras de conduta dos trabalhadores mais simples de seu tempo (ok, isto é feito de forma muito superficial). Após algum esforço e diligências chega-se a confissão e ao culpado. Nada espetacular. Acho que não estou com o humor certo para essas leituras tão ligeiras. Vou experimentar só mais um e basta! [início - fim 02/08/2011]
"Maigret e o negociante de vinhos", Georges Simenon, tradução de Paulo Neves, editora L&PM Pocket (v. 800), 1a. edição (2009), brochura 10,5x18 cm, 169 págs. ISBN: 978-85-254-1919-4 [edição original: Maigret et le marchand de vin, Presses de la Cité (França), 1970]

quarta-feira, 30 de março de 2011

maigret na escola

O problema de ler vários romances policiais ao mesmo tempo - mesmo quando se tratam de romances bem escritos como são os de Georges Simenon, é que nos entediamos mesmo. O roteiro é sempre o mesmo. Acontece algo inusitado, um detalhe bobo ou algo fora da rotina. O comissário Maigret põe sua maquinaria mental para funcionar e voilá: a solução do enigma se apresenta para o leitor (e ponto final, como sempre nos ensina don Tailor Diniz sobre o que se fazer em um romance policial). Bueno. No caso deste "Maigret na escola" o comissário condói-se de um jovem professor de província que busca por sua ajuda para um caso nebuloso. Uma velha senhora, vizinha da pequena escola rural onde ele dá aulas é morta com um tiro de espingarda. Como ele e sua mulher não são bem quistos na comunidade ele torna-se automaticamente suspeito, apesar de não haver nenhuma prova forte contra ele. A curiosidade de Maigret (e a vontade de consumir ostras e um bom vinho branco na região costeira de L'Aiguillon-sur-Mer) levan-no a atender a solicitação do jovem professor. O caso é banal, mas faz com que Maigret relembre sua juventude, ele também um provinciano, criado no campo. Apesar da resistência da população local Maigret rapidamente localiza quem de fato atirou e matou a velha senhora. Nada que um leitor atento não possa inferir logo no início, mas a versatilidade e o domínio do ofício de Simenon fazem com sigamos com o livro até o final. Preciso ler coisas com mais estofo. Esta é a verdade. [início 13/03/2011 - fim 14/03/2011]
"Maigret na escola", Georges Simenon, tradução de Paulo Neves, editora L&PM Pocket (v. 925), 1a. edição (2011), brochura 10,5x18 cm, 176 págs. ISBN: 978-85-254-2104-3 [edição original: Maigret à l'école, Presses de la Cité (França), 1954]

segunda-feira, 28 de março de 2011

maigret sai em viagem

Nesta história de Simenon o comissário Maigret se envolve com o mundo dos endirenhados, sempre acima de qualquer suspeita. O caso de assassinato é banal. Um sujeito é encontrado morto em um hotel cinco estrelas, afogado em uma banheira. A mulher com quem esta envolvido, também hospedada neste hotel, desaparece e é a principal suspeita. Com a ajuda de seu ex-marido, um rico financista belga, logra se afastar rapidamente da curiosidade dos jornais sensacionalistas. Maigret segue a pista certa desde o início. De Paris a Monte Carlo, de lá a Genebra e logo de volta a Paris em um par de dias. Uma noite a mais circulando pelos corredores do hotel e se familiarizando com o ritmo do local e das vizinhanças é o que basta para Maigret descobrir como o assassino, seu suspeito particular desdo o início, cometeu o crime. Ao ser desmascarado o sujeito percebe a inutilidade de negar sua participação. Nos livros de Simenon os fundamentos dos romances policiais são explícitos. Pouco nos surpreendem. Nos enredamos rapidamente com a história. É uma espécie de vertigem. Ele não dá ao leitor muita chance de refletir e imaginar o que vem a seguir (apesar do óbvio da elucidação de um crime qualquer nas últimas páginas). Para escapar da realidade de um dia que cheire a tédio nada melhor que livros desta natureza. O livro discute superficialmente sobre a estrutura de classes francesa. Há um momento em particular na história onde Maigret trai seu provincianismo, situação que o aborrece sobremaneira, quase impedindo-o de raciocinar adequadamente. Nisto há um anacronismo temporal, pois as relações entre o poder, a justiça e a riqueza, mesmo em uma sociedade reconhecidamente estanque como a francesa, mudaram muito nos cinquenta anos que se passaram desde a publicação original do livro. Paciência. [início 12/03/2011 - fim 13/03/2011]
"Maigret sai em viagem", Georges Simenon, tradução de Alessandro Zir, editora L&PM Pocket (v. 889), 1a. edição (2010), brochura 10,5x18 cm, 164 págs. ISBN: 978-85-254-2053-4 [edição original: Maigret voyage, Presses de la Cité (França), 1958]

sábado, 26 de março de 2011

a primeira investigação de maigret

Tânia Lopes é uma amiga querida e dela ganhei um vale presente em livros (ela bem que me conhece). Bueno. Arrematei um livro do Ondjaki (jovem escritor angolano que vou logo resenhar por aqui) e para arredondar o valor total do vale peguei este Simenon, que estava à mão e é sempre garantia de diversão (ligeira, mas consistente). Se Simenon escrevia rapidamente seus leitores não deixam por menos. É impossível começar uma de suas histórias e não querer saber o desfecho de uma vez. Em um par de horas liquidamos com a expectativa. O curioso neste volume é que se trata do primeiro caso concreto em que Maigret se envolve. Em 1913, ainda um jovem assistente e plantonista noturno em uma delegacia de bairro, ele tem sua obstinação e intuição postos à prova em uma questão nebulosa, envolvendo herdeiros de burgueses endinheirados e arrivistas. Sofisticados e enganadores ou não, de qualquer forma há um crime para se resolver. O modo como Simenon descreve a engenharia mental do inspetor é algo raro de se apreciar. Maigret é um policial que segue os manuais de instruções e as leis de seu ofício. Nesta história Simenon tenta criar a atmosfera de seu aprendizado mundano, ou seja, de como ele aprende a interagir - e a tirar proveito profissional disto - com os diferentes tipos humanos, com os distintos personagens da complexa sociedade em que vive. Vamos em frente. [início 11/03/2011 - fim 12/03/2011]
"A primeira investigação de Maigret", Georges Simenon, tradução de Áurea Weissenberg, editora L&PM Pocket (v. 367), 3a. edição (2006), brochura 10,5x18 cm, 200 págs. ISBN: 85-254-1337-2 [edição original: La première enquête de Maigret, Presses de la Cité (França), 1949]

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

o amigo de infância de maigret

Quando você quer se distrair mesmo de algum problema do dia a dia nada como este tipo de romance policial. Os livros de Simenon são esquemáticos e previsíveis, o senso moral sempre aponta para a mesma direção, o leitor sempre encontra um terreno seguro à suas expectativas. Claro, um sujeito acaba se aborrecendo com estas leituras. Há romances policiais mais elaborados e desafiadores; há romances - mesmo convencionais - que pedem algo mais do leitor; há miríades de clássicos que devemos nos esforçar por ler. Mas há os dias de vagabundagem e os dias de se ler Simenon. Na trama deste livro Maigret recebe em seu escritório na polícia judiciária um colega de seus tempos de escola, exatamente o "bobo" da turma, o sujeito que vivia de pequenos expedientes divertidos para alcançar ajuda nas tarefas e escapar da punição de suas faltas. Este sujeito presencia o assassinato da mulher com quem vivia e envolve Maigret na investigação propositalmente. Esta mulher tinha vários amantes fixos (o amigo de Maigret é apenas o mais constante). Maigret toma o depoimento dos amantes (cada um a sua vez surpreso por saber das infidelidades da amante, os caminhos da paixão são mesmo sinuosos). Rapidamente Maigret consegue elucidar a trama e descobrir a motivação do crime. Nada espetacular, mas vale as horas de leitura. [início - fim 06/02/2011]
"O amigo de infância de Maigret", Georges Simenon, tradução de Rejane Janowitzer, editora L&PM Pocket (v. 793), 1a. edição (2010), brochura 11x18 cm, 173 págs. ISBN: 978-85-254-1907-1 [edição original: L'ami d'enfance de Maigret, Presses de la Cité (França), 1968]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

maigret se diverte

Nestes dias vagabundos de verão um romance policial relaxa um sujeito. Fazia tempo que não lia nada tão ligeiro como este "Maigret se diverte". O comissário está de férias, oficialmente na Côte d'Azur, mas ele prefere passar os dias discretamente em Paris, em seu próprio apartamento, desfrutando com sua mulher os bistrôs do bairro e fazendo com ela longas caminhadas. Seu substituto provisório, durante as férias, é o fiel inspetor Janvier. A trama da vez envolve o assassinato de uma jovem mulher no boulevard Haussmann, endereço dos endinheirados de Paris (estamos nos anos 1950, vale registrar). Os suspeitos são dois, seu marido e seu amante, ambos jovens médicos. Enquanto Janvier faz a investigação padrão, usando os recursos da polícia judiciária, Maigret acompanha tudo pelos jornais, assumindo sua condição de "flâneur". Simenon abusa do acaso, para proporcionar acesso de Maigret às informações que necessita para chegar a solução do caso simultaneamente ao investigador Janvier. Algo forçado, mas nada que impeça o leitor de passar bons momentos na companhia deste livro. Diversão tranquila de verão. [início - fim 12/01/2011]
"Maigret se diverte", Georges Simenon, tradução de Celina Portocarrero, editora L&PM Pocket (v. 767), 1a. edição (2009), brochura 11x18 cm, 169 págs. ISBN: 978-85-254-1887-6 [edição original: Maigret s'amuse, Presses de la Cité (França), 1957]

domingo, 21 de novembro de 2010

a louca de maigret

Atrapado em um aeroporto no interior das minas dos matos gerais fiquei verdadeiramente chateado quando percebi que terminaria ainda ali, longe de casa, o último dos livros que havia incluído na bagagem. O divertido "París no se acaba nunca" se acabava, era tempo de encontrar algo novo para ler, e rápido. Na conexão em São Paulo consegui uns poucos minutos livres e eis que um Simenon, justo este "A louca de Maigret", coube a mim. Quando foi que o li pela última vez? Há uns vinte anos provavelmente. Minha veia de leitor de romances policiais secou por anos. Foi o Manolo Montalbán quem me resgatou para este gênero, e isto muito recentemente. O quê dizer dos livros de Simenon? São bons romances, sem descrições supérfluas, repletos de diálogos que conduzem freneticamente qualquer história. Mas a maquinaria das histórias de detetive está tão entranhada na prosa de Simenon que a irrelevância da leitura fica quase explícita. Ele conduz o leitor por um labirinto de possibilidades de investigação e até permite que este possa aventar uma ou outra delas como a solução do crime em questão, mas seu detetive é demasiado hábil, demasiado implacável. Em "A louca de Maigret" o detetive coloca seu engenho na investigação do assassinato de uma velhinha que ele poderia ter salvo, caso levasse seus temores mais a sério. Por se sentir algo responsável ele dedica seu tempo livre em acossar os suspeitos mais à mão, parentes dela e agregados, praticamente deixando-os se enredar por si próprios, em uma transferência clássica de culpa (investigadores, assim como os médicos, devem aprender cedo a não se envolverem emocionalmente com nada). Se falta materialidade ao crime, se é praticamente impossível imputar a responsabilidade a quem induziu de fato o assassinato, Maigret o deixa com sua culpa privada, que provavelmente o assombrará por anos. É um livro fácil de ler (antes do avião aterrisar eu já o havia terminado), já cumpriu sua missão. Preciso voltar a algo com mais estofo para me divertir de verdade. [início - fim 13/11/2010]
"A louca de Maigret", Georges Simenon, tradução de Paulo Neves, editora L&PM Pocket (v. 792), 1a. edição (2009), brochura 10,5x18 cm, 158 págs. ISBN: 978-85-254-1906-4