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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

a culpa é do padre 2

Vamos a ver. Penso que existem dois tipos de livros. Aqueles que nos dão genuíno prazer e aqueles que teimam em nos aborrecer. Quando li “A culpa é do padre”, do Ronaldo Lippold, lançado em meados de 2009, vi logo que ele pertencia ao primeiro grupo. Que livro divertido! E, além de divertido, despretensioso. Pois essa parece ter sido também a opinião de uma legião de leitores. Não apenas a edição original do livro esgotou-se em pouco mais de seis meses como seus leitores, quando encontravam o Lippold por esses pagos afora, invariavelmente costumavam pedir a ele uma nova fornada de suas memórias, seus causos e histórias. Quem conhece o Lippold sabe o quanto ele é elétrico. Enquanto promovia “A culpa é do padre” já matutava uma sequência, motivava seus colaboradores, continuava a escrever. Agora ele decidiu enfrentar o lançamento de um segundo livro, produzindo esse “A culpa é do padre II”. Inclui um tanto de suas outras paixões: dá espaço para sua mulher (a Neneca) a falar da arte de produzir cervejas artesanais, a sua filha para escolher a tipologia dos títulos das histórias, a seu cunhado (o padre) a incluir um de seus contos. Um segundo livro de qualquer escritor não costuma ter vida fácil. Os leitores (sobretudo aqueles que também são críticos) sabem ser infiéis e cruéis. Até autores experientes, seguindo o mesmo roteiro, utilizando a mesma técnica, mantendo o mesmo formato, não tem como prever a reação dos leitores. O leitor irá divertir-se como no primeiro livro? As histórias continuarão líricas e tocantes? Acredito que sim. Claro, os livros têm de se defender sozinhos, mas acredito que elas funcionam, tem algo daquele encanto original, continuam espontâneas, ora provocando o riso, ora partilhando suas recordações e memórias afetivas com o leitor. O Lippold arrisca um tanto mais desta vez. Além de dar um acabamento mais literário aos textos ele incluiu algumas invenções mais sombrias. A vida e a literatura têm dessas coisas. Talvez um escritor deva mesmo seguir seu instinto e não se aferrar às fórmulas fáceis. Acho que esse livro encontrará seus leitores como velhos amigos se encontram, com surpresa e prazer (e quando amigos se encontram não há aborrecimentos). Bom divertimento. [início 29/11/2011 - fim 05/12/2011] 
"A culpa é do padre II: Em busca da cerveja perfeita", Ronaldo Lippold, Santa Maria: editora Manuzio (edição do Autor: Rio das Letras) (1a. edição) 2011, brochura 16x21,136 págs. ISBN: 978-85-65172-01-1

sábado, 2 de janeiro de 2010

a culpa é do padre

Conheço o Ronaldo Lippold há vários anos, mas só mais recentemente tivermos a chance de criar alguma camaradagem de fato, aproveitando oportunidades de tocar conversas com vagar. Em algum ponto entre o Carnaval e a Páscoa do ano passado ele começou a escrever textos memorialísticos, registrar situações engraçadas aconteceram com ele e com seus amigos (algum teimavam em morrer jovens e ele começou a achar que antes que alguém se desse conta a memória de todos eles estaria perdida). Começou a escrever e não parou mais. Juntou algumas histórias e mandou para os amigos darem sua opinião. De minha parte li e gostei, fiz minhas anotações, conversamos um rato sobre o formato e o ritmo das histórias. São coisas muito pessoais, contadas de uma forma muito particular, como se ele estivesse mesmo em uma roda de amigos contando causos. Elas acabam formando um conjunto realmente interessante, tocante, autêntico. Certamente mesmo quem não nasceu em Santa Maria ou conheceu seus personagens se envolve com as histórias, que em geral se valem do inusitado ou do bizarro de momentos simples da vida. Ronaldo convidou um grande ilustrador (também poeta e designer) santa-mariense, o Jorge Ubiratã - Byrata - Lopes para preparar os originais do livro. Cercou-se de um grupo de apoiadores financeiros (não existe almoço grátis, já disse o Milton Friedman) e produziu seu livro. Lançou o livro em grande estilo (eu peguei meu autógrafo no Zepelin em uma noite divertida) e como é vendedor de profissão anda pelos pagos do Rio Grande do Sul mascateando - com sucesso - seu livro. Está feliz com a recepção (o livro já ultrapassou o Mampituba, cousa rara) e feliz com o reconhecimento pela qualidade do registro que ele fez. Concordo com o que escreveu Hilda Simões Lopes na apresentação do livro: "A culpa é do padre" é uma homenagem à vida. Pois que seja então longa a vida e a arte deste livro. [início 02/12/2009 - fim 07/12/2009]
"A culpa é do padre", Ronaldo Lippold, editora Manuzio, 1a. edição (2009), brochura 14,5x21cm, 112 págs. ISBN: 978-85-7782-114-3